A Embrapa prioriza a pesquisa de melhoramento de espécies forrageiras para dar sustentabilidade à pecuária brasileira

Desde a década de 1980, foram introduzidos no Brasil germoplasmas de Brachiaria e Panicum maximum, o que permitiu o desenvolvimento de cultivares mais produtivas, de melhor qualidade e mais resistentes às cigarrinhas-das-pastagens.

Segundo a pesquisadora Rosangela Maria Simeão, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande, MS), a cigarrinha-das-pastagens é a principal praga que ataca as gramíneas forrageiras. Hoje, já existem várias cultivares consolidadas no mercado e 80% delas são produto da pesquisa da Embrapa, sendo que algumas são boas opções para os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Recentemente, a Embrapa disponibilizou duas novas cultivares de Panicum maximum, BRS Zuri e a BRS Quênia. Outra nova cultivar é a BRS Ipyporã, um híbrido resultado do cruzamento entre a Brachiaria ruziziensise a Brachiaria brizantha.

Simeão ressalta que para essas novas cultivares foram feitos diversos estudos referentes às questões de manejo do pasto, ganho de peso dos animais, altura das forrageiras para entrada e saída dos animais da pastagem, em regiões que representam os biomas Cerrado e Amazônia Brasileira.

“Obviamente, as pesquisas ainda não estão concluídas, mas, a partir do momento que as cultivares são lançadas e as sementes comercializadas, podemos disponibilizá-las para novos estudos. É preciso realizar, por exemplo, testes referentes à tolerância ao sombreamento em condições de sistemas integrados com Lavoura-Pecuária e/ou Lavoura-Pecuária-Floresta”, diz Rosangela Simeão.

Os pesquisadores observaram que esses materiais apresentam vantagens, que devem ser ressaltadas. A BRS Zuri tem resistência a uma doença (Bipolaris maydis) que vem atacando o Panicum cv. Tanzânia em algumas áreas do Norte do Brasil. Já a Ipyporã é o primeiro híbrido de braquiária lançado pela Embrapa, o qual apresenta alto valor nutritivo, resistência a todas as cigarrinhas-das-pastagens e uma alta produção de sementes.

A pesquisadora Denise Baptaglin Montagner, também da Embrapa Gado de Corte, explica que os pontos fortes da BRS Ipyporã são a elevada resistência à cigarrinha-das-pastagens típica e à cigarrinha-da-cana-de-açúcar (Mahanarva spp.). Além disso, seu alto valor nutritivo proporciona melhor ganho de peso para os animais, por apresentar maior teor de proteína bruta. “Só podemos colocar uma nova cultivar no mercado quando há superação das disponíveis, inclusive da qualidade”, ressaltou.

O pesquisador Carlos Augusto de Miranda Gomide, da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG), ressalta que as cultivares de Panicum maximum, BRS Zuri e BRS Quênia, têm potencial para serem exploradas em sistemas intensivos de produção, com foco maior na intensificação de produção de leite em pasto, basicamente com uso sob pastejo rotacionado.

Segundo ele, a tendência hoje é a intensificação dos sistemas de produção e estas novas cultivares também podem contribuir. “Basicamente ambas apresentam alta produção de forragem e maior facilidade de manejo. Já o BRS Quênia apresenta um melhor valor nutritivo e favorece a redução do uso de concentrado na pecuária de leite. São novas opções que já estão disponíveis para cultivo a partir da próxima estação chuvosa. Porém, recomendamos que a tomada de decisão para troca de uma pastagem deve envolver uma série de questões e precisa de um acompanhamento técnico e planejamento”, pontuou.

Parceria e aplicativo Pasto Certo
A Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto) é uma parceira da Embrapa que agrega mais de 30 empresas e produtores licenciados para produção de sementes de forrageiras, localizados nos estados da Bahia, de Goiás, do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, de Minas Gerais e São Paulo.