Motorista de 58 anos morreu após ser atacado por um enxame de abelhas em uma fazenda em Cáceres, Mato Grosso. Entenda o que aconteceu.
A morte de um trabalhador no interior de Mato Grosso voltou a acender um alerta silencioso, daqueles que mexem com quem vive do campo. Não foi queda de máquina, nem tombamento de caminhão. Foi um ataque de abelhas, ocorrido em plena rotina de trabalho, dentro de uma fazenda em Cáceres. Situação que parece rara, mas que carrega risco real quando não é percebida a tempo.
Quem produz sabe: o serviço não para. Caminhão entra e sai, pasto é cruzado todo dia, máquina trabalha perto de mato, cerca e reserva. No meio disso tudo, há fatores naturais que exigem atenção redobrada. Abelhas fazem parte do ambiente rural e, quando se sentem ameaçadas, reagem rápido.
Impacto no trabalho
O caso envolveu João Alexandrino da Silva Filho, um motorista de 58 anos, funcionário de uma empresa de agropecuária que presta serviço na região. Ele conduzia um caminhão por uma área de pastagem da Fazenda Ressaca quando foi surpreendido por um enxame. O ataque aconteceu de forma repentina, sem dar tempo de reação.
Um colega que operava uma pá carregadeira próximo ao local percebeu a gravidade da situação e acionou o socorro da sede da propriedade. O atendimento foi rápido dentro do que era possível, e a vítima foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento de Cáceres.
Mesmo com o deslocamento imediato, o trabalhador não resistiu às múltiplas picadas e morreu poucas horas depois. O episódio ocorreu na tarde de quinta-feira, dia 22, e está sendo apurado pelas autoridades competentes.
Para quem vive a rotina do agro, é um tipo de notícia que pesa. Não é só um número ou uma estatística. É gente conhecida, com família, com história no campo, que saiu para trabalhar e não voltou.
O que aconteceu
A área onde o caminhão trafegava era de pastagem, ambiente comum para deslocamento interno em propriedades rurais. Muitas vezes, colmeias se instalam em árvores, mourões, barrancos ou estruturas próximas ao chão, sem chamar atenção até o momento em que algo passa muito perto.
O movimento do veículo, o barulho do motor ou até a vibração do solo podem ter provocado a reação do enxame. Abelhas defendem a colmeia de forma agressiva quando percebem ameaça, e ataques costumam ser intensos e rápidos.
O trabalhador atacado não teve tempo de sair do local ou buscar abrigo adequado. Em situações assim, cada segundo conta, principalmente para pessoas que podem ter sensibilidade maior às picadas ou sofrer com grande quantidade delas.
O caso segue sob investigação, o que é praxe em ocorrências de morte no trabalho. A apuração busca esclarecer as circunstâncias e avaliar se havia algum fator que pudesse ter sido identificado antes do acidente.
Quem está no dia a dia da fazenda sabe que segurança no campo vai além de EPI e treinamento de máquina. O ambiente rural é vivo, muda o tempo todo. Insetos, animais e até mudanças climáticas entram nessa conta.
Abelhas, em especial, costumam se instalar em locais de pouca movimentação, mas podem aparecer perto de currais, galpões, cercas e áreas de passagem. Muitas vezes, a colmeia só é percebida depois de um incidente.
Trabalhadores que dirigem caminhões, operam tratores ou máquinas pesadas acabam mais expostos, justamente por circularem por toda a propriedade. O risco aumenta em épocas de calor intenso, quando os insetos ficam mais ativos.
Outro ponto que preocupa é a falta de informação prática. Muita gente ainda não sabe como agir diante de um ataque. Correr sem rumo, tentar enfrentar o enxame ou permanecer no local pode agravar a situação.
Cuidados práticos
Não existe solução simples, mas há medidas que ajudam a reduzir o risco. A primeira delas é a observação constante da área. Funcionários que conhecem bem a fazenda costumam perceber movimentações diferentes, presença de insetos ou barulho característico.
Ao identificar colmeias próximas a locais de passagem, o ideal é isolar a área e comunicar a administração. A retirada deve ser feita por profissionais capacitados, evitando improviso ou tentativa de resolver por conta própria.
Treinamento básico também faz diferença. Orientar a equipe sobre como agir em caso de ataque, para onde correr, como proteger o rosto e quando buscar socorro pode salvar vidas. Em propriedades maiores, esse tipo de conversa precisa fazer parte da rotina.
Por fim, fica o alerta. Segurança no campo não é só papel, placa ou reunião anual. É atenção diária, conversa franca e cuidado com o que parece pequeno. O agro já convive com risco demais para ignorar sinais que a natureza dá.
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Escrito por
Redação
Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.