Cerveja feita com dejetos suínos é a novidade em 2026, você tomaria?

Publicado: 29/01/2026
Atualizado: 29/01/2026
Cerveja feita com dejetos suínos é a novidade em 2026, você tomaria?

O que parece loucura é a tecnologia que está transformando dejetos da granja em lucro líquido.

Se alguém chegasse para você hoje, lá no meio do manejo, e oferecesse um copo de cerveja gelada feita com água de dejeto de porco, qual seria a sua reação? Muita gente torceria o nariz na hora, mas a verdade é que a Embrapa Suínos e Aves acaba de provar que o que a gente joga fora todo santo dia é, na verdade, um recurso valioso que está sendo desperdiçado. A notícia da “cerveja de dejeto” correu o trecho, mas o que está por trás dessa história não é marketing: é uma tecnologia bruta que resolve o maior gargalo financeiro e ambiental do suinocultor moderno.

O produtor que lida com a rotina pesada sabe que a água é um insumo que custa caro e dá trabalho. Ela entra limpa na limpeza e no consumo dos animais e sai misturada com fezes e urina, virando um passivo que exige área de descarte e tratamento rigoroso. Só que esse sistema novo da Embrapa virou o jogo. Em vez de apenas “tratar para jogar fora”, eles conseguiram uma pureza tão alta que o efluente virou ingrediente de bebida. Se serve para fazer cerveja, imagina o que essa água recuperada não faz pelo custo operacional da sua granja?

O segredo por trás da água que vira lucro

Cerveja feita com dejetos suínos é a novidade em 2026, você tomaria?
Ricardo Steinmetz com a cerveja experimental, feita a partir de dejetos de suínos — Foto: NSC TV

A curiosidade em torno da bebida abriu as portas para uma conversa técnica que o produtor precisa ter. Na suinocultura intensiva, o volume de dejetos cresce na mesma velocidade que a granja escala. O pesquisador Ricardo Steinmetz, que está à frente do Laboratório de Estudos de Biogás, foi bem claro sobre o objetivo desse experimento que produziu 40 litros de uma bebida que já está dando o que falar:

“Esse piloto que a gente fez foi justamente para coletar as percepções das pessoas que degustaram a cerveja ou que não quiseram, inclusive, degustar. Nos chamou muito a atenção, dentro das respostas, que a grande maioria das pessoas se interessavam por conhecer a cerveja, mesmo ela tendo vindo do dejeto de suíno, algo que aparentemente é algo muito sujo”, comentou.

O pulo do gato é que essa tecnologia, que deve chegar ao mercado para valer esse ano (2026), tira do dejeto cerca de 97% de água pura. É quase como se você tivesse uma fonte nova dentro da propriedade, diminuindo a necessidade de ligar bomba em poço artesiano ou de ficar brigando por outorga em tempos de seca. No fim das contas, é menos gasto com energia e mais segurança para quem quer ampliar o projeto sem ter que pedir licença para o céu mandar chuva.

Como o dejeto vira água cristalina em poucos dias

Muita gente se pergunta como é possível tirar algo tão limpo de um material tão denso. O segredo está em um processo de etapas bem amarradas que levaram dez anos para serem validadas. Primeiro, o sistema separa o sólido do líquido e coloca tudo para “descansar” em uma digestão anaeróbia por uns 30 dias. É nesse momento que o cheiro forte, aquele que incomoda a vizinhança e causa atrito com fiscalização, começa a sumir.

Cerveja feita com dejetos suínos é a novidade em 2026, você tomaria?
Dejeto, água apta para reúso e água potável — Foto: NSC TV

Depois, vem a parte fina: a remoção do nitrogênio e a recuperação do fósforo. São processos rápidos, mas que deixam a água dentro dos padrões ambientais mais exigentes do Brasil. Se você está pensando que isso é coisa de laboratório, se enganou. O sistema já está rodando em granjas de grande escala pelo país, mostrando que aguenta o tranco do dia a dia e que a água recuperada pode ser usada para lavar as instalações ou em processos industriais, deixando a água nobre apenas para o que realmente importa: o consumo dos animais.

O que muda na conta de quem produz

Trabalhar com reuso de água não é só “selo verde” para bonito. É estratégia de sobrevivência. O produtor que já está usando essa tecnologia percebe uma melhora imediata na qualidade do ar e na eficiência dos nutrientes. Além disso, ter uma água tratada com esse nível de qualidade evita multas e facilita o relacionamento com as integradoras e com os órgãos ambientais, que estão cada vez mais de olho na “porteira para dentro”.

A cerveja foi a vitrine, mas o produto real é a liberdade hídrica. Imagine não ter que se preocupar tanto com a seca porque você recicla quase tudo o que usa? Isso dá uma previsibilidade que vale ouro na hora de fechar o caixa. O reuso é um caminho sem volta, e quem se antecipar a essa tendência vai beber água limpa (e quem sabe uma cerveja) enquanto a concorrência ainda patina no custo de produção.

O futuro da suinocultura é circular. O que era desperdício agora volta para o sistema, baixando o custo e elevando o patamar da nossa produção. No final do dia, o que conta é a eficiência de transformar cada gota em resultado, mantendo a atividade forte e lucrativa por muitas gerações.

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* Com informações de NSC TV

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.