Empresa chinesa, líder global na produção de suínos, avalia investir em Lucas do Rio Verde (MT) e importar grãos como soja e milho. Veja os detalhes!
Na última sexta-feira, dia 23, uma comitiva do Grupo Muyuan Foodstuff esteve no município para avaliar oportunidades. A empresa é a maior produtora de suínos do mundo e veio conhecer de perto a região, suas condições de produção e a estrutura já instalada. Para o campo, isso se traduz em possível comprador de longo prazo para soja e milho, com apetite grande e visão industrial.
Impacto no bolso
O primeiro ponto que interessa ao produtor é simples: quem compra. A Muyuan trabalha com volumes gigantescos e importa milhões de toneladas de matéria-prima todos os anos. O Brasil já é o principal fornecedor da empresa, e a visita a Mato Grosso indica que o interesse é encurtar caminho entre lavoura e fábrica.
Se a empresa avançar para contratos de fornecimento ou mesmo para a instalação de unidades no estado, a tendência é de aumento da demanda local por grãos. Em regiões como Lucas do Rio Verde, onde a produção é alta e a logística já roda melhor do que em outras áreas do estado, isso pode ajudar a sustentar preços e reduzir dependência de frete longo até porto.
Para quem faz conta na ponta do lápis, qualquer redução de custo logístico ou ganho de previsibilidade na venda já muda o jogo. Não resolve todos os problemas, mas ajuda a equilibrar o fluxo de caixa e a planejar melhor a próxima safra.
Interesse chinês
A visita a Lucas do Rio Verde foi a segunda do grupo chinês ao Brasil e a primeira em território mato-grossense. O objetivo foi avaliar o ambiente de negócios, entender a produção regional e analisar a viabilidade de investimentos diretos, tanto na criação quanto no processamento de carne suína.
A agenda incluiu conversas com a prefeitura e com a área de desenvolvimento econômico do município. O prefeito Miguel Vaz apresentou o potencial local, destacando estrutura, capacidade produtiva e integração entre campo e indústria. Para uma empresa que trabalha com controle total da cadeia, da ração ao abate, esse tipo de organização pesa na decisão.
O diretor de compras do grupo, Kong Xiang Dong, avaliou de forma positiva o ambiente encontrado na cidade. Esse tipo de sinal é importante porque mostra que o interesse não ficou só no discurso. Quando uma multinacional desse porte volta para casa com boa impressão, a chance de novos passos aumenta.
Grãos e ração
O foco inicial da Muyuan está claro: garantir fornecimento de soja e milho para ração animal. A empresa estuda importar grãos produzidos na região e também avalia investir na produção local de ração, o que exigiria volume constante, qualidade e logística afinada.
Lucas do Rio Verde já tem histórico forte de industrialização de grãos, com plantas que agregam valor à matéria-prima. Isso facilita a conversa, porque o município não parte do zero. Há mão de obra, conhecimento técnico e um produtor acostumado a trabalhar com padrões exigentes.
Para o agricultor, a entrada de mais um grande consumidor de grãos ajuda a diversificar mercado. Em vez de depender só de tradings e exportação via porto, surge a possibilidade de vender para uma indústria próxima, com pagamento e retirada mais previsíveis.
Polo estratégico MT
Um dos pontos apresentados aos chineses foi a posição estratégica de Lucas do Rio Verde dentro de Mato Grosso. Cerca de metade dos grãos produzidos no estado está a até 200 quilômetros do município. Isso reduz custo de transporte e facilita a formação de estoques para uma operação de grande escala.
Esse raio de produção é um argumento forte para qualquer empresa que precisa de regularidade. Na suinocultura industrial, faltar ração não é opção. Por isso, estar no centro de uma região produtora pesa mais do que incentivos pontuais.
O município vem se consolidando como elo entre lavoura e indústria, com reflexo direto no desenvolvimento econômico local. Mais plantas industriais significam mais empregos, mais circulação de dinheiro e mais serviços, o que acaba retornando para o campo em forma de mercado consumidor.
O que muda
É cedo para falar em investimento fechado. A visita teve caráter técnico e exploratório. Ainda assim, o simples fato de a maior produtora de suínos do mundo olhar para Mato Grosso já muda a conversa no campo e nos escritórios.
Para o produtor, o momento pede atenção e cautela. Não é hora de apostar tudo em um cenário que ainda está em estudo, mas vale acompanhar de perto. Cooperativas, cerealistas e associações locais tendem a entrar na conversa se o projeto avançar.
Se a Muyuan decidir investir, o efeito não será imediato, mas pode redesenhar parte da cadeia de grãos e proteína animal na região. E, como sempre acontece no agro, quem estiver bem informado e organizado sai na frente.
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