A maior oferta de mandioca e o enfraquecimento da demanda pressionam as cotações. Veja o impacto na produção e nos preços em 2026
Em muitas regiões, a venda acontece mais para fazer caixa do que por convicção de preço. A conta é simples: despesas correndo, custeio apertado e pouca margem para segurar a produção no campo. Esse cenário vem sendo acompanhado de perto pelo Cepea, que aponta pressão clara sobre as cotações da mandioca.
Preço aperta no campo
A cotação da mandioca caiu porque a oferta cresceu mais rápido do que a capacidade de absorção do mercado. Depois de um período de clima complicado e pausa nas atividades, a colheita ganhou ritmo. Com mais raiz disponível, o poder de barganha do produtor diminuiu.
Não se trata de uma quebra de consumo, mas de um descompasso. A demanda existe, só que não acompanha o volume que chega das lavouras. O resultado aparece no preço pago ao produtor, que vem sendo ajustado para baixo para equilibrar essa relação.
Para quem trabalha com contratos ou entrega programada, o impacto é um pouco menor. Já o produtor que depende do mercado spot sente mais. Em regiões tradicionais, a conversa no barracão é a mesma: muita mandioca e pouca disputa pela raiz.
Oferta supera demanda
O ponto central do momento é a oferta acima da necessidade imediata das indústrias. As fecularias e farinheiras não estão operando com capacidade total. Isso limita a compra diária e cria filas de produtores tentando vender.
Mesmo com a retomada da colheita após o recesso, a indústria segue cautelosa. Parte disso vem de ajustes internos, parte do ritmo de venda dos derivados. Quando a fécula não gira no mesmo passo da matéria-prima, a conta não fecha.
Esse cenário pressiona o produtor, que muitas vezes precisa decidir entre vender mais barato agora ou assumir o custo de manter a mandioca no campo por mais tempo. Nem sempre essa segunda opção é viável, principalmente em áreas onde o calendário da próxima safra já bate à porta.
Números da produção
Os dados ajudam a entender por que o mercado está pesado. A produção brasileira de mandioca em 2025 somou 19,8 milhões de toneladas, crescimento de 3,9% em relação ao ano anterior. É volume entrando no sistema.
Quando se olha por estado, o quadro fica mais claro. O Paraná colheu cerca de 3,6 milhões de toneladas, com leve queda de 0,5%. Já Mato Grosso do Sul teve avanço expressivo, com alta de 18,6%. São Paulo também cresceu, ainda que de forma mais modesta, com 1,1%.




