Mercado do boi gordo segue travado em janeiro

Publicado: 22/01/2026
Atualizado: 22/01/2026
Mercado do boi gordo segue travado em janeiro

Retração nas vendas de carne e menor ritmo nas exportações travam o mercado do boi gordo em janeiro. Entenda a cautela de frigoríficos e pecuaristas e as cotações atualizadas

Janeiro aperta o bolso e testa a paciência de quem vive do boi

Janeiro costuma ser mês de contas pesadas e caixa curto. E, para quem está com boi no pasto, o aperto está maior. O mercado do boi gordo entrou o ano com o freio puxado. Não é queda generalizada, mas também passa longe de ser um momento confortável. O produtor olha a planilha, o frigorífico olha o balcão de vendas, e ninguém quer dar o primeiro passo.

Na prática, o dinheiro demora mais a girar. A carne não sai com a mesma velocidade no mercado interno, a exportação perdeu ritmo na terceira semana de janeiro, e isso bate direto na arroba. É como ter pasto verde, boi no ponto, mas caminhão que não chega.

Frigorífico compra pouco, produtor segura o gado

Do lado da indústria, o comportamento é de cautela. Frigorífico não está passando fome, mas também não vê motivo para alongar escala ou pagar mais agora. O consumo doméstico de carne bovina anda arrastado, típico de começo de ano, quando o brasileiro ainda está pagando fatura de cartão, material escolar e IPVA.

Já o pecuarista, principalmente em regiões onde a chuva ajudou, está menos pressionado. Pastagem boa dá fôlego. Com o boi bem acomodado, muita gente prefere esperar a aceitar desconto. É aquele jogo de empurra que o campo conhece bem: um não corre para comprar, o outro não corre para vender.

O resultado disso são negócios espaçados, conversa longa no telefone e pouca mudança real nas cotações. Quando mexe, mexe pontualmente. Um real aqui, dois ali, dependendo da praça.

Escalas curtas e mercado andando de lado

As escalas de abate estão curtas no país. A média gira em torno de oito dias, segundo levantamentos de mercado acompanhados por consultorias como Scot Consultoria e Agrifatto. Escala curta normalmente daria força para o boi, mas, desta vez, o consumo fraco segura qualquer tentativa de reação.

Em São Paulo, o cenário é de estabilidade prolongada. O boi gordo comum já soma nove dias sem mudança. O chamado boi padrão exportação, o boi-China, está há quase duas semanas no mesmo patamar. A vaca gorda e a novilha então, nem se fala: semanas andando de lado.

Isso mostra um mercado travado, não quebrado. Não tem pânico, mas também não tem empolgação. É como trator patinando em barro raso: não atola, mas também não sai do lugar.

Preços atuais da arroba e diferenças entre categorias

Falando em número, porque no fim do dia é isso que paga a conta, a referência em São Paulo está assim: R$ 318 por arroba para o boi gordo comum, preço bruto e à vista. A vaca gorda aparece em torno de R$ 302/@. A novilha terminada gira perto de R$ 312/@. Já o boi-China, que atende o padrão exigido pelo mercado chinês, está na casa dos R$ 322/@.

Esses valores não são exatamente ruins, mas também não animam quem fez confinamento caro ou comprou reposição em patamar elevado. Para quem tem custo mais ajustado e boi de pasto, dá para respirar. Para quem está apertado, cada real faz diferença.

Brasil não anda igual: quem sobe, quem cede

Quando se olha o mapa do Brasil, dá para ver que o mercado não se comporta de forma uniforme. Entre 17 praças monitoradas, apenas o Rio Grande do Sul conseguiu registrar valorização da arroba neste período. Movimento pontual, mais ligado à oferta local do que a uma virada nacional.

Na outra ponta, Bahia, Paraná e Rondônia sentiram ajustes negativos. Nada de tombo, mas aquele recuo que incomoda. O tipo de baixa que não aparece em manchete, mas aparece na nota do frigorífico.

Isso reforça a importância de o produtor acompanhar sua região. O que acontece em São Paulo nem sempre reflete Mato Grosso, Goiás ou o Norte. Mercado bovino é regional por natureza.

Exportação perdeu ritmo e isso pesa

A exportação de carne bovina, que vinha sustentando boa parte do mercado, deu uma desacelerada na terceira semana de janeiro. Não é ruptura de contrato nem fechamento de mercado, mas uma redução no ritmo de embarques. Para o frigorífico, isso significa mais produto disputando espaço no mercado interno.

E o mercado interno, todo mundo sabe, não absorve carne cara com facilidade nesta época do ano. O consumidor troca corte, diminui frequência ou simplesmente reduz consumo. A indústria sente isso rápido e ajusta a compra de boi. Clique aqui e acompanhe o agro.

O que o produtor deve observar daqui para frente

Para quem está no campo, o momento pede cabeça fria. Não é hora de desespero, mas também não dá para contar com reação rápida. O comportamento das exportações nas próximas semanas será chave. Se o ritmo voltar, ajuda a destravar. Se continuar morno, o jogo segue travado.

Outro ponto importante é o clima. Pasto bom segura oferta. Se a chuva continuar ajudando, o produtor ganha poder de barganha. Se virar o tempo, aí a conversa muda.

Enquanto isso, vale afiar o lápis, revisar custo, negociar frete, olhar escala com calma e não vender por impulso. Mercado de boi é maratona, não tiro curto.

No fim das contas, janeiro está sendo aquele mês clássico: ninguém ganha muito, ninguém perde feio. Mas todo mundo fica atento. Porque, no campo, quem dorme no ponto perde o bonde.

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Redação