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Dólar sustenta prêmios de soja no maior patamar do mês. Será que vale a pena segurar?

Redação
28/05/2026 às 08:06
Soja sendo embarcada em navio no porto brasileiro com prêmios de exportação em alta

Enquanto Chicago amarga queda livre com o plantio recorde nos Estados Unidos, o produtor de Mato Grosso acorda com prêmio na mão e uma pergunta na cabeça. É hora de vender ou esperar mais um pouco?

O dólar firme sustentou os prêmios de exportação da soja brasileira no maior patamar do mês. Dados oficiais do IMEA mostram que a média estadual da soja disponível subiu para R$ 104,32 por saca, uma alta de 0,50% no comparativo diário. Em Rondonópolis, o negócio fecha a R$ 113,00, o maior valor entre as praças de MT.

A paridade de exportação, calculada pelo pessoal do IMEA na última segunda, fechou em R$ 112,22 de média no estado. Rondonópolis, mais perto do Porto de Santos, alcançou R$ 122,10. Isso quer dizer que, apesar do frete pesado. A rota Sorriso-Santos está em R$ 507,01 por tonelada, a conta ainda fecha com folga para quem consegue escoar.

Lavoura de soja em Mato Grosso com produtor avaliando momento de venda
Lavoura de soja madura em Mato Grosso com silos ao fundo

Lá no Porto de Paranaguá, o Cepea/Esalq aponta a saca a R$ 129,89. No interior do Paraná, R$ 124,27. O spread entre a base de MT e o porto reflete o custo logístico e o risco de carregamento, mas ninguém está reclamando. A margem do exportador continua positiva.

Praça (MT e PR)Preço disponível (R$/sc)Variação diária
Rondonópolis (MT)113,00estável
Alto Garças (MT)112,50estável
Alto Araguaia (MT)112,10estável
Primavera do Leste (MT)111,70estável
Campo Verde (MT)111,20estável
Nova Mutum (MT)104,80estável
Lucas do Rio Verde (MT)104,40estável
Sorriso (MT)104,00estável
Sinop (MT)103,60estável
Sapezal (MT)102,70estável
Diamantino (MT)102,20estável
Tangará da Serra (MT)101,70estável
Alta Floresta (MT)102,00estável
Média Mato Grosso (IMEA)104,32+0,50%
Paranaguá Port (Cepea)129,89estável
Interior Paraná (Cepea)124,27estável
Referencia IMEA (27/05/2026) e Cepea/Esalq (dados diarios 27/05/2026)

Prêmio em alta e Chicago em baixa. O cabo de guerra do produtor

Mas nem tudo são flores. Do outro lado do balcão, Chicago não ajuda.

O plantio da soja nos EUA disparou. 79% das áreas já estão semeadas, bem acima da média histórica de 68% para esta época, segundo o USDA. Combinado com as projeções de um El Niño moderado que pode favorecer a produtividade americana, o resultado é pressão de baixa nas cotações futuras da CME Group. A saca nova já opera abaixo dos US$ 10,00, o que assusta qualquer um que olhe o mercado com olho de médio prazo.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reduziu a projeção de embarques de soja do Brasil em maio para 15,87 milhões de toneladas. O recado é claro. O produtor brasileiro não está topando negociar nos patamares que Chicago insiste em pagar.

Na ponta do lápis, segurar ou vender?

Aqui entra o grande dilema de quem está sentado em cima de uma safra que custou caro para produzir.

A safra 2026/27 saiu, em média, 5,7 sacas por hectare mais cara que a média dos últimos sete anos. Segurar a mercadoria no armazém pode dar um alívio no curto prazo, principalmente com o dólar firme. Mas se a moeda americana perder força, a margem que parece boa hoje vira aperto amanhã.

A recente decisão da Índia de cancelar contratos de farelo de soja jogou mais lenha na fogueira da incerteza. Enquanto isso, as tarifas que o México impôs sobre grãos americanos podem acabar redirecionando fluxos comerciais, e o Brasil pode sair ganhando como fornecedor alternativo.

No mercado de capitais, o Fiagro SNAG11 aparece como alternativa para quem quer se expor ao câmbio sem comprar dólar na ponta. Fundos e traders têm usado derivativos cambiais para travar a rentabilidade, transformando a volatilidade do real em oportunidade sem assumir o risco direto da commodity na Bolsa.

No fim das contas, a decisão depende do perfil de cada um e da necessidade de caixa. Para quem tem soja disponível, vender nos picos dos prêmios pode ser mais inteligente que esperar uma recuperação de Chicago que pode não vir. Para a safra nova, travar o câmbio e parte do prêmio via operações estruturadas é o que os analistas recomendam.

Uma coisa é certa. Com informação de qualidade na mão, o produtor consegue dormir tranquilo sabendo que fez a escolha certa.

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