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Gasolina mais cara acende alerta no custo da safra e na logística rural

Redação
28/05/2026 às 14:29
Reajuste da gasolina pela Petrobras impacta custos do agronegocio brasileiro

A Petrobras reajustou a gasolina A em R$ 0,48 por litro nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026. O aumento efetivo para as distribuidoras fica em R$ 0,04 por litro após subsídio federal de R$ 0,44, medida provisória assinada pelo presidente Lula no dia 25. Na bomba, com a mistura de etanol, o impacto ao consumidor deve ser de até R$ 0,03 por litro. No campo, porém, o custo vai além do posto e atinge o frete, os fertilizantes e as máquinas no momento da colheita.

Reajuste chega em meio à disparada do petróleo

Trator em lavoura com alta do diesel agricola e custo de producao
O reajuste da gasolina pressiona o custo do diesel agrícola e o transporte da safra no campo

O cenário internacional acendeu o sinal de alerta na Petrobras.

O barril do Brent saltou de US$ 72,48 no dia 28 de fevereiro para algo entre US$ 94 e US$ 98 no fim de maio. A alta de 30% a 36% reflete diretamente o agravamento do conflito no Oriente Médio, com o bloqueio no Estreito de Ormuz e a guerra entre EUA e Irã que já dura três meses.

Foi o primeiro reajuste da gasolina desde agosto de 2024. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já havia sinalizado a necessidade de correção no dia 12 de maio.

A Abicom, Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, apontava uma defasagem de 55% na semana anterior. O preço da gasolina nacional estava cerca de R$ 1,15 por litro abaixo da paridade internacional.

Nas bombas, o consumidor já sentia o aperto.

Dados da ANP mostram que a gasolina acumula alta de 5,4% desde o início do conflito. O preço médio subiu de R$ 6,28 para R$ 6,62 por litro. O reajuste anunciado agora deve pressionar ainda mais o bolso do brasileiro.

O impacto no bolso do produtor rural

Pois é. No campo, a conta chega antes do posto.

O diesel agrícola move tratores, colheitadeiras e caminhões no momento mais crítico da safra. Com o reajuste da gasolina, o preço do diesel tende a acompanhar a curva. Afinal, ambos derivam do petróleo e a lógica de paridade internacional não distingue o tipo de combustível na hora de repassar custos.

O frete é outro nó que aperta. O escoamento da safra depende de caminhões que rodam a diesel. Só que o custo do transporte responde rapidamente a qualquer variação nos combustíveis.

Na ponta do lápis, cada centavo no diesel representa milhares de reais a mais na logística. Quem precisa levar grãos, carnes e insumos de um lado para o outro do país sente o peso no orçamento.

Os fertilizantes também entram na conta.

Grande parte dos adubos e defensivos agrícolas tem origem no petróleo ou depende de seus derivados na fabricação. Quando a gasolina sobe e o petróleo dispara, o preço dos insumos acompanha. O produtor que está preparando a terra para a próxima safra já enxerga o aperto no orçamento.

Agora, o ponto mais sensível é o momento da colheita. Máquinas pesadas funcionam praticamente sem parar nesta época do ano. O gasto com diesel agrícola dispara e qualquer aumento no combustível reduz a margem do produtor.

A verdade é que muitos produtores já fecharam contratos de venda da safra antes do reajuste. Isso significa que não podem simplesmente repassar o custo extra para o comprador. A margem, que já vinha apertada com a alta dos insumos, sofre mais um golpe.

Detalhe que não passa despercebido no campo. O subsídio federal de R$ 0,44 por litro foi criado por medida provisória no dia 25 de maio. Ele foi desenhado para aliviar o preço na bomba para o consumidor urbano. Mas o diesel agrícola, usado largamente no setor produtivo, fica de fora do benefício?

A MP prevê o pagamento do subsídio via ANP para produtores e importadores de gasolina. Não há menção direta ao diesel usado na lavoura. A lacuna acende um debate que ecoa nas lavouras brasileiras. O subsídio chega à porteira?

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