Robalo, peixe brasileiro abundante no litoral, supera o salmão em ranking internacional de valor nutricional. Descubra os benefícios e o potencial da aquicultura nacional
O levantamento avaliou mais de mil alimentos e colocou o pescado brasileiro na terceira posição, com 89 pontos em uma escala que vai até 100. Ficou atrás apenas das amêndoas e da fruta-do-conde. Não é pouca coisa. Quando um produto nacional supera um ícone importado como o salmão, o mercado presta atenção. E o produtor também deveria.
Impacto no bolso
Na prática, esse reconhecimento abre espaço para valorização do peixe e para novos investimentos. O consumidor urbano já olha rótulo, compara tabela nutricional e paga mais por qualidade. O robalo entra nessa conversa como um produto premium, com potencial de preço melhor na ponta.
Hoje, muito do que se fala em pescado nobre acaba girando em torno do chamado robalo salmão, termo usado no varejo para atrair quem busca um peixe saudável e saboroso. O ranking internacional ajuda a sustentar essa imagem, mas com base em dado técnico, não em marketing vazio.
Para o produtor, isso significa margem possível. Significa também a chance de diversificar a atividade, reduzir dependência de uma única espécie e atender um público disposto a pagar por valor nutricional e procedência.
Força nutricional comprovada
Quando se olha a ficha técnica, o robalo mostra por que ganhou destaque. Em 100 gramas, o teor de gordura varia de 2 a 5 gramas. No salmão, essa conta pode chegar a 13 gramas na mesma porção. Para quem busca proteína mais magra, a diferença pesa.
Não é só isso. O peixe entrega boa quantidade de magnésio, cálcio, ferro e zinco. São minerais ligados a recuperação do organismo, cicatrização e manutenção da saúde. Por isso, o consumo costuma ser indicado em períodos de recuperação física, como após cirurgias ou em fases que exigem reforço alimentar.
Proteína de qualidade, digestão fácil e perfil mais leve de gordura. Essa combinação conversa bem com o consumidor moderno e com mercados que valorizam alimento funcional.
Aquicultura ainda tímida
Mesmo com esse cartão de visitas, a produção aquícola brasileira de robalo ainda engatinha. Em 2024, o valor total da produção de peixes no país chegou a R$ 11,7 bilhões, crescimento de 15,4% sobre o ano anterior. O número é expressivo, mas esconde um desequilíbrio.
Cerca de 70% desse volume vem da tilápia, espécie de água doce já bem estruturada, com cadeia organizada e tecnologia difundida. O marinho fica em segundo plano. O robalo, apesar do alto valor comercial, aparece pouco quando se fala em escala.
Isso não é falta de espécie adequada. O robalo-flecha e o robalo-peva, ambos nativos, têm características que facilitam o manejo: aguentam bem o trato, lidam com variação de salinidade e alcançam preço elevado no mercado. O gargalo está mais na estrutura e no investimento do que no peixe em si.
Experiências no litoral
Algumas regiões já começaram a testar o caminho. Em Santa Catarina e São Paulo, há cultivos experimentais de robalo, junto com outras espécies marinhas como beijupirá e tainha. São projetos pequenos, muitas vezes ligados a centros de pesquisa ou produtores pioneiros.
Essas iniciativas mostram que o sistema funciona, mas ainda falta escala. Falta crédito direcionado, assistência técnica específica e ambiente regulatório mais claro para produção em mar aberto ou áreas costeiras.
Quem acompanha de perto sabe que investir em peixe marinho exige planejamento fino. Custo de ração, logística, licenciamento e risco climático entram na conta. Por outro lado, o retorno pode compensar quando o mercado reconhece o produto. Clique aqui e acompanhe o agro.
Olho no mercado externo
Enquanto o Brasil anda devagar, a Europa já transformou o robalo em indústria bilionária. A União Europeia responde por cerca de 80% da produção mundial. Dentro do bloco, a Grécia lidera, seguida por Espanha. Boa parte do peixe consumido em Portugal vem de fora.
Para se ter ideia, aproximadamente 90% do robalo e da dourada consumidos pelos portugueses são importados, principalmente de sistemas de criação em jaulas offshore na Grécia, Espanha e Turquia. Ou seja, há demanda consolidada e know-how disponível.
O Brasil tem litoral extenso, espécies adaptadas e agora um selo informal de qualidade nutricional reconhecida. Falta juntar as peças. Se o produtor rural já aprendeu a transformar grão em proteína animal com eficiência, não é exagero dizer que o peixe marinho pode ser o próximo passo.
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