Petróleo salta a US$ 112 com nova tensão militar e dólar reage às pesquisas
Nas bolsas de Chicago (CBOT), o complexo de grãos tenta uma leve recuperação técnica, mas carece de sustentação e de um gatilho claro de alta diante do avanço da colheita norte-americana e da demanda chinesa ainda contida. No Brasil, o plantio da safra 2026/27 caminha em ritmo forte com o apoio do clima, enquanto o mercado físico segue travado e o dólar fechou a R$ 5,027 sob a influência de oscilações nas pesquisas eleitorais de reta final.
Essa escalada de tensão no Oriente Médio encarece o prêmio de risco da energia e pressiona a cadeia logística global.
A quinta-feira (22) amanhece marcada por um choque expressivo no mercado internacional de energia. O barril de petróleo tipo Brent registra uma forte valorização de 2,95%, sendo negociado a US$ 112,03 por volta das 7h (horário de MT), após reportagem do New York Times revelar planos de articulação entre Estados Unidos e Israel para intensificar ataques militares contra o Irã. O avanço acentuado da energia recoloca o risco inflacionário global no radar, com impacto direto sobre os custos de fretes e insumos do agronegócio.
Abaixo, detalho os fundamentos que comandam a abertura dos negócios nesta quinta-feira direto da nossa redação em Cuiabá.
O front macro: Brent dispara a US$ 112,03 com ameaça de escalada no Oriente Médio
No mercado de energia, a volatilidade geopolítica voltou a ditar o ritmo das mesas de operação. O barril de petróleo tipo Brent salta quase 3% nas primeiras horas do dia, operando a US$ 112,03 às 7h (MT).
O principal impulsionador dessa alta abrupta foi a publicação de uma reportagem pelo New York Times, destacando que os governos dos Estados Unidos e de Israel estariam planejando intensificar ataques estratégicos contra alvos no Irã. Essa escalada de tensão no Oriente Médio encarece o prêmio de risco da energia e pressiona a cadeia logística global, elevando o custo do diesel e dos fertilizantes para as lavouras.
Complexo Soja: Chicago tenta recuperar perdas, mas carece de gatilhos
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros de soja amanhecem em campo levemente positivo, tentando estancar as perdas acumuladas nas sessões recentes.
No entanto, o movimento esbarra na falta de sustentação de curto prazo. Os traders mantêm-se em compasso de espera por novos dados estatísticos, enquanto o avanço contínuo da colheita nos Estados Unidos e o ritmo ainda abaixo do esperado para as compras da China impedem uma recuperação mais consistente das cotações.
Milho e Trigo: Cereal opera de lado e o descolamento no mercado físico
O milho trabalha de lado na CBOT por volta das 7h (MT), pressionado pela abundância da safra norte-americana e sem força compradora firme.
No Brasil, o cenário reflete um nítido descasamento entre o mercado futuro e a realidade do balcão: enquanto os contratos futuros na B3 fecharam predominantemente em campo positivo na véspera (com exceção apenas do vencimento novembro/26, que recuou para R$ 65,96), esse ímpeto das telas não encontra reflexo no mercado físico do interior, que continua sem força e com negociações limitadas.
América do Sul: Plantio forte e clima favorável na safra 2026/27
No campo brasileiro, a execução da nova safra segue em ritmo acelerado.
De modo geral, o clima tem colaborado de maneira satisfatória para o avanço das plantadeiras, com ocorrências de problemas restritas apenas a bolsões pontuais. Com a semeadura em bom andamento e o câmbio patinando em patamares baixos, o produtor nacional mantém o foco total na eficiência de campo e na busca por oportunidades cirúrgicas de travamento de preços.
Mercado Financeiro: Dólar fecha a R$ 5,027 com cautela eleitoral
No ambiente cambial doméstico, a moeda norte-americana encerrou o último pregão levemente positiva, cotada a R$ 5,027.
A oscilação foi influenciada diretamente pelo cenário político: novas pesquisas eleitorais indicaram um crescimento do candidato Lula na reta final do segundo turno, injetando uma dose de cautela e preocupação nos investidores. No cenário externo, a atenção dos mercados financeiros concentra-se na divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, que deverão direcionar os rumos do câmbio global nas próximas sessões.
Soja sem Sustentação: CBOT abre levemente no azul, mas sem força para engatar rali; mercado aguarda novos números de oferta e demanda com a colheita dos EUA em andamento.
Descasamento no Milho: Cereal trabalha de lado em Chicago; na B3 os futuros fecharam em alta (exceto nov/26), mas o mercado físico no interior do Brasil permanece sem força.
Plantio Sólido no Brasil: Semeadura avança firme com o clima ajudando de modo geral, limitando os problemas a ocorrências pontuais.
Dólar a R$ 5,027: Câmbio sobe levemente com a repercussão de pesquisas eleitorais mostrando oscilação e crescimento de Lula na reta final.
Brent a US$ 112,03: Petróleo salta 2,95% após reportagem do New York Times sobre planos de ataques conjuntos de EUA e Israel ao Irã, encarecendo fretes e insumos do agro.
A recomendação para esta quinta-feira é de extrema disciplina financeira e operacional. Com o petróleo disparando para US$ 112 devido às ameaças geopolíticas e o mercado físico de grãos sem força no interior, a prioridade absoluta deve ser a proteção dos custos operacionais e a execução rigorosa do plantio nas janelas ideais de umidade. Um excelente dia de negócios a todos!
Por Luiz Cunha – Consultor de mercado físico de grãos e fertilizantes
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Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador24+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, atua desde 2002 em produção audiovisual e cobertura do agronegócio brasileiro, com foco em commodities, política agrícola, pecuária e eventos do setor.