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Preços do leite sob pressão com custos em alta em 2026

Redação
14/01/2026 às 09:05
Preços do leite sob pressão com custos em alta em 2026

Mais oferta, ração cara e margem espremida exigem decisão fina na fazenda.

O mercado de leite entrou em 2026 com sinal amarelo aceso. O preço recebido pelo produtor vem caindo desde o primeiro semestre de 2025, enquanto os custos seguem firmes, especialmente alimentação. O resultado é margem apertada e pouca gordura para erro na gestão. O ponto é que não dá mais para tocar a atividade no automático.

Quanto o produtor está recebendo pelo leite hoje?

Os números do Cepea mostram claramente o tamanho da pressão. Em outubro de 2025, o preço médio nacional do leite ao produtor ficou em R$ 2,30 por litro, valor líquido e ponderado pelo volume captado. Esse patamar é o mais baixo em cerca de dois anos e fecha uma sequência de queda que começou após o pico de R$ 2,75 em março de 2025.

Quando olhamos por estado, os valores pagos em novembro de 2025 reforçam o cenário:

  • Minas Gerais: R$ 2,1875 por litro
  • São Paulo: R$ 2,2340 por litro
  • Paraná: R$ 2,0616 por litro
  • Santa Catarina: R$ 2,0140 por litro
  • Rio Grande do Sul: R$ 2,0653 por litro
  • Goiás: R$ 2,0171 por litro

No Centro-Oeste, o IMEA aponta que, no Norte de Mato Grosso, o leite foi comercializado a R$ 2,19 por litro em 09 de janeiro de 2026. Ou seja, não há sinal de reação consistente no início do ano.

Por que o preço não reage mesmo com consumo travado?

A resposta está do lado da oferta. Segundo o Cepea, a captação de leite no Brasil subiu por sete meses consecutivos até outubro de 2025. Com isso, a projeção para a safra 2025/26 é de crescimento da oferta entre 2% e 2,5% em 2026.

Na prática, mais leite chegando na indústria limita qualquer tentativa de recuperação de preços no curto prazo. Mesmo com consumo doméstico ainda seletivo, o volume disponível mantém o mercado comprador confortável para negociar valores mais baixos.

Custos de produção: onde a margem está sendo comida

Se o preço caiu, o custo não acompanhou. O melhor termômetro disso é o poder de compra do produtor. Em novembro de 2025, no comparativo entre leite spot em Minas Gerais e milho Cepea, 1.000 litros de leite (avaliados em R$ 2,22) compravam apenas 32,67 sacas de milho.

Esse é o menor poder de troca desde o final de 2023 e bem inferior ao observado em novembro de 2024, quando o mesmo volume de leite comprava 40,04 sacas de milho. O produtor sente isso no bolso quando ajusta a dieta, compra ração ou tenta manter o nível produtivo do rebanho.

O boletim Panorama Pecuário 2025/2026 do Cepea reforça que os custos seguem elevados, mesmo sem divulgar valores atualizados. Alimentação continua sendo o principal vilão da margem.

Clima, manejo e oferta mais estável, mas ainda pesada

Do ponto de vista climático, o cenário é de relativa normalidade em boa parte das bacias leiteiras. Isso ajuda a manter produtividade e oferta constantes. O problema é que, com preço baixo, eficiência virou obrigação, não diferencial.

Quem não ajustou manejo, taxa de lotação, descarte de vacas menos produtivas e controle de desperdício entrou em 2026 mais exposto. Com oferta crescendo entre 2% e 2,5%, o mercado não vai absorver leite caro produzido de forma ineficiente.

Câmbio e exportação não ajudam o leite no curto prazo

Diferente de outras commodities, o leite brasileiro tem pouca influência direta do mercado internacional no curto prazo. Não há dados recentes de câmbio ou referências externas que indiquem alívio via exportação neste início de ano.

Na prática, o produtor depende quase totalmente do equilíbrio entre oferta interna e consumo doméstico. Com a indústria bem abastecida, o poder de barganha segue do lado comprador.

O que o produtor pode fazer agora para atravessar 2026?

Não existe bala de prata, mas algumas decisões ajudam a proteger caixa e margem:

  • Revisar dieta e custo por litro: cada centavo economizado na alimentação faz diferença quando o preço não reage.
  • Priorizar eficiência, não volume: produzir mais leite com prejuízo só acelera o problema.
  • Negociar melhor com a indústria: bonificações por qualidade e volume bem planejado ajudam a melhorar o preço médio.
  • Monitorar indicadores do Cepea: captação, poder de compra e preços regionais são sinais antecipados de mudança de mercado.
  • Planejar caixa: 2026 tende a ser um ano de gestão fina, não de apostas.

O que muda a conversa é entender que o ciclo virou. O foco agora é sobreviver com margem curta até que oferta e custos voltem a se ajustar.

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Quem controla custo, fluxo de caixa e eficiência atravessa o ciclo. Quem ignora os números fica refém do mercado.

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