Clima aperta a oferta, mas estoque e logística ainda seguram o mercado.
O milho começou 2026 andando de lado, mas com o produtor de olho no céu. O mercado até agora reflete uma oferta grande, estoques de passagem confortáveis e preços pressionados. Só que o clima no Centro-Oeste já começa a mudar a conversa, principalmente quando se fala de milho safrinha. O desafio imediato para quem está da porteira para dentro é decidir se espera uma reação de preço ou se protege margem agora, mesmo com valores que não empolgam.
Onde estão os preços do milho neste início de ano
Os números do Indicador CEPEA/ESALQ mostram bem esse momento de mercado físico mais pesado. Em 12/01/2026, o milho foi cotado a R$ 68,84 por saca de 60 kg, com queda diária de 0,26% e recuo de 0,95% na semana. Nos primeiros dias de janeiro, os valores oscilaram pouco, passando por R$ 69,38/sc em 05/01 e R$ 69,13/sc em 06/01.
Na B3, o mercado futuro também reflete cautela. O contrato março/2026 é negociado a R$ 72,89/sc, enquanto o janeiro/2026 aparece a R$ 68,73/sc. O ponto é que esses preços ainda carregam a expectativa de uma oferta ampla, principalmente da segunda safra, que responde por cerca de 80% da produção nacional.
Segundo análises do Cepea, a pressão baixista vem da oferta interna elevada e de estoques de passagem acima da safra anterior. Na prática, isso limita altas mais consistentes no curto prazo, mesmo com ruídos climáticos.
Quebra de safra existe ou ainda é risco?
Por enquanto, o mercado trabalha mais com risco de quebra do que com perda consolidada. A área total de milho é recorde, com 22,7 milhões de hectares, segundo a Conab, e a produção total projetada é a segunda maior da história. O problema não é área, é produtividade.
A irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas no Centro-Oeste já afetaram a soja de primeira safra. Isso empurra a colheita para frente e encurta a janela de plantio do milho safrinha. Quando o milho entra fora do período ideal, o risco climático aumenta, especialmente para quem depende de chuva bem distribuída entre abril e maio.
O Cepea destaca que a seca no Centro-Oeste começa a pressionar os preços aos poucos. Não é um salto imediato, mas muda a percepção de oferta lá na frente. O mercado deixa de olhar só o tamanho da safra e passa a precificar o risco.
Custo de produção e margem seguem no radar
Mesmo que o preço reaja com uma eventual quebra, o produtor sente no bolso quando o custo não fecha. O milho já parte de um preço absoluto menor que a soja, o que deixa a margem mais sensível a qualquer aumento de despesa.
O frete é hoje um dos principais vilões, especialmente em Mato Grosso. Dados do IMEA e do Cepea mostram que o frete elevado consome boa parte dos ganhos, principalmente quando a paridade de exportação é baixa. Isso explica por que, em algumas regiões, mesmo com Chicago firme, o preço local não reage.
Na prática, a conta é simples: se a quebra vier, ela ajuda o preço, mas não resolve tudo se o custo logístico continuar alto e a venda tiver que ser feita em momentos de pico de oferta.




