Sem novas regras oficiais, o mercado reage ao risco sanitário e à dependência das exportações.
O mercado de frango exportado entra neste início de ano com um movimento claro: preços mais pressionados no mercado interno e exportações que, apesar do recorde recente, mostram sinais de ajuste. O desafio imediato para quem produz e integra é lidar com a dependência cada vez maior do mercado externo, num ambiente em que o risco sanitário continua sendo o principal gatilho de volatilidade.
O que realmente mudou na regulação sanitária do frango?
O ponto é que não há registro, até agora, de novas mudanças específicas na regulação sanitária internacional que tenham entrado em vigor em 2026 afetando diretamente o frango brasileiro. As fontes oficiais acompanhadas pelo mercado, com destaque para os dados do Cepea, não apontam alterações recentes em protocolos, exigências ou barreiras formais.
Isso não significa tranquilidade total. Na prática, o mercado opera sob um alerta permanente. A experiência de 2025, com episódios de gripe aviária em outros países e monitoramento reforçado, mostrou que basta um evento sanitário para compradores suspenderem embarques, mesmo sem mudança formal na regra escrita.
Contexto de preços e exportações que molda o mercado
Os números consolidados de 2025 ajudam a entender por que qualquer ruído sanitário mexe tanto com o preço. O Brasil exportou 5,32 milhões de toneladas de carne de frango no ano, um recorde histórico, com crescimento de 0,6% frente a 2024. A receita também foi recorde, somando R$ 54,7 bilhões, avanço de 1,8% no mesmo comparativo, segundo Cepea e Secex, com divulgação em janeiro de 2026.
Dezembro de 2025 foi especialmente forte, com 510,8 mil toneladas embarcadas, o segundo maior volume da série histórica desde 1997. Esse ritmo elevado ajudou a escoar produção e sustentou preços ao longo do ano.
Já em janeiro de 2026, os dados parciais indicam queda nos embarques, o que rapidamente se refletiu no mercado doméstico. O frango congelado negociado em São Paulo registrou desvalorização relevante, inclusive com quedas diárias observadas em 9 de janeiro. No Mato Grosso, o frango resfriado também mostrou retração semanal.
Custos e margens sob pressão constante
Quando a exportação desacelera, mesmo que temporariamente, o impacto no bolso do produtor é direto. Mais produto fica no mercado interno, a indústria perde poder de barganha e o preço cede. Com margens já apertadas, qualquer centavo a menos no quilo pesa no fluxo de caixa.
O Cepea projeta crescimento da produção e das exportações em 2026. Isso significa maior oferta e, ao mesmo tempo, maior dependência do mercado externo para equilibrar preços. Na prática, o sistema fica mais sensível a qualquer restrição sanitária, mesmo que informal ou temporária.
O produtor sente isso no bolso quando a integração alonga escalas, posterga alojamentos ou revisa volumes contratados. Não é uma decisão sanitária, mas uma reação econômica ao risco.
Clima sanitário e oferta global: onde está o risco
O risco sanitário persistente continua sendo o principal fator de atenção. Episódios de gripe aviária em 2025 reforçaram a postura cautelosa de importadores. Mesmo sem mudança oficial de regra, países compradores podem:




