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Produtor que não se blindar vai entregar lucro para o mato e para o percevejo

Vicente Delgado
11/03/2026 às 13:52
Produtor que não se blindar vai entregar lucro para o mato e para o percevejo

Tecnologia japonesa protege lavoura contra as pragas mais resistentes do Brasil. O produtor que não se atualizar agora vai entregar a margem do lucro para o mato e para o percevejo.

Basta encostar a botina no talhão para sentir que o jogo mudou. O clima está mais incerto, o custo do insumo não dá trégua e, para piorar, aquelas pragas que a gente controlava com o “arroz com feijão” de dez anos atrás agora parecem rir do pulverizador. É uma briga de foice no escuro, e o “bicho papão” da resistência está cuspindo fogo na rentabilidade de quem descuidar. Na última Expodireto, ficou claro que produzir muito já não é mais o único troféu que o agricultor busca; o desafio agora é fazer o dinheiro sobrar no bolso depois de colher.

A agricultura é uma indústria a céu aberto, você sabe bem. É dormir e acordar matando um leão por dia. Mas o que vimos nas vitrines tecnológicas da IHARA, durante a Expodireto Cotrijal, mostra que a cavalaria chegou com DNA japonês e pé no barro brasileiro. Fundada em 1965, a empresa virou a ponte principal para trazer o que há de mais moderno na química do Japão para as nossas terras. E olha que não é pouca coisa: cerca de 60% das novas moléculas do mundo saem de lá.

Ihara

Como bem disse Fernando Socolovski, gerente comercial distrital da empresa, o jogo da margem apertada exige uma visão que vai além do bico do pulverizador. “Aproximadamente nos últimos 15 anos a margem da agricultura era muito grande… a palavra era produzir mais. E com tudo isso que está acontecendo… está obrigando o produtor a ver a atividade dele de duas maneiras. Ele precisa ter a visão técnica… e a parte financeira“, afirma ele. No fim do dia, o produtor está analisando rentabilidade, e isso só vem com produto bom e conhecimento técnico de ponta.

O cerco fechado contra o caruru e o capim-amargoso

Se tem algo que tira o sono de quem está no trecho é ver o limpo virar sujo num piscar de olhos. A matocompetição é um ralo de dinheiro. Quando o caruru ou o capim-amargoso resolvem dar as caras, eles não estão ali só de visita; eles roubam água, luz e o adubo caro que você colocou para a soja. Em casos mais graves, o prejuízo chega a 90% da produtividade. É de doer o peito.

Para resolver esse nó, a aposta da vez é o Yamato. Não estamos falando de mais do mesmo, mas de uma molécula inédita no Brasil. A lógica aqui é o “pré-emergente”, ou seja, matar o mal antes mesmo dele colocar a cabeça para fora da terra. O Rudimar Spannemberg, engenheiro agrônomo da IHARA, deu o alerta: “O caruru hoje é a planta daninha que mais cresce aqui para nós… ela tá presente hoje no Brasil inteiro“.

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O diferencial do Yamato é que ele age na germinação. “A planta daninha, quando ela está absorvendo água para germinar, ela absorve o produto que acaba fazendo o controle. Então, não tem mato competição”, explica Socolovski. Com um residual que segura a onda por 30 a 40 dias, ele dá aquela tranquilidade para a cultura principal, seja soja, milho ou trigo, arrancar com força e sem o risco de “fito“, aquela queimação que alguns herbicidas causam na planta jovem.

O fim do sossego para o percevejo: A era do Zeus

Se o mato compete, o percevejo ataca o coração do seu lucro: o grão. Esse bicho é traiçoeiro. Fica ali escondidinho, mas o estrago é barulhento no bolso. “A presença desse inseto aí, minúsculo, quietinho ali, ele se tiver 1 por metro quadrado… pode roubar quase uma saca“, pontua Spannemberg. Se a gente colocar isso na ponta do lápis em uma fazenda de 10 mil hectares, estamos falando de um rombo que passa fácil de 1,2 milhão de reais. É dinheiro que some sem você ver.

O mercado ficou uns dez anos batendo na mesma tecla, usando as mesmas moléculas, e o percevejo acabou ficando “vacinado“. A IHARA rompeu isso com o Zeus. O segredo aqui é o Dinotefuran, um princípio ativo novo que chega chutando a porta. “Um produto novo, sem resistência, um controle acima da média [com 90% de eficiência], um residual acima da média“, enfatiza Fernando.

Botar uma tecnologia dessas na prateleira não é fácil nem barato. O Spannemberg revelou que o investimento passa dos 250 milhões de dólares e o processo leva mais de uma década para ser liberado. Por isso, a recomendação é usar com inteligência, integrando ao manejo, para que a ferramenta dure muitos anos ajudando quem produz.

A blindagem de “dragão” contra a ferrugem

Agora, se tem algo que faz o produtor benzer a lavoura, é o fungo. A ferrugem asiática não brinca em serviço. Se o clima colaborar para o fungo, ele dizima 90% da soja antes de você pensar em colher. A estratégia aqui tem que ser a da prevenção, como se fosse uma vacina.

Socolovski faz uma comparação perfeita: “É uma analogia com a vacina da gripe. Se você coloca a vacina, você cria anticorpos para que quando o vírus entra em contato com o teu corpo, você tenha uma resistência maior… Diferentemente de quando você pega o vírus… que aí você toma remédios para diminuir os sintomas, mas você acaba sentindo mais a doença“.

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A linha de frente começa com o Save, que faz aquela varredura inicial em doenças como oídio e antracnose. Mas a proteção pesada, a “couraça do dragão“, vem com o Sugoy. Ele cria uma camada na folha que impede o esporo do fungo de germinar. “O Sugoy ele vem se depositar na superfície da folha. Se chegar esporos novos de outras doenças da ferrugem propriamente dito, ele não vai conseguir germinar e penetrar na planta“, detalha o especialista.

Para fechar o ciclo com chave de ouro, o Fusão Fix (ou Absoluto Fix) entra em cena. Não é à toa que ele foi eleito pela Embrapa, através do Consórcio Antiferrugem, como a melhor performance por três anos seguidos. Contra fatos e resultados da Embrapa, não tem argumento.

O futuro é híbrido: Onde o químico encontra o biológico

A IHARA também está de olho no que vem pela frente. A compra da Inova, em Foz do Iguaçu, mostra que o biológico não é mais “conversa de futuro“, é realidade. Estão desenvolvendo oito novos organismos para ajudar no manejo, buscando até o que pode ser o primeiro bioherbicida do mercado.

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Mas calma, ninguém está falando em abandonar o que funciona. “O biológico hoje é uma ferramenta fantástica… nós como técnicos também, como consumidores, a gente quer hoje um alimento mais saudável… com menos resíduo“, comenta Spannemberg. A visão é de soma: o biológico ajuda o químico a performar melhor e reduz a pressão de resistência. Como resume Socolovski, eles “não substituem o químico, eles complementam o químico“.

No fim das contas, o que o produtor quer é colher bem e dormir tranquilo. Com as ferramentas certas, o “bicho papão” da lavoura pode até atacar, mas ele vai encontrar uma porteira muito bem fechada e uma lavoura blindada por quem entende do riscado.

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