• Soja (MT)R$ 133,98-0.39%
  • Milho (MT)R$ 44,55-0.69%
  • Algodão (MT)R$ 127,24-0.07%
  • Boi Gordo (MT)R$ 349,74+0.03%
  • Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

Exportações fortes sustentam Chicago, Brent voa a US$ 114 e Brasil aguarda o pleito de domingo

No cenário macroeconômico global, o petróleo Brent continua em disparada violenta, operando na faixa dos US$ 114 sob o peso das tensões irresolutas no Oriente Médio. No Brasil, o clima de reta final do plantio da safra 2026/27 e a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25) mantêm o mercado interno em compasso de espera, com o câmbio estabilizado em R$ 5,03.

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Exportações fortes sustentam Chicago, Brent voa a US$ 114 e Brasil aguarda o pleito de domingo

A última sexta-feira de outubro amanhece com os mercados internacionais de grãos operando de forma mista. Na Bolsa de Chicago (CBOT), a soja tenta se firmar no campo positivo, sustentada pelos sólidos números de vendas externas divulgados pelo USDA, com forte apetite da China. Em contrapartida, o milho mantém a trajetória de baixa acumulada ao longo da semana, pressionado pelo avanço da colheita nos Estados Unidos.

Abaixo, detalho os fundamentos que comandam os negócios nesta sexta-feira direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: Vendas externas fortes dão suporte à estabilidade em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a soja amanhece com viés neutro a positivo, registrando altas modestas entre 1 e 2 pontos nas primeiras horas desta sexta-feira. O suporte técnico decorre da absorção do relatório de exportações do USDA, que confirmou um desempenho robusto para a oleaginosa norte-americana.

Os dados semanais mostraram que as vendas líquidas de soja da temporada 2026/27 somaram 2,84 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. O principal motor da demanda externa foi a China, que respondeu por cerca de 2,18 milhões de toneladas (cerca de 77% do total), embora parte desse volume reflita remanejamentos de contratos anteriormente registrados para destinos não especificados. Apesar desse fôlego nas vendas, a pressão exercida pela colheita americana em andamento limita rali mais intensos nas cotações.

Milho e Trigo: Demanda em alta, mas embarques fracos pressionam o cereal

O milho segue operando em campo negativo na CBOT, repetindo o comportamento baixista de toda a semana. O mercado pondera dados díspares no boletim de exportações:

  • Demanda Aquecida: As vendas líquidas de milho americano alcançaram 1,53 milhão de toneladas na mesma semana de referência, um salto de 36% frente à semana anterior e 87% superior à média das últimas quatro semanas.
  • Gargalo nos Embarques: Em contrapartida, os embarques efetivamente realizados recuaram 43%, caindo para 780,3 mil toneladas. Essa defasagem entre o volume comercializado e a efetiva retirada portuária evidencia lentidão no escoamento, pesando sobre o ânimo dos compradores e mantendo a pressão sobre o cereal.

América do Sul: Tradings em compasso de espera e plantio na reta final

No território brasileiro, a dinâmica comercial caminha em ritmo de cautela pré-eleitoral. As tradings e indústrias mantêm posições conservadoras, sem forçar o mercado físico.

Nas lavouras, o plantio da safra 2026/27 caminha para a reta final com excelente apoio do clima. Com a semeadura em estágio avançado e os produtores focados na conclusão dos trabalhos de campo, as negociações de novos lotes no interior permanecem temporariamente em segundo plano, priorizando a gestão agronômica da porteira para dentro.

Mercado Financeiro e Câmbio: Dólar estável a R$ 5,03 à espera das eleições

No ambiente cambial, o dólar opera pressionado no cenário externo, enquanto o real registra estabilidade, sendo cotado a R$ 5,03 por volta das 8h30 (horário de MT).

As atenções absolutas do mercado financeiro brasileiro voltam-se para o pleito deste domingo (25), que decidirá a presidência no segundo turno. Com a proximidade da votação, as mesas operacionais adotam postura defensiva, reduzindo o apetite ao risco e mantendo a volatilidade cambial contida em compasso de espera até a apuração das urnas.

O front macro: Petróleo Brent em disparada a US$ 114,58

No setor de energia, o mercado internacional segue sob forte estresse geopolítico. O barril de petróleo tipo Brent continua em disparada expressiva, sendo negociado a US$ 114,58 por volta das 7h (horário de MT).

A persistência de conflitos sem solução no Oriente Médio, agravada pelas recentes especulações de escalada militar — mantém o prêmio de risco da energia em níveis críticos. Esse patamar elevado do petróleo reverbera diretamente sobre os custos logísticos globais, inflacionando os fretes marítimos e rodoviários e encarecendo a matriz de insumos para a agricultura.

Resumo Executivo para o seu radar hoje:

  • Soja Sustentada: Sexta-feira com viés neutro a positivo em Chicago (1 a 2 pontos de alta), apoiada pelo reporte forte de exportações.
  • Demanda Externa: Vendas líquidas de soja dos EUA atingiram 2,84 mi t (com a China absorvendo 2,18 mi t, ou 77%).
  • Milho sob Pressão: Cereal recua na semana; vendas líquidas somaram 1,53 mi t (+36%), mas embarques caíram 43% para 780,3 mil t, travando o ritmo.
  • Plantio no Fim: Brasil avança para a reta final da semeadura de soja com clima favorável; tradings e produtores em compasso de espera.
  • Câmbio a R$ 5,03: Moeda americana estável com investidores focados na apuração do segundo turno presidencial deste domingo (25).
  • Brent a US$ 114,58: Petróleo avança forte, pressionando os custos logísticos e de produção global.

Encerramos a semana com o agro brasileiro voltado simultaneamente para a conclusão bem-sucedida do plantio e para o cenário político que será definido nas urnas neste domingo. Aproveite o fechamento para organizar os compromissos logísticos e proteger os custos de frete diante de um petróleo firme acima de US$ 114. Um excelente final de semana e ótimos negócios a todos!

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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