Atualizando...

Impacto cósmico no Brasil formou VIDRO ALIENÍGENA e pode ser encontrado nessa região

Publicado: 18/01/2026
Impacto cósmico no Brasil formou VIDRO ALIENÍGENA e pode ser encontrado nessa região

Fragmentos de vidro natural revelam um impacto cósmico colossal no Brasil há milhões de anos, alterando o mapa de eventos similares na América do Sul. Saiba mais!

Para o produtor rural, isso não muda a rotina da lavoura ou da pecuária amanhã cedo. Mas amplia a compreensão sobre a origem dos solos, das rochas e da própria história da terra onde se planta e se cria. Entender o passado profundo ajuda a valorizar o território e a reforçar a importância da pesquisa científica feita aqui.

O termo “vidro alienígena” é uma forma popular e instigante de descrever as tectitas ou impactitos. Cientificamente, trata-se de um vidro natural formado quando a energia extrema do impacto de um meteorito derrete instantaneamente o solo e as rochas terrestres, lançando-os na atmosfera onde se resfriam rapidamente. Embora a “matéria-prima” seja da Terra, a denominação destaca que sua origem e características únicas são fruto de um evento externo ao planeta, diferenciando-o de qualquer vidro vulcânico comum. Entenda tudo isso e veja quais as regiões do Brasil com maior incidência.

Solo guarda marcas antigas

Em áreas do norte de Minas Gerais, pesquisadores identificaram pequenos fragmentos de vidro natural espalhados no solo. À primeira vista, poderiam passar por pedras comuns. Mas análises detalhadas mostraram que esses materiais se formaram sob calor extremo, algo muito além de processos vulcânicos normais.

Esses fragmentos surgem quando um corpo vindo do espaço atinge a superfície terrestre com energia suficiente para derreter a rocha local. O material fundido é lançado para cima, resfria rapidamente no ar e cai novamente em forma de vidro. É um processo raro e violento, que deixa uma assinatura química e física bem definida.

No Brasil, esse conjunto de fragmentos recebeu o nome de geraisitos, uma referência direta à região onde as primeiras amostras foram encontradas. Eles não aparecem concentrados em um ponto só, mas espalhados por uma grande faixa do território, o que indica um evento de grande escala.

O que são geraisitos

Os geraisitos são classificados como tectitos, um tipo específico de vidro natural ligado a impactos extraterrestres. Antes dessa identificação em solo brasileiro, apenas cinco grandes campos de tectitos eram reconhecidos no mundo, distribuídos em outras regiões do planeta. A descoberta colocou a América do Sul nessa lista restrita.

Mais de 600 fragmentos já foram coletados pelos pesquisadores. O tamanho varia bastante: alguns pesam menos de um grama, outros chegam a cerca de 85 gramas, com até cinco centímetros. Muitos têm formas aerodinâmicas, resultado da passagem em alta velocidade pela atmosfera ainda em estado líquido.

Na aparência externa, são escuros e opacos. Quando submetidos a luz intensa, revelam coloração verde-acinzentada e certa transparência. Pequenas cavidades indicam a saída de gases durante o resfriamento rápido, outro sinal típico de formação por impacto de alta energia.

Pista química decisiva

A confirmação da origem cósmica não veio só da forma ou da aparência. O ponto-chave esteve na composição química. Os geraisitos apresentam teor de água extremamente baixo, entre 71 e 107 partes por milhão. Em vidros vulcânicos comuns, esse valor costuma ser muito mais alto.

Esse detalhe faz toda a diferença. O calor gerado por um impacto extraterrestre é suficiente para eliminar quase toda a umidade do material fundido. É um padrão conhecido em tectitos de outras partes do mundo e que se repetiu nas amostras brasileiras.

As análises isotópicas também mostraram que a rocha original derretida pelo impacto pertence a uma crosta continental muito antiga, com idade estimada entre 3 e 3,3 bilhões de anos. Isso aponta para o cráton do São Francisco, uma das estruturas geológicas mais antigas e estáveis do país.

Área maior que imaginado

No começo, os fragmentos foram localizados em municípios como Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso, todos no norte mineiro. Com o avanço das pesquisas, surgiram evidências de que o campo de geraisitos é bem mais amplo.

Hoje, os cientistas trabalham com a hipótese de que essa faixa se estende por partes da Bahia e do Piauí, cobrindo mais de 900 quilômetros. É uma área extensa, o que reforça a ideia de um evento explosivo de grande magnitude.

Apesar disso, a cratera do impacto ainda não foi identificada. O tempo joga contra. Milhões de anos de erosão, deposição de sedimentos e movimentos tectônicos podem ter apagado ou escondido essa marca. Levantamentos aerogeofísicos futuros podem ajudar a localizar anomalias circulares no subsolo.

Ciência e campo juntos

Para quem trabalha com a terra todos os dias, essa descoberta não é só curiosidade acadêmica. Ela ajuda a combater desinformação sobre asteroides e riscos reais de impactos. Eventos dessa magnitude eram mais comuns no início da história do Sistema Solar. Hoje, são raros.

O caso dos geraisitos mostra a importância de confiar em evidências bem coletadas e analisadas. Também valoriza a pesquisa nacional, feita por universidades brasileiras, com trabalho de campo pesado, análise de laboratório e cooperação entre especialistas.

No fim das contas, o produtor segue plantando, colhendo e criando. Mas passa a saber que, muito antes da primeira cerca ou da primeira roça, aquela terra já enfrentou forças vindas do espaço. Conhecer essa história aprofunda o respeito pelo chão que sustenta a produção e pela ciência que ajuda a entendê-lo.

Agronews é informação para quem produz

ciência curiosidades

Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.