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Café arábica bate recorde e é vendido por R$26 mil no ES

Publicado: 21/01/2026
Atualizado: 21/01/2026
Café arábica bate recorde e é vendido por R$26 mil no ES

Saca de café arábica alcança R$26 mil em leilão recorde no Caparaó (ES). Veja os detalhes da edição 2026 do Conexão Caparaó e a valorização do produto

Quem vive do café sabe que notícia boa precisa ser lida com calma, porque mexe com expectativa, com planejamento e até com o humor da semana. No Espírito Santo, um leilão de cafés especiais mostrou que o café arábica bem feito, de origem definida e manejo caprichado, segue encontrando comprador disposto a pagar caro. Em plena edição 2026 do Conexão Caparaó, uma saca alcançou R$ 26 mil, valor que chama atenção até de quem já está acostumado com números altos nesse mercado.

Não é conversa de vitrine. O resultado veio de um leilão presencial, com disputa real entre compradores, e ajuda a colocar no radar o potencial do Caparaó para quem trabalha com cafés diferenciados. Para o produtor, o recado é direto: qualidade comprovada segue abrindo porta e puxando preço.

Preço chama atenção

O maior valor do leilão foi pago por uma saca de café arábica que atingiu 87,96 pontos na avaliação sensorial. O lote, mesmo ficando com a segunda colocação técnica do concurso, foi o mais valorizado da edição e acabou vendido por R$ 26 mil. Na prática, isso representa um patamar que poucos produtos agrícolas conseguem alcançar quando se fala em valor por saca.

O campeão do concurso teve nota ainda maior, 88 pontos, e sua saca foi negociada por R$ 24 mil. Os números mostram algo importante para quem está no campo: nem sempre só a pontuação define o preço final. Relação com compradores, histórico do produtor e confiança no padrão do café também pesam na hora do martelo bater.

No total, o leilão movimentou R$ 136,9 mil, somando os lotes ofertados. É dinheiro circulando dentro da cadeia, voltando para a propriedade e ajudando a justificar investimento em manejo, colheita seletiva e pós-colheita bem feito.

Caparaó em evidência

O evento aconteceu em Pedra Menina, distrito de Dores do Rio Preto, região já conhecida entre os produtores por altitude elevada e clima mais ameno. Não é por acaso que o Caparaó vem ganhando espaço quando o assunto é café arábica de montanha.

As lavouras da região trabalham, em muitos casos, acima dos mil metros de altitude, condição que favorece maturação mais lenta do fruto. Isso costuma refletir em bebida mais doce, acidez equilibrada e maior complexidade sensorial, características muito procuradas no mercado de cafés especiais.

O Conexão Caparaó chegou à sua oitava edição em 2026, consolidado como vitrine para pequenos e médios produtores familiares. Ao longo dos anos, o evento ajudou a mostrar que o Espírito Santo não é só volume, mas também qualidade quando o assunto é café.

Quem são os produtores

O campeão da edição foi um produtor de Dores do Rio Preto que trabalha com cafés especiais há cerca de uma década, em sistema familiar. O café apresentado era da variedade Catuaí 44, cultivado entre 1.080 e 1.200 metros de altitude. O manejo incluiu maturação mais tardia, fermentação controlada e secagem natural em terreiro.

Já o lote mais valorizado do leilão veio de uma propriedade localizada em Espera Feliz, em Minas Gerais, bem na divisa com o Espírito Santo. O produtor atua com cafés especiais desde 2010 e já acumula histórico de boas colocações no próprio Conexão Caparaó.

Esse microlote foi colhido no final da safra de 2025, com grãos bem maduros da variedade Catuaí Vermelho 44, cultivados a 1.350 metros de altitude. A secagem ocorreu em terreiro coberto, com seleção manual dos grãos, tudo feito em regime de produção familiar.

Valorização contínua

Quem acompanha os números do Conexão Caparaó percebe que não se trata de um ponto fora da curva. Em 2023, o maior valor pago em uma saca foi de R$ 23,5 mil. No ano seguinte, 2024, uma saca chegou a R$ 29 mil, o maior preço já registrado até então no evento.

Esses dados mostram que existe uma curva de valorização consistente. Mesmo com variações de mercado, o segmento de cafés especiais segue sustentando preços elevados quando o produto entrega qualidade e história. Para o produtor, isso reforça a importância de constância e de participar de concursos e leilões bem organizados.

Também fica claro que o comprador está cada vez mais atento à origem e ao processo. Não é apenas uma bebida, mas um produto com identidade, algo que o mercado internacional e o consumidor final valorizam. Clique aqui e acompanhe o agro.

O que fica de lição

Para quem produz café arábica, especialmente em regiões de montanha, o resultado do leilão deixa alguns recados práticos. O primeiro é que investir em manejo correto, colheita no ponto certo e pós-colheita bem feito não é custo jogado fora. Quando o mercado reconhece, o retorno aparece.

Outro ponto é a importância de se organizar, seja em associação, seja em eventos regionais. O Conexão Caparaó mostra que quando o produtor se une, cria marca e credibilidade, o comprador aparece disposto a pagar mais.

Por fim, fica a lembrança de que café especial não se constrói de um ano para o outro. É trabalho de longo prazo, aprendizado contínuo e muita atenção aos detalhes. O preço de R$ 26 mil por saca chama atenção, mas por trás dele tem rotina, família envolvida e decisão bem tomada dentro da porteira.

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Escrito por

Redação

Especialista em notícias e análises do mercado agropecuário.