Com investimento robusto e foco em inovação, a Nitro reforça sua atuação no mercado de biológicos e mira liderança no agronegócio nacional. Em apenas 5 anos atuando neste segmento, a empresa alcançou um patamar de receita que praticamente iguala o desempenho de sua divisão química – setor no qual atua há 90 anos.
A Nitro, multinacional com raízes brasileiras e nove décadas de história, já é referência em insumos agrícolas, especialidades químicas e produtos industriais. Desde que ingressou no setor agro, em 2019, vem se firmando como uma das três maiores companhias de nutrição e biológicos do país – um feito impressionante em tão pouco tempo.
Em 2020, o faturamento do agro era modesto, com R$ 265 milhões, frente a R$ 1,128 bilhão da área química. Mas o crescimento acelerado do agro, que atingiu R$ 1,010 bilhão em 2024, demonstra que o que levou quase um século para ser construído na indústria química, foi igualado em menos de uma década com foco estratégico, aquisições certeiras e inovação. A curva ascendente projeta que a Nitro deve alcançar uma receita líquida total de R$ 4,135 bilhões em 2030. Desse total: R$ 2,285 bilhões devem vir do segmento agro, enquanto R$ 1,850 bilhões devem ser gerados pela área química. O agro ultrapassará definitivamente o químico, consolidando-se como o novo motor de crescimento da empresa.
E para entender tudo isso, viajamos até Várzea Paulista, interior de São Paulo, onde conferimos os destaques que marcaram não apenas um ponto de virada para a própria empresa, mas também um avanço significativo para o agronegócio brasileiro. Confira!
A aposta no agro: uma escolha estratégica
A entrada da Nitro no agronegócio não foi fruto do acaso. Fundada em 1935 pelos grupos Votorantim e Klabin, a empresa passou por uma reviravolta após ser adquirida, em 2011, pelos atuais acionistas ligados ao Faro Capital | Multi Family Office. Após uma fase inicial de reorganização, entre 2011 e 2019, veio a hora de olhar para frente. Foi então que o agro surgiu como a grande oportunidade de crescimento para as próximas décadas, contrastando com o ritmo mais estável, e um tanto lento, da área química. Isso é o que nos revela Tiago Mota, Diretor Executivo Agro da Nitro, “O grande objetivo é que o agro seja a avenida de crescimento da Nitro para os próximos 90 anos, porque a área química ela é muito sadia financeiramente, muito estável, mas ela cresce menos. Diferente do agro que a gente vive, que a gente vê a pujança, crescendo todo dia.“, explica.

Segundo Tiago, o caminho escolhido foi claro: “adquirir empresas menores com muito potencial de crescimento“. Em 2019, compraram a MCM, especializada em sulfatos, que dobrou de tamanho sob a nova gestão. Depois veio a Fast Agro, com 11 anos de história e um faturamento que saltou de R$40 milhões para R$600 milhões. A Biocontrol, focada em biológicos, também teve seu tamanho multiplicado por dez. E a Paulifértil, localizada em Várzea Paulista, foi adquirida mais por sua estrutura estratégica do que por seu foco inicial em fertilizantes. Foi ali que a Nitro estabeleceu seu polo agroindustrial.
Em 2022, todas essas marcas foram unificadas sob o nome “Nitro”, aposentando de vez o termo “nitroquímica”, numa clara sinalização de mudança de identidade. Além disso, a empresa mantém cerca de 30% de participação na Gênica, uma das referências em biológicos, embora com operação totalmente independente.
Todos esses movimentos estratégicos levaram a um crescimento orgânico robusto e impressionante. Em 2025, a meta da Nitro é atingir R$1,2 bilhão em faturamento somente no segmento agro. “Em apenas cinco anos, a empresa lançou mais de 20 produtos, alcançou mais de 2.000 produtores e cobriu 30 milhões de hectares. Só em P&D foram mais de R$100 milhões investidos, além de R$500 milhões em aquisições e outros R$500 milhões em fábricas. A expectativa é continuar crescendo entre 15% e 20% ao ano.“, revela o diretor executivo agro.
Bacplant: o novo coração dos biológicos
Uma das maiores apostas recentes da Nitro é a Bacplant, nova fábrica de bioinsumos baseada em bactérias, inaugurada em Várzea Paulista, local da nossa visita. Com um investimento de R$50 milhões, a planta faz parte de um plano ainda maior de R$130 milhões anuais destinados à área agro. A Bacplant multiplicou por dez a capacidade produtiva da empresa no segmento de biológicos e simboliza um passo decisivo rumo ao futuro da agricultura sustentável.
Mais do que estrutura, a Bacplant representa independência tecnológica. Com um centro próprio de P&D, a Nitro pode desenvolver produtos exclusivos, adaptados a diferentes tipos de solo e culturas. E, num mercado ainda bastante dependente de insumos importados, essa autonomia é crucial.

“O produtor rural tem buscado alternativas mais eficientes, sustentáveis e adaptadas às realidades do campo. A Bacplant nasce com esse propósito: entregar soluções baseadas em biotecnologia, com respaldo técnico e produção nacional, para melhorar o desempenho das lavouras e a qualidade da produção agrícola”, destaca Jonas Cuzzi, diretor de marketing agro da empresa.
A planta tem capacidade para mais de 1 milhão de litros por ano, mas foi projetada para crescer: pode chegar a 6 milhões de litros com novos módulos. Hoje, a Bacplant é a única unidade da Nitro dedicada exclusivamente à produção de produtos bacterianos para biodefesa.
O primeiro produto lançado a partir dessa estrutura é o Égide Max, com um volume de 1 milhão de litros – e só ele já seria capaz de proteger cerca de 2,5 milhões de hectares ao ano. A expectativa da empresa é que essa fábrica sustente um crescimento anual de até 30% no segmento de biológicos.
Égide Max: proteção foliar com tecnologia de ponta

O Égide Max, um biofungicida foliar, é o carro-chefe dessa nova fase. Desenvolvido para enfrentar doenças foliares de difícil controle, ele combina duas cepas potentes de Bacillus, com ação comprovada em culturas como soja, milho, algodão, café e cana.






