Onda de frio impactará resultados do campo, de acordo com a reunião da Câmara Setorial do Trigo, realizada ontem 29/07
A forte onda de frio que atingiu o país poderá refletir diretamente na produção de trigo em São Paulo. Essa foi a conclusão da reunião da Câmara Setorial do estado, realizada na manhã do último dia 29 de julho, em formato híbrido, no auditório da Cooperativa de Capão Bonito, em Capão Bonito (SP).
Segundo os relatos dos representantes das cooperativas presentes no evento, os produtores de trigo paulistas esperavam resultados muito positivos quanto à produção do cereal neste ano, mas que podem ser prejudicados pelas intensas geadas que atingiram os campos, desde o início do mês de julho.
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“Nossas previsões no começo do plantio eram de que a safra em São Paulo passaria da casa das 400 mil toneladas, indicando um recorde de produção nunca alcançado pelo estado. Mas as geadas que atingiram as regiões produtoras podem provocar uma redução considerável nesse volume”, afirmou o presidente da Câmara Setorial, Victor Oliveira.
Para o trader da Gavilon, Vitor Cabral, as geadas devem impactar não apenas a produção paulista, mas também a nacional. “Infelizmente vamos verificar uma perda relevante, que será constatada nos próximos 30 dias. Sem dúvida temos pela frente muitos desafios, pois começamos o ano com uma expectativa de safra muito grande, mas que pelas condições climáticas vai precisar sofrer alguns ajustes e nos obrigará a buscar um pouco mais de importação”.
“As reuniões da Câmara Setorial de trigo são sempre muito ricas em qualidade, das pessoas e das informações, e a de hoje não foi diferente. Infelizmente o momento não é de boas notícias para o setor do estado, devido ao frio intenso e as consequências que ele traz para as plantações”, destacou o coordenador das Câmaras Setoriais e assessor técnico de gabinete da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Alberto Amorim.
Ração animal e o trigo
Outra cultura afetada pelas geadas foi o milho, que também foi impactado, principalmente, no Paraná. Esse cenário vai acarretar na redução da oferta desse grão para a ração animal, em aproximadamente 20 mi toneladas.
Nesse cenário, o trigo passa a ser uma alternativa viável e interessante para substituir o milho na ração animal. “O milho está pressionado mundialmente, em termos de oferta e demanda e o trigo é um substituto natural. Temos assistido alguns países fazendo esse movimento de substituição, na ração animal e, no Brasil, esse processo não vai ser diferente”, explicou Cabral.
Com esse contexto, o presidente da Câmara ressalta que, para o moinhos brasileiros o mercado fica ainda mais difícil. “O efeito no trigo desses cenários, principalmente para moagem, é direto. Temos encontrado muita dificuldade em absorver o custo e repassar para o mercado. Com a redução da oferta do trigo nacional para moagem, teremos que buscar mais matéria-prima no exterior”.





