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Logística no agronegócio e as perdas no transporte de grãos

Redação
14/01/2026 às 10:07
Logística no agronegócio e as perdas no transporte de grãos

Frete caro já aperta a margem; reduzir perda no caminho virou decisão de gestão, não detalhe operacional.

O ponto central da logística de grãos em 2026 é simples e duro: o frete está caro e come margem antes mesmo do caminhão sair da fazenda. Para soja e milho, especialmente em Mato Grosso, o custo de levar a produção até o mercado limita qualquer repasse de alta externa e transforma perda no transporte em dinheiro jogado fora. O desafio imediato para o produtor não é só vender bem, mas entregar sem perder peso, qualidade e valor.

Onde o frete aperta e por que ele define o preço recebido

Os números de frete deixam claro o tamanho do gargalo. Segundo o IMEA, em janeiro de 2026 o transporte de Sorriso-MT até Cuiabá custava R$ 129,42 por tonelada. Para Miritituba, no Arco Norte, o valor sobe para R$ 277,43 por tonelada. Já a rota até Paranaguá chega a R$ 446,09 por tonelada. Na prática, isso significa que a decisão de para onde vender pesa tanto quanto o preço da saca.

Com soja no Paraná negociada a R$ 133,85 por saca e no porto de Paranaguá a R$ 142,14 por saca no início de janeiro de 2026, o produtor do Centro-Oeste sente que o ganho no preço não acompanha o custo do deslocamento. O mesmo vale para o milho, com o físico CEPEA em R$ 69,13 por saca e contratos futuros na B3 para janeiro de 2026 a R$ 68,73 por saca. Frete caro trava a competitividade e aumenta o peso de qualquer perda no caminho.

Perda no transporte não é só grão no chão

Quando se fala em perdas logísticas, muita gente pensa apenas em grãos derramados na estrada. Isso existe, mas o problema é mais amplo. Perda também é desconto por umidade fora do padrão, avaria por mistura de impurezas, quebra técnica por manuseio inadequado e até atraso que faz o produtor perder a janela de melhor preço.

Em um cenário de oferta elevada, como o projetado para a safra 2025/26, com produção recorde de grãos estimada em 354,8 milhões de toneladas no Brasil, a indústria e o exportador ficam mais exigentes. Qualquer desvio vira argumento para desconto. Na prática, o produtor sente isso no bolso quando o romaneio fecha abaixo do esperado.

Clima, safra cheia e logística estressada

A irregularidade das chuvas e as altas temperaturas no Centro-Oeste reduziram a janela da soja e apertaram o calendário do milho segunda safra, responsável por cerca de 80% da oferta nacional. Isso concentra colheita, aumenta a disputa por caminhões e pressiona ainda mais os fretes, como já alertam IMEA e CEPEA.

Com área de milho primeira safra estimada em 22,7 milhões de hectares e produção mundial elevada, o mercado interno fica pressionado. Exportar vira necessidade, mas exportar exige logística afinada. Sem isso, o produtor paga a conta em forma de frete alto e perda operacional.

Câmbio e Chicago ajudam pouco se a logística falha

Mesmo com a soja em Chicago para março cotada a US$ 10,68 por bushel em 12 de janeiro de 2026, a formação de preço no interior não reage na mesma proporção. A combinação de frete elevado e movimentos de câmbio limita o repasse. O que muda a conversa não é só olhar a tela, mas entender quanto da saca fica pelo caminho.

Quando o custo logístico já consome uma fatia grande do valor, qualquer perda adicional vira prejuízo direto. É por isso que logística deixou de ser assunto de pós-colheita e passou a ser parte do planejamento da safra.

Soluções práticas para reduzir perdas no transporte

Não há, neste início de 2026, dados oficiais consolidados sobre novas tecnologias específicas para redução de perdas no transporte, segundo CEPEA, IMEA e Conab. Ainda assim, existem práticas de gestão e operação que fazem diferença no dia a dia.

  • Padronização de carregamento: evitar sobrecarga reduz derramamento e problemas mecânicos durante o trajeto.
  • Conferência de lonas e vedação: simples, mas essencial para evitar perda por vento e chuva.
  • Planejamento de rotas e janelas: escolher horários e destinos com menor fila diminui tempo parado e risco de avaria.
  • Negociação clara de contratos de frete: definir responsabilidades por perdas ajuda a reduzir conflitos e prejuízos.
  • Uso estratégico de armazenagem: segurar o grão na fazenda ou em armazém próximo pode evitar vender no pico do frete.

O ponto é que nenhuma dessas ações resolve o problema estrutural da logística brasileira, mas todas ajudam a proteger a margem do produtor enquanto o caminhão roda.

Decisão de venda passa pela estrada

Com fretes altos e oferta grande, a liquidez existe, mas o custo para acessar o mercado é elevado. O produtor que integra logística na decisão comercial consegue comparar melhor vender no físico, travar preço, usar barter ou esperar uma janela melhor.

Segundo análises do CEPEA, o gargalo logístico segue como um dos principais fatores de pressão sobre os preços internos no início de 2026. Ignorar isso é aceitar margem mais apertada.

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Logística bem feita não cria preço, mas evita perder o que já é do produtor.

Agronews é informação para quem produz.

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