Crise de preços na suinocultura: Os desafios do início de 2026

Publicado: 22/01/2026
Atualizado: 22/01/2026
Crise de preços na suinocultura: Os desafios do início de 2026

O setor de suinocultura no Brasil iniciou o ano de 2026 enfrentando um cenário de forte pressão deflacionária.

De acordo com dados recentes do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações de praticamente todos os elos da cadeia — desde o animal vivo até os cortes processados no atacado — registraram recuos expressivos em diversas regiões produtoras do país. Esse movimento não é fruto de um fator isolado, mas sim de uma convergência de elementos sazonais e estruturais que desafiam a rentabilidade do produtor.

O Peso da Sazonalidade e o Consumo Interno

Historicamente, o mês de janeiro é um período de cautela para o consumo de proteínas animais no Brasil. Dois fatores principais explicam a retração da demanda doméstica citada por agentes do setor:

  1. Férias Escolares: A interrupção das aulas reduz drasticamente o volume de carne suína destinado à merenda escolar e a restaurantes universitários, retirando um volume importante de circulação diária.
  2. Orçamento das Famílias: O início de ano é marcado por despesas fixas pesadas, como IPVA, IPTU e materiais escolares. Com o poder de compra mais restrito, o consumidor final tende a migrar para proteínas mais baratas ou reduzir a frequência de compra.

Somado à demanda enfraquecida, observa-se uma maior oferta de animais vivos. Lotes que foram planejados para o pico de consumo do final de ano e que, porventura, não foram totalmente absorvidos, agora pressionam o mercado físico, forçando os preços para baixo à medida que o custo de manutenção desses animais nas granjas se torna insustentável. Clique aqui e acompanhe o agro.

A Estratégia de Escoamento via Exportação

Diante de um mercado interno saturado e com preços em queda livre, a indústria frigorífica brasileira acionou seu principal mecanismo de defesa: a exportação. Quando a rentabilidade doméstica se deteriora, o foco se volta para o mercado externo, onde as negociações em dólar ajudam a equilibrar o balanço financeiro das empresas.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam essa movimentação. A média diária de embarques nesta parcial de janeiro mantém-se em um patamar robusto, próximo a 5,1 mil toneladas. Esse volume é consistente com o desempenho observado ao longo de 2025, o que indica que a carne brasileira continua com boa aceitação e competitividade no exterior, especialmente em mercados asiáticos e leste-europeus.

Impactos na Cadeia Produtiva

A queda nos preços atinge de forma distinta, confira:

  • Produtores Independentes: São os mais afetados, pois muitas vezes não possuem contratos de integração que garantam um preço mínimo, ficando expostos à volatilidade do mercado físico.
  • Frigoríficos: Embora sofram com a queda de preços no atacado, conseguem mitigar perdas através do “mix de canais”, compensando o baixo preço interno com o volume das exportações.
  • Consumidor Final: Na ponta da linha, a queda nos preços no atacado deve, gradualmente, chegar às gôndolas dos supermercados, oferecendo um alívio temporário na inflação de alimentos.

Perspectivas para o Próximo Trimestre

Para que o setor recupere o fôlego, é necessária uma normalização dos estoques e o retorno pleno das atividades institucionais (escolas e empresas) em fevereiro. A manutenção do ritmo de exportações será o fiel da balança para evitar que o excesso de oferta interna derrube ainda mais as cotações.

A suinocultura brasileira demonstra, mais uma vez, dependência estratégica do comércio global. Enquanto o mercado interno tenta se reequilibrar após as festas de fim de ano, os portos seguem como a válvula de escape essencial para a sobrevivência econômica do setor.

AGRONEWS É INFORMAÇÃO PARA QUEM PRODUZ

suíno suinocultura

Escrito por

Dany Balieiro

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.