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Granizo em SC obriga uso de tecnologias para reduzir prejuízos no campo

Publicado: 18/01/2026
Granizo em SC obriga uso de tecnologias para reduzir prejuízos no campo

Santa Catarina busca reduzir os milhões em prejuízos causados pelo granizo com sistemas de semeadura de nuvens e canhões sônicos. Entenda como funcionam e os investimentos previstos.

Quando o granizo cai pesado, não escolhe talhão nem respeita calendário. Em poucos minutos, o que levou anos para formar vira prejuízo na planilha. Em Santa Catarina, essa conta ficou alta no fim de 2025: mais de R$ 322 milhões em perdas no campo por causa das pedras de gelo. Maçã, uva e cebola sentiram forte, especialmente na Serra, no Meio-Oeste e no Alto Vale. É dinheiro que some rápido e demora a voltar.

Diante desse cenário, o governo catarinense decidiu ir além do discurso e apostar em tecnologia para tentar reduzir o estrago. Não é solução milagrosa, mas é uma tentativa concreta de diminuir o tamanho do problema antes que ele bata no chão. Desde 2024, o Estado vem colocando de pé sistemas antigranizo em regiões mais castigadas, olhando principalmente para áreas de produção intensiva e agricultura familiar.

Prejuízo no bolso

Para quem vive da lavoura, o impacto do granizo vai além da colheita perdida. Tem quebra de contrato, custo extra com replantio, financiamento que fica mais apertado e renda que não fecha no fim do mês. No caso da maçã, por exemplo, um pomar leva anos até entrar em plena produção. Uma tempestade fora de hora pode comprometer várias safras.

Na uva e na cebola, o problema é parecido. A lavoura até pode rebrotar, mas a qualidade cai, o preço recebido aperta e, muitas vezes, o produtor acaba vendendo abaixo do esperado. Por isso, qualquer ação que reduza o tamanho da pedra ou a intensidade do evento já faz diferença prática no resultado final.

É nesse ponto que entram os investimentos públicos. Não para eliminar o risco, porque isso ninguém promete, mas para reduzir a frequência de perdas grandes e dar mais previsibilidade a quem produz.

Tecnologia antigranizo

Hoje, Santa Catarina trabalha com dois tipos principais de sistemas antigranizo. O mais difundido é a semeadura de nuvens com iodeto de prata. O outro, ainda em fase de teste, são os chamados canhões sônicos. Cada um tem sua lógica, seu custo e sua área de aplicação.

A semeadura de nuvens funciona de forma contínua durante a formação das tempestades. O sistema libera pequenas quantidades de iodeto de prata na atmosfera, estimulando a formação de vários núcleos de gelo. Com isso, as pedras tendem a ficar menores e, ao cair, causam menos dano às plantas.

Já os canhões sônicos atuam a partir do solo, emitindo ondas de alta intensidade em direção às nuvens. A ideia é desorganizar a formação do granizo antes que ele ganhe tamanho. É uma tecnologia mais conhecida em áreas urbanas, onde proteger estruturas e telhados também entra na conta.

Aperte o play no vídeo abaixo e confira esse review completo, feito pelo jovem Miguel Brezolin. Esse sistema é bem interessante mesmo.

Iodeto de prata

O método com iodeto de prata é o escolhido pelo governo catarinense para a maior parte das áreas atendidas. O motivo é simples: custo-benefício. Cada equipamento libera cerca de 8,6 gramas de iodeto de prata por hora, com alcance aproximado de 5 quilômetros. Não é uma quantidade grande, mas suficiente para alterar a dinâmica dentro da nuvem.

Atualmente, os sistemas estão instalados em 13 municípios. A previsão oficial é ampliar para mais 12 cidades em 2026, priorizando regiões com histórico recorrente de granizo e alto valor agregado na produção.

Sobre o impacto ambiental, estudos técnicos apontam que as quantidades usadas não trazem riscos significativos. Mesmo assim, o monitoramento contínuo ainda é um ponto que precisa avançar, até para dar mais segurança à sociedade e aos próprios produtores que convivem com os equipamentos.

Canhões em teste

Os canhões sônicos ainda são novidade no Estado. Um dos testes ocorre em Chapecó, com foco maior na proteção urbana. O equipamento gera ondas sonoras de alta intensidade, que sobem em direção às nuvens durante a formação do granizo.

Na prática, é uma tecnologia mais cara e com impacto sonoro considerável. Por isso, seu uso no meio rural ainda é visto com cautela. Para grandes áreas agrícolas, o alcance limitado e o custo por hectare acabam pesando contra. Mesmo assim, os testes seguem para avaliar se há aplicações específicas onde o sistema possa ser útil.

O entendimento técnico hoje é que os canhões podem complementar a proteção em pontos estratégicos, mas dificilmente substituirão a semeadura de nuvens nas áreas de produção espalhadas pelo interior.

Apoio ao produtor

Tecnologia ajuda, mas quando o prejuízo já aconteceu, o produtor precisa de fôlego financeiro para seguir em frente. Nesse ponto, o Estado mantém algumas linhas de crédito emergenciais. Entre elas estão o Reconstrói SC e o Pronampe Agro SC Emergencial, pensados para dar capital de giro e permitir a recuperação das áreas atingidas.

Há também programas específicos voltados para culturas mais sensíveis, como a maçã, que exigem investimentos altos e têm ciclo longo. A ideia é evitar que uma sequência de eventos climáticos extremos tire o produtor da atividade.

No campo, ninguém espera controle total do clima. O que se busca é reduzir risco, ganhar tempo e ter condições de atravessar os anos ruins sem quebrar. A aposta de Santa Catarina em tecnologia antigranizo vai nessa direção. Não resolve tudo, mas mostra que o problema está sendo tratado como prioridade.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.