Preço da soja registra queda no mercado físico e sinaliza estabilidade para 2026 no mercado futuro. Entenda os fatores que influenciam essa dinâmica
O começo de 2026 trouxe um aperto conhecido para quem acompanha o preço da soja de perto. No mercado físico, os valores cederam e já ficam abaixo do que o produtor via no mesmo período do ano passado. Para quem tem soja para vender agora, a conta ficou mais justa. Para quem olha 2026 à frente, o mercado futuro indica um cenário de pouca reação, com preços andando de lado.
Na prática, isso significa margem pressionada e necessidade de mais cautela na hora de fechar negócio. O produtor sente no bolso, especialmente quem ainda carrega custo alto de insumo da safra passada ou depende de venda no spot para fazer caixa.
Bolso do produtor
Os números do Cepea mostram bem o tamanho da queda. Entre o fim de 2025 e a parcial de janeiro, até o dia 21, a soja perdeu 8,4% do valor. Em Paranaguá, houve negócios abaixo de R$130 por saca em alguns momentos, patamar que não anima ninguém.
A média de janeiro, até o dia 21, ficou em R$133,2 por saca. É o menor valor nominal desde maio de 2025 e ainda abaixo do registrado em janeiro do ano passado, quando a média era de R$134,6. Pode parecer diferença pequena, mas no volume de uma safra inteira, qualquer real a menos pesa.
No balcão, o produtor percebe mais exigência das tradings, spreads mais abertos e menos espaço para negociação. Quem conseguiu travar parte da produção antes dessa virada de ano respira um pouco melhor. Quem ficou exposto sente a pressão.
Exportação em alta
Um ponto que chama atenção é que a queda de preço não veio por falta de escoamento. Pelo contrário. As exportações brasileiras de soja avançaram forte na primeira metade de janeiro de 2026 quando comparadas ao mesmo período de 2025.
Nos primeiros 11 dias úteis de janeiro, a média diária de embarques chegou a 118,85 mil toneladas. Isso representa um salto de 144,6% em relação à média diária de janeiro do ano passado, que foi de 48,59 mil toneladas. Volume não falta.
Mesmo com navio saindo carregado, o mercado não reagiu. Isso mostra que o problema está menos na demanda imediata e mais no cenário global de oferta. Quando o mundo espera soja sobrando, o comprador se dá ao luxo de pagar menos.
Dólar e Chicago
O comportamento da soja em dólar ajuda a entender esse movimento. No início de 2026, a cotação internacional também caiu e voltou a trabalhar pouco acima de US$23 por saca. Esse valor fica muito próximo do que o mercado futuro projeta para os vencimentos ao longo do ano.
Com isso, o produtor brasileiro fica duplamente pressionado. Se o dólar não ajuda e Chicago não reage, o preço interno perde sustentação. Mesmo quem exporta sente o impacto, porque a referência internacional entra direto na formação do preço.
Para quem acompanha tela e câmbio todo dia, fica claro que o mercado está sem força para arrancadas. O ambiente é de espera, com compradores tranquilos e vendedores testando o mercado aos poucos.
Oferta mundial cresce
O pano de fundo dessa história está na produção global. A estimativa para a safra mundial 2025/26 foi revisada para cima em janeiro, chegando a 425,68 milhões de toneladas. É um volume muito próximo do colhido na temporada anterior.
Mais soja no mundo significa disputa maior entre exportadores e menor urgência do comprador. E não é só produção. Os estoques globais também aumentaram. A projeção aponta 124,41 milhões de toneladas guardadas ao fim da safra 2025/26.
Esse número representa alta de 1,7% sobre a estimativa anterior e ainda supera o volume de 2024/25, que já havia sido elevado. Estoque cheio costuma ser sinônimo de preço travado, principalmente no curto e médio prazo.
O que esperar 2026
O mercado futuro da soja indica estabilidade em relação aos preços atuais para os contratos ao longo de 2026. Não há sinal claro de recuperação forte, mas também não aparece, por enquanto, um cenário de queda abrupta.
Para o produtor, isso pede planejamento fino. Travar custo, olhar bem o fluxo de caixa e aproveitar oportunidades pontuais pode fazer diferença no resultado final. Quem espera grandes altas pode acabar frustrado.
Vale observar que o milho segue caminho parecido, com preços em queda tanto no físico quanto no futuro neste início de ano. Isso reforça a leitura de que o momento das commodities agrícolas é de ajuste, não de euforia.
Em um cenário assim, informação vira ferramenta de trabalho. Acompanhar mercado, entender os números e decidir com calma ajuda a atravessar esse período com menos susto e mais controle sobre a operação.
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