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Brasil detém 98% das reservas mundias desse metal e reinventa bateria

Publicado: 18/01/2026
Brasil detém 98% das reservas mundias desse metal e reinventa bateria

USP desenvolve bateria funcional e recarregável, com potencial para revolucionar o armazenamento de energia e impulsionar a indústria nacional.

Nióbio: A nova fonte de energia

A novidade não é sobre encontrar nióbio – o Brasil já detém cerca de 98% das reservas mundiais e produz 90% do metal usado globalmente. O ponto crucial é que a USP conseguiu desenvolver uma bateria funcional e recarregável, com 3 volts, que opera fora do laboratório e já está em fase de testes industriais. Isso significa que a tecnologia pode sair do papel e chegar ao mercado.

O grande desafio com o nióbio sempre foi sua degradação em ambientes eletroquímicos. Imagine tentar usar um metal que se desfaz a cada carga e descarga. A equipe liderada pelo professor Frank Crespilho encontrou uma solução inspirada na natureza, nos processos biológicos que protegem as enzimas do corpo humano. Eles criaram um sistema de proteção inteligente, chamado NB-RAM, que permite ao nióbio mudar seus estados eletrônicos sem se deteriorar.

O principal desafio para a criação de uma bateria de nióbio sempre foi a degradação do metal em ambientes eletroquímicos convencionais, especialmente na presença de água e oxigênio. Esse obstáculo foi superado pelo professor Frank Crespilho, que descobriu como controlar o ambiente químico de modo a estabilizar o nióbio durante o funcionamento da bateria.

Eu já sabia que a natureza resolvia esse problema há bilhões de anos”, destaca Crespilho.

Segundo o Instituto de Física de São Carlos da USP, essa linha de pesquisa começou há cerca de dez anos e é desenvolvida por Crespilho no Instituto de Química de São Carlos (IQSC/USP). Ele lidera o Grupo de Bioeletroquímica e Interfaces da USP e também é pesquisador do Instituto Nacional de Eletrônica Orgânica e Sustentabilidade (INCT), sediado no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

A tecnologia já foi patenteada e passou por testes rigorosos em formatos de bateria comuns, como as células tipo _coin_ e _pouch_. Os resultados mostraram estabilidade e um bom número de ciclos de carga e descarga, colocando a bateria de nióbio no mesmo nível das opções comerciais disponíveis hoje. A tensão de 3 volts é um indicativo de que ela pode substituir as baterias existentes em diversos aparelhos.

“Em sistemas biológicos, como enzimas e metaloproteínas, metais altamente reativos mudam de estado eletrônico o tempo todo sem se degradar, porque operam dentro de ambientes químicos muito bem controlados”.

Interesse Internacional

A inovação não passou despercebida. Empresas chinesas já demonstraram interesse na tecnologia brasileira. Isso acende um alerta: o Brasil precisa agir rápido para aproveitar o potencial do nióbio e não apenas continuar vendendo a matéria-prima. A oportunidade é de virar um polo de desenvolvimento de tecnologia crítica para a transição energética.

Para garantir que o Brasil realmente lidere esse futuro, pesquisadores defendem a criação de um centro de inovação dedicado ao nióbio. Esse centro seria responsável por escalar a produção da bateria, atrair investimentos e formar profissionais especializados. É um passo fundamental para transformar a abundância de nióbio em riqueza e independência tecnológica.

A bateria de nióbio representa uma chance de ouro para o Brasil. Uma alternativa para diversificar a economia, gerar empregos e se posicionar como um player importante no mercado global de energia. O desafio agora é transformar a pesquisa em realidade, com planejamento, investimento e, principalmente, a união de esforços entre universidades, empresas e governo.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.