Mais oferta, ração cara e margem espremida exigem decisão fina na fazenda.
O mercado de leite entrou em 2026 com sinal amarelo aceso. O preço recebido pelo produtor vem caindo desde o primeiro semestre de 2025, enquanto os custos seguem firmes, especialmente alimentação. O resultado é margem apertada e pouca gordura para erro na gestão. O ponto é que não dá mais para tocar a atividade no automático.
Quanto o produtor está recebendo pelo leite hoje?
Os números do Cepea mostram claramente o tamanho da pressão. Em outubro de 2025, o preço médio nacional do leite ao produtor ficou em R$ 2,30 por litro, valor líquido e ponderado pelo volume captado. Esse patamar é o mais baixo em cerca de dois anos e fecha uma sequência de queda que começou após o pico de R$ 2,75 em março de 2025.
Quando olhamos por estado, os valores pagos em novembro de 2025 reforçam o cenário:
- Minas Gerais: R$ 2,1875 por litro
- São Paulo: R$ 2,2340 por litro
- Paraná: R$ 2,0616 por litro
- Santa Catarina: R$ 2,0140 por litro
- Rio Grande do Sul: R$ 2,0653 por litro
- Goiás: R$ 2,0171 por litro
No Centro-Oeste, o IMEA aponta que, no Norte de Mato Grosso, o leite foi comercializado a R$ 2,19 por litro em 09 de janeiro de 2026. Ou seja, não há sinal de reação consistente no início do ano.
Por que o preço não reage mesmo com consumo travado?
A resposta está do lado da oferta. Segundo o Cepea, a captação de leite no Brasil subiu por sete meses consecutivos até outubro de 2025. Com isso, a projeção para a safra 2025/26 é de crescimento da oferta entre 2% e 2,5% em 2026.
Na prática, mais leite chegando na indústria limita qualquer tentativa de recuperação de preços no curto prazo. Mesmo com consumo doméstico ainda seletivo, o volume disponível mantém o mercado comprador confortável para negociar valores mais baixos.
Custos de produção: onde a margem está sendo comida
Se o preço caiu, o custo não acompanhou. O melhor termômetro disso é o poder de compra do produtor. Em novembro de 2025, no comparativo entre leite spot em Minas Gerais e milho Cepea, 1.000 litros de leite (avaliados em R$ 2,22) compravam apenas 32,67 sacas de milho.
Esse é o menor poder de troca desde o final de 2023 e bem inferior ao observado em novembro de 2024, quando o mesmo volume de leite comprava 40,04 sacas de milho. O produtor sente isso no bolso quando ajusta a dieta, compra ração ou tenta manter o nível produtivo do rebanho.
O boletim Panorama Pecuário 2025/2026 do Cepea reforça que os custos seguem elevados, mesmo sem divulgar valores atualizados. Alimentação continua sendo o principal vilão da margem.




