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Bezerro ultrapassa R$ 3 mil em quase todas as praças reforçando tendência de alta na reposição

Dany Balieiro
06/03/2026 às 07:44
Bezerro ultrapassa R$ 3 mil em quase todas as praças reforçando tendência de alta na reposição

O mercado de reposição bovina iniciou 2026 com forte valorização, especialmente no segmento de bezerros, veja mais informações a seguir

O gado Nelore com idade entre 8 e 12 meses já é negociado acima de R$ 3 mil por cabeça na maior parte das regiões pecuárias acompanhadas no país, consolidando um movimento de alta que começou ainda no final do ano de 2025. Esse avanço reflete um cenário típico de ciclos, no qual a oferta de animais jovens diminui ao mesmo tempo em que cresce a demanda dos pecuaristas que precisam repor seus rebanhos.

Dados do Indicador CEPEA/ESALQ mostram que, em fevereiro, o preço médio do bezerro em Mato Grosso do Sul atingiu R$ 3.158,74 por cabeça. Considerando os valores ajustados pela inflação medida pelo IGP-DI, esse é o maior patamar registrado desde dezembro de 2021. O desempenho confirma a retomada da valorização no mercado de reposição e evidencia a pressão sobre os custos para os pecuaristas que trabalham com recria.

Neste início de março, o movimento de alta continua. A média parcial do mês já chega a R$ 3.236,30 por cabeça no estado sul-mato-grossense, sinalizando que o mercado permanece firme. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a valorização acumulada supera 20%, demonstrando a força da demanda e a restrição na oferta de animais.

Um dos principais fatores que explicam essa valorização é a menor disponibilidade de bezerros machos no mercado. Após um período de retenção de fêmeas para recomposição de plantel em diversas regiões do país, muitos produtores reduziram o volume de animais enviados ao mercado, o que diminuiu a oferta de reposição. Ao mesmo tempo, a necessidade de manter o ciclo produtivo nas fazendas de engorda sustenta a procura por novos lotes.

A sazonalidade também contribui para o aumento dos preços nesta época do ano. Historicamente, os meses entre março e maio costumam registrar os maiores valores para animais de reposição. Isso ocorre porque muitos pecuaristas terminadores precisam repor os bois gordos que são enviados para abate no início do ano. Com a saída desses animais das fazendas, surge a necessidade imediata de adquirir novos bezerros ou bois magros para manter a atividade de recria e engorda.

Outro elemento importante do atual cenário é o ritmo aquecido da demanda por boi gordo por parte dos frigoríficos. O setor industrial segue buscando novos lotes de animais prontos para abate, especialmente para atender ao forte fluxo de exportações de carne bovina brasileira. Esse apetite da indústria acaba estimulando os pecuaristas a manterem suas escalas de produção, o que se traduz em maior interesse pela compra de bezerros.

Assim, a combinação entre oferta restrita de animais jovens e demanda firme ao longo da cadeia pecuária sustenta os preços elevados da reposição. Para muitos produtores, o momento exige planejamento e cautela na formação de novos lotes, já que o custo de entrada na atividade de engorda está significativamente mais alto. Ainda assim, enquanto o mercado de boi gordo permanecer aquecido, a tendência é que o segmento de reposição continue valorizado nos próximos meses. Clique aqui e acompanhe o agro.

AGRONEWS É INFORMAÇÃO PARA QUEM PRODUZ

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