• Soja (MT)R$ 135,78-0.39%
  • Milho (MT)R$ 46,19-0.47%
  • Algodão (MT)R$ 126,45+0.24%
  • Boi Gordo (MT)R$ 348,11+0.63%
  • Leite (MT)R$ 2,39-0.30%

Chicago estável, plantio no Brasil dispara a 30% e Dólar recua a R$ 5,05

Abrimos esta terceira segunda-feira de outubro com os mercados internacionais de grãos buscando um ponto de equilíbrio e estabilização, após a forte rodada de perdas acumulada ao longo da semana passada. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o pregão amanhece contido e sem direção única, a soja trabalha levemente positiva, tentando estancar a sangria, enquanto o milho opera em leve baixa, pressionado pelo avanço implacável da colheita norte-americana sob o clima seco e favorável.

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Plantio

No cenário doméstico, a atenção divide-se entre a política e a agronomia. No campo, o plantio da safra 2026/27 engata a sétima marcha e atinge a marca expressiva de 30% da área projetada, segundo os levantamentos do grupo Pátria, com destaque para o ritmo exemplar no oeste de Mato Grosso. No ambiente financeiro, o dólar abre a semana em baixa, cotado a R$ 5,05, reagindo aos desdobramentos do debate eleitoral de ontem. Na energia, o Brent recua pontualmente nesta manhã, mas permanece em patamares elevados acima dos US$ 108.

Abaixo, os fundamentos detalhados que regem o início desta semana direto da nossa redação em Cuiabá.

Complexo Soja: Chicago de lado e o peso da colheita nos EUA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a oleaginosa tenta buscar uma trégua e amanhece com viés levemente positivo nesta segunda-feira, tentando recompor parte do terreno perdido na última semana.

O mercado absorve os ecos da demanda internacional: embora novas compras pontuais de soja norte-americana por parte de tradings chinesas tenham sido reportadas ao longo da semana passada, o volume físico negociado não teve força suficiente para contrabalançar a pressão vendedora exercida pela alta produtividade e pelo avanço rápido das colheitadeiras no Meio-Oeste. Com o clima firme colaborando no campo americano, o mercado aguarda os novos relatórios oficiais do USDA para balizar o ritmo final da oferta.

Milho e Trigo: Cereal opera em leve baixa na CBOT

O milho acompanha o compasso defensivo do início de semana e abre a segunda-feira operando em campo levemente negativo na Bolsa de Chicago. O cereal continua atrelado à dinâmica de colheita nos Estados Unidos, que segue avançando sem percalços climáticos relevantes. Os operadores aguardam novos dados consolidados de demanda externa para tentar encontrar um piso de sustentação para as cotações futuras.

América do Sul: Plantio brasileiro atinge 30% com destaque no Oeste de MT

No Brasil, o ritmo do trabalho nas lavouras traz um contraponto de extrema robustez. Estimativas consolidadas pelo grupo Pátria indicam que o plantio da safra 2026/27 já alcançou 30% da área total prevista.

A realidade regional em Mato Grosso é bastante positiva:

  • Oeste de Mato Grosso: Uma fatia expressiva dos produtores já concluiu a semeadura da soja, aproveitando as janelas ideais de umidade. Apenas alguns bolsões pontuais que sofreram com excesso de precipitações tardias iniciaram os trabalhos de plantio no encerramento da última semana.
  • Cenário Geral: De forma ampla, o clima na América do Sul tem favorecido o avanço rápido das máquinas, permitindo que o Brasil mantenha o cronograma agrícola competitivo apesar das incertezas macroeconômicas.

Mercado Financeiro: Dólar recua para R$ 5,05 após debate eleitoral

No câmbio doméstico, a semana começa com movimento de correção. Após fechar a última sexta-feira cotado a R$ 5,07, impulsionado por dadosmacroconômicos resilientes nos Estados Unidos e pelo otimismo do JP Morgan com a economia americana, o dólar abre em baixa, operando por volta de R$ 5,05 às 8h30 (horário de MT).

O recuo pontual da moeda americana reflete a leitura das mesas financeiras sobre o debate eleitoral realizado no Brasil. Segundo a avaliação de analistas políticos, a performance de Flávio Bolsonaro no embate transmitiu maior firmeza, gerando uma onda de confiança no mercado de capitais e valorizando temporariamente o real frente ao dólar.

O front macro: Brent recua a US$ 108,61, mas o fantasma da inflação persiste

No setor de energia, o mercado internacional de petróleo abre a segunda-feira com um recuo de 1,14%, com o barril do tipo Brent cotado a US$ 108,61 por volta das 7h30 (horário de MT).

Apesar dessa correção intradiária, a cotação continua operando em patamares historicamente elevados, sustentada pelo peso implacável das crises geopolíticas globais. O cenário de conflitos prolongados, com a guerra entre Rússia e Ucrânia superando em duração a própria Primeira Guerra Mundial, além do atrito persistente envolvendo os EUA e o Irã iniciado em fevereiro, mantém os investidores em alerta máximo. O mercado teme que a prolongada inflação gerada por esses choques energéticos mantenha os custos de fretes marítimos e insumos industriais pressionados ao longo de toda a temporada agrícola.

Resumo Executivo para o seu radar hoje:

  • Chicago Estável: Soja opera em leve alta e milho em leve baixa nesta segunda-feira (19), buscando acomodação após as perdas da semana anterior.
  • Avanço nos EUA: Colheita norte-americana acelera amparada pelo tempo firme; mercado no aguardo de novos boletins do USDA.
  • Plantio no Brasil a 30%: Grupo Pátria aponta forte avanço da semeadura 2026/27; oeste de Mato Grosso se destaca com grande parte das áreas já finalizadas.
  • Dólar Cede a R$ 5,05: Câmbio recua após fechar a R$ 5,07 na sexta, influenciado pela repercussão do debate eleitoral brasileiro.
  • Brent a US$ 108,61: Petróleo recua levemente na abertura, mas a persistência dos conflitos prolongados (Ucrânia e Oriente Médio) mantém o risco inflacionário global ativo.

A virada de chave para esta semana exige foco total na execução agronômica. Com o plantio brasileiro superando a marca de 30% e o oeste mato-grossense praticamente com a semente no chão, o produtor deve aproveitar a trégua intradiária do dólar a R$ 5,05 para equalizar suas necessidades logísticas e travar custos de insumos de cobertura. Mantenha a disciplina de caixa e acompanhe o fechamento das bolsas ao longo do dia direto no Agronews.

Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes

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Foto de Vicente Delgado

Sobre o autor

Vicente Delgado

DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência

Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.

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