Você já parou para pensar se é interessante para o mercado que você seja curado de uma doença? Essa pergunta direta, e fria, foi feita por quem entende de dinheiro literalmente e você vai entender os detalhes a partir de agora.
Segundo o cardiologista, Dr. André Wambier, em 2018, um dos maiores bancos de investimento do mundo, o Goldman Sachs, fez uma pergunta que chocou pela frieza: “Curar pacientes é um modelo de negócio sustentável?“. Essa questão revela uma lógica terrível que afeta diretamente o preço dos remédios, a pesquisa médica e, principalmente, a sua vida.
Parece enredo de filme, mas é a realidade. No entanto, o que vamos tratar nas próximas linhas não é apenas sobre a ganância do mercado. É sobre como uma tragédia pessoal transformou a medicina e provou que a cura não é uma utopia, mas uma realidade que já está acontecendo, inclusive no Brasil.
Continue a leitura para entender por que, apesar dos obstáculos financeiros, a ciência está prestes a atropelar quem tentar pará-la.
Por que o tratamento supera a cura?
Para entender o cenário, precisamos olhar para os números. O relatório do Goldman Sachs foi brutalmente honesto: terapias que curam de uma vez criam um problema para a receita das empresas.
O exemplo dado foi prático e assustador. A empresa Gilead desenvolveu um medicamento que curava mais de 90% dos casos de Hepatite C (uma doença grave que causa câncer e cirrose). O resultado? As vendas despencaram de 12 bilhões de dólares em 2015 para menos de 4 bilhões em 2018. O motivo é simples: ao curar o paciente, você elimina o cliente. Se o remédio funciona bem demais, ele implode o próprio mercado. Não se trata de uma teoria da conspiração, mas da lógica de investidores que preferem o fluxo de caixa previsível de tratamentos crônicos ao lucro único da cura.
Mas, se o sistema parece jogar contra nós, existe uma força maior que está virando esse jogo. E ela começou com uma promessa feita em um leito de morte.
Da tragédia à esperança: A promessa do Dr. Carl June
Nos anos 90, a vida do imunologista Dr. Carl June mudou para sempre. Sua esposa, Cindy, foi diagnosticada com câncer e, apesar de todos os tratamentos, faleceu. Diante daquela perda devastadora, Carl jurou que encontraria a cura para o câncer, dedicando-se de corpo e alma a desenvolver terapias revolucionárias. Foi assim que nasceu a CAR-T Cell, uma técnica que parece ficção científica. A ideia é genial: retiram-se as células de defesa do próprio paciente, treinam-se essas células em laboratório para reconhecer o tumor e as devolvem ao corpo como um exército de elite pronto para atacar o inimigo.
Porém, a pesquisa quase parou. Lembra do Goldman Sachs? O mesmo banco esteve envolvido na crise de 2008, que cortou verbas essenciais para a ciência, reduzindo drasticamente o número de pacientes que o Dr. June poderia tratar em seus testes iniciais.
Mesmo com poucos recursos, os resultados foram chocantes. Os primeiros pacientes com leucemia terminal, que não tinham mais opções, alcançaram a remissão completa. Mas o caso que parou o mundo envolvia uma menina de apenas 6 anos.
O milagre de Emily Whitehead
Em 2012, Emily Whitehead estava morrendo de leucemia linfoblástica aguda. Seus pais, sem opções, convenceram o Dr. June a testar a terapia nela, algo inédito para uma criança.
O tratamento funcionou, mas funcionou “demais“. O corpo de Emily entrou em uma tempestade inflamatória gravíssima, levando-a ao coma e à falência de órgãos. O Dr. June estava prestes a desistir, escrevendo o e-mail de desculpas, quando teve um “insight” do destino.
Sua própria filha tinha artrite reumatoide e usava um remédio chamado Tocilizumab para inflamação. Sem garantias e em um ato de desespero calculado, a equipe decidiu aplicar esse remédio em Emily. Horas depois, ela melhorou. No dia do seu sétimo aniversário, Emily acordou. Os exames mostraram que o câncer tinha desaparecido.
Hoje, mais de 12 anos depois, Emily continua curada, provando que a cura do câncer terminal é possível.
Você pode estar pensando: “Isso é coisa de americano rico“. Engano seu.
No Brasil, Vamberto, um paciente de 64 anos com linfoma terminal e ossos tomados por tumores, foi tratado com uma tecnologia semelhante, desenvolvida na USP de Ribeirão Preto. O resultado foi o mesmo: remissão completa em cerca de um mês. Vamberto infelizmente faleceu tempos depois devido a um acidente doméstico, mas a terapia provou que funcionava, limpando seu corpo do câncer.
O grande desafio agora é o acesso. Nos EUA, esse tratamento pode custar 500 mil dólares. A versão brasileira busca ser muito mais acessível, mas ainda enfrenta barreiras de custo e escala.
Assim como o agro, o trem da ciência não para
A boa notícia é que a tecnologia está acelerando e barateando custos, assim como aconteceu com o sequenciamento do genoma humano, que caiu de bilhões de dólares para cerca de mil dólares. Novas fronteiras estão sendo desbravadas:
HIV: Testes na África do Sul com injeções semestrais mostram quase 100% de eficácia na prevenção.
Colesterol: Novas injeções prometem zerar o colesterol ruim com doses semestrais ou até únicas no futuro, substituindo a necessidade de pílulas diárias,.
Diabetes: Pesquisas na China já indicam casos de cura através de implantes de células.
A ironia final? O mercado financeiro teve que se render. O setor de terapias CAR-T, que antes era visto com desconfiança, hoje movimenta bilhões de dólares e cresce 30% ao ano. A ciência provou que salvar vidas também pode gerar riqueza.
A esperança é real
A ganância pode tentar frear, mas a ciência é um trem em alta velocidade que atropela quem fica na frente. De Emily Whitehead a Vamberto, a prova está aí: doenças que antes eram sentenças de morte estão sendo vencidas. A medicina de precisão, feita sob medida para o seu DNA, não é mais um sonho, é o presente. Cabe a nós nos informarmos, exigirmos transparência e apoiarmos a pesquisa. Afinal, a informação também salva vidas.
Quer se aprofundar nessa história incrível?
Este artigo foi inspirado na análise profunda feita pelo Dr. André Wambier, do canal Cardio DF – que conta com quase 6 milhões de inscritos. No vídeo completo, ele detalha os gráficos, mostra as imagens dos exames e explica com clareza como essas novas tecnologias funcionam no seu corpo.
Aperte o play no vídeo abaixo e confira como o futuro da medicina pode impactar a sua saúde e a da sua família!