Tecnologia japonesa protege lavoura contra as pragas mais resistentes do Brasil. O produtor que não se atualizar agora vai entregar a margem do lucro para o mato e para o percevejo.
Basta encostar a botina no talhão para sentir que o jogo mudou. O clima está mais incerto, o custo do insumo não dá trégua e, para piorar, aquelas pragas que a gente controlava com o “arroz com feijão” de dez anos atrás agora parecem rir do pulverizador. É uma briga de foice no escuro, e o “bicho papão” da resistência está cuspindo fogo na rentabilidade de quem descuidar. Na última Expodireto, ficou claro que produzir muito já não é mais o único troféu que o agricultor busca; o desafio agora é fazer o dinheiro sobrar no bolso depois de colher.
A agricultura é uma indústria a céu aberto, você sabe bem. É dormir e acordar matando um leão por dia. Mas o que vimos nas vitrines tecnológicas da IHARA, durante a Expodireto Cotrijal, mostra que a cavalaria chegou com DNA japonês e pé no barro brasileiro. Fundada em 1965, a empresa virou a ponte principal para trazer o que há de mais moderno na química do Japão para as nossas terras. E olha que não é pouca coisa: cerca de 60% das novas moléculas do mundo saem de lá.

Como bem disse Fernando Socolovski, gerente comercial distrital da empresa, o jogo da margem apertada exige uma visão que vai além do bico do pulverizador. “Aproximadamente nos últimos 15 anos a margem da agricultura era muito grande… a palavra era produzir mais. E com tudo isso que está acontecendo… está obrigando o produtor a ver a atividade dele de duas maneiras. Ele precisa ter a visão técnica… e a parte financeira“, afirma ele. No fim do dia, o produtor está analisando rentabilidade, e isso só vem com produto bom e conhecimento técnico de ponta.
O cerco fechado contra o caruru e o capim-amargoso
Se tem algo que tira o sono de quem está no trecho é ver o limpo virar sujo num piscar de olhos. A matocompetição é um ralo de dinheiro. Quando o caruru ou o capim-amargoso resolvem dar as caras, eles não estão ali só de visita; eles roubam água, luz e o adubo caro que você colocou para a soja. Em casos mais graves, o prejuízo chega a 90% da produtividade. É de doer o peito.
Para resolver esse nó, a aposta da vez é o Yamato. Não estamos falando de mais do mesmo, mas de uma molécula inédita no Brasil. A lógica aqui é o “pré-emergente”, ou seja, matar o mal antes mesmo dele colocar a cabeça para fora da terra. O Rudimar Spannemberg, engenheiro agrônomo da IHARA, deu o alerta: “O caruru hoje é a planta daninha que mais cresce aqui para nós… ela tá presente hoje no Brasil inteiro“.

O diferencial do Yamato é que ele age na germinação. “A planta daninha, quando ela está absorvendo água para germinar, ela absorve o produto que acaba fazendo o controle. Então, não tem mato competição”, explica Socolovski. Com um residual que segura a onda por 30 a 40 dias, ele dá aquela tranquilidade para a cultura principal, seja soja, milho ou trigo, arrancar com força e sem o risco de “fito“, aquela queimação que alguns herbicidas causam na planta jovem.
O fim do sossego para o percevejo: A era do Zeus
Se o mato compete, o percevejo ataca o coração do seu lucro: o grão. Esse bicho é traiçoeiro. Fica ali escondidinho, mas o estrago é barulhento no bolso. “A presença desse inseto aí, minúsculo, quietinho ali, ele se tiver 1 por metro quadrado… pode roubar quase uma saca“, pontua Spannemberg. Se a gente colocar isso na ponta do lápis em uma fazenda de 10 mil hectares, estamos falando de um rombo que passa fácil de 1,2 milhão de reais. É dinheiro que some sem você ver.
O mercado ficou uns dez anos batendo na mesma tecla, usando as mesmas moléculas, e o percevejo acabou ficando “vacinado“. A IHARA rompeu isso com o Zeus. O segredo aqui é o Dinotefuran, um princípio ativo novo que chega chutando a porta. “Um produto novo, sem resistência, um controle acima da média [com 90% de eficiência], um residual acima da média“, enfatiza Fernando.
Botar uma tecnologia dessas na prateleira não é fácil nem barato. O Spannemberg revelou que o investimento passa dos 250 milhões de dólares e o processo leva mais de uma década para ser liberado. Por isso, a recomendação é usar com inteligência, integrando ao manejo, para que a ferramenta dure muitos anos ajudando quem produz.






