Soja, carne bovina, frango e algodao crescem juntos em um raro movimento sincronizado. A logistica aguenta o tranco com a VLI registrando o maior volume da historia. O cafe, porem, nao embarca na onda. E na ponta do lapis, o recorde de volume nao significa necessariamente preco melhor.
Sincronia positiva com soja, carnes e algodao em alta
Soja mantem ritmo forte apos recorde em abril
A soja brasileira segue embalada. Em maio, a media diaria de exportacao atingiu 758,8 mil toneladas, um avanco de 13% sobre o mesmo mes de 2025, quando ficou em 671,4 mil toneladas. O acumulado parcial do mes ja soma 11,38 milhoes de toneladas.
O numero impressiona ainda mais quando lembramos que abril ja tinha sido um mes historico para o setor. Foram 16,75 milhoes de toneladas embarcadas, o maior volume mensal ja registrado. A safra recorde e a demanda chinesa aquecida explicam o desempenho.
A terra deu resposta mais uma vez. E o produtor rural colhe os frutos de um planejamento que vem de antes do plantio.
Carnes disparam com demanda aquecida
A carne bovina tambem vive um momento de ouro. A media diaria de exportacao subiu 30,7%, alcançando 13.565 toneladas por dia. Se o ritmo se mantiver, o mes pode ultrapassar 200 mil toneladas embarcadas, um feito e tanto para a pecuaria nacional.
Ja a carne de frango avanca ainda mais forte. Com alta de 35% na media diaria, o setor embarca 23.168 toneladas por dia e se aproxima das 350 mil toneladas no acumulado de maio. A proteina brasileira segue conquistando mercados no Oriente Medio e na Asia.
E o que isso significa na pratica?
O Brasil consolida sua posicao como maior exportador mundial de proteinas animais. E quem produz carne no pais sabe que nao e por acaso. Sao anos de investimento em sanidade, genetica e logistica.
Algodao salta quase 70%
O algodao foi a surpresa positiva do mes. As exportacoes dispararam 67,8%, com media diaria de 15.356 toneladas. A fibra brasileira ganha cada vez mais espaco no mercado internacional, impulsionada pela qualidade e pela credibilidade conquistada junto aos compradores estrangeiros.
O desempenho reflete a boa safra e a capacidade de atender a demanda de paises como China, Vietnam e Bangladesh. O setor cotonicola brasileiro vive um de seus melhores momentos.
Logistica ferroviaria brasileira registrou recorde em 2026 com a VLI transportando 2,96 milhoes de toneladas de graos
O contraponto do cafe. Escoamento no limite
Cafe estavel contrasta com euforia geral
Enquanto os demais setores comemoram altas expressivas, o cafe verde segue estavel. As exportacoes registraram media diaria de 8.080 toneladas, praticamente o mesmo numero de maio de 2025, que foi de 8.106 toneladas. Nada de euforia por enquanto.
O mercado cafeeiro enfrenta um ano de vaca magra em termos de precos internacionais. A oferta global ainda e farta, e isso segura o ritmo dos embarques brasileiros. Mesmo assim, o volume se mantem consistente.
VLI bate recorde e mostra forca da infraestrutura
Por tras desse movimento recorde de exportacoes, a logistica precisa funcionar. E funcionou. A VLI registrou em abril o maior volume da sua historia, com 2,96 milhoes de toneladas movimentadas, um crescimento de 3,5% sobre o mesmo periodo do ano anterior. Esse numero expressivo so foi possivel gracas a integracao entre tres corredores logisticos estrategicos que conectam o centro-oeste produtor aos portos de Santos, Vitoria e Sao Luis, passando por ferrovias como a Ferrovia Centro-Atlantica e a Norte-Sul.
No acumulado de 2025, a empresa ja movimentou 23 milhoes de toneladas, 16% a mais que em 2024. So nos portos, o volume chegou a 15,4 milhoes de toneladas, uma alta de 14%.
Gabriel Fonseca, gerente-geral de graos da VLI, destacou que o novo recorde e resultado da melhoria continua da performance e da expansao do modelo de atendimento. De fato, sem investimento em ferrovias e terminais, o escoamento da safra simplesmente nao aconteceria.
Os dados sao da Secretaria de Comercio Exterior, a Secex. Eles mostram um setor que nao para de crescer, mesmo diante dos desafios. A colheita abencoada de 2026 ja entra para a historia como um marco de eficiencia e competitividade.