Setor de queijos em Mato Grosso apresenta forte crescimento, com a mussarela liderando a produção e consumo. Veja como a cadeia de laticínios se beneficia
A indústria de laticínios local encontrou na mussarela um produto com saída garantida, consumo regular e capacidade de absorver grandes volumes. Isso mexe direto no bolso do produtor, porque dá previsibilidade e fortalece a negociação do leite entregue todo dia na plataforma.
Mussarela puxa o setor
A produção de mussarela responde por cerca de 75% de todo o volume de queijos fabricado em Mato Grosso. É uma concentração grande, mas que faz sentido dentro da realidade do mercado. A mussarela está na pizzaria, no mercado de bairro, no atacado e na cozinha de casa. Tem giro rápido e não depende de nicho.
Para dar conta dessa produção, o consumo de leite é alto. Aproximadamente 44% de todo o leite produzido no estado vai direto para a fabricação desse queijo. Isso explica por que as indústrias mantêm plantas focadas nesse derivado e por que o produtor sente menos os solavancos quando o mercado do leite in natura aperta.
Na prática, quanto mais organizada a cadeia da mussarela, mais estabilidade chega lá na base. Não resolve todos os problemas de custo, mas ajuda a equilibrar o jogo em períodos de margens apertadas.
Leite vira valor
Transformar leite em queijo é uma das formas mais eficientes de agregar valor dentro da porteira. Em vez de vender um produto perecível, com preço pressionado, a indústria entrega algo com maior vida útil e margem melhor. Essa lógica vem sustentando o crescimento do setor de queijos no estado.
Mato Grosso reúne alguns fatores que facilitam esse avanço. Tem produção de leite distribuída em várias regiões, capacidade industrial instalada e uma tradição que mistura fábrica e produção artesanal. Quando esses pontos se conectam, o resultado aparece na renda e na geração de empregos.
Não é só a grande indústria que se beneficia. Pequenos e médios produtores entram nesse movimento quando conseguem se organizar, atender exigências sanitárias e encontrar mercado. O queijo vira uma alternativa real de permanência no campo.
Indústria e tradição juntas
Hoje o estado produz mais de 30 tipos de queijos. Vai do produto industrializado em grande escala até o artesanal, muitos deles com o Selo Arte, que permite a comercialização fora do estado. Esse selo abriu portas importantes para quem trabalha com receita tradicional e quer vender além da feira local.
A convivência entre indústria e artesanal não é concorrência direta. Pelo contrário. Um fortalece o outro. A indústria absorve volume e dá sustentação ao mercado do leite. O artesanal cria identidade, valor cultural e amplia o leque de produtos oferecidos.
Essa diversidade também ajuda a construir imagem positiva do setor de queijos mato-grossense, algo que pesa na hora de negociar em outros mercados.
Mercado em expansão
O consumo de queijos segue firme no país, e Mato Grosso acompanha esse movimento. A Federação de Indústrias do estado tem apontado o crescimento do setor como estratégico dentro do agronegócio local, justamente por unir produção primária e indústria.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso, Antonio Bornelli, avalia que o setor reúne condições para crescer de forma sustentável. A leitura é simples: há leite disponível, estrutura industrial funcionando, tradição produtiva e um consumidor que segue comprando.
Eventos também ajudam a dar visibilidade. O estado já realizou por dois anos o Festival do Queijo de Mato Grosso, aproximando produtor, indústria e consumidor final. Esse tipo de iniciativa cria mercado e valoriza o que é feito aqui. Clique aqui e acompanhe o agro.
Olho no produtor
Para quem está no campo, o avanço do setor de queijos traz oportunidade, mas também exige atenção. Qualidade do leite, regularidade na entrega e gestão de custo continuam sendo pontos decisivos. Sem isso, não tem indústria que segure.
Outro ponto é buscar informação. Entender como funciona a cadeia, quais produtos têm mais demanda e onde estão os gargalos ajuda o produtor a tomar decisão melhor, seja para ampliar produção, investir em melhoria ou até pensar em processamento próprio.
O recorde do maior queijo frescal do Brasil, produzido em Curvelândia, com mais de 3 mil quilos, mostra o potencial do estado. Mas o dia a dia é feito de escala, organização e conta fechando no fim do mês. É aí que o setor de queijos mostra sua força de verdade.
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