Pela primeira vez na história, o café robusta registrou uma média mensal de preços superior à do arábica, veja mais informações a seguir
A dinâmica de mercado, impulsionada por fatores climáticos e econômicos, coloca o robusta em uma posição inédita de destaque. Mas será essa uma tendência momentânea ou uma nova realidade para o setor cafeeiro?
Café robusta acima do café arábica: Um marco histórico
Em setembro, o indicador do robusta tipo 6, peneira 13 acima, para retirada no Espírito Santo, fechou em R$ 24,72 a mais por saca de 60 kg em comparação ao indicador do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista. Pesquisadores do Cepea destacam que, embora o robusta já tenha superado o arábica em determinados momentos — como no fim de agosto deste ano e entre outubro de 2016 e janeiro de 2017 —, essa é a primeira vez que a média mensal do robusta ultrapassa de forma consistente a do arábica.
Esse marco tem gerado atenção no setor. Tradicionalmente, o arábica é considerado um café de maior qualidade, com perfil sensorial mais valorizado no mercado internacional. O robusta, por sua vez, é mais resistente, com menor custo de produção, e usado frequentemente em blends e na produção de café solúvel. A inversão de preços sugere uma mudança na dinâmica entre essas duas variedades.
Um dos fatores que tem pressionado os preços do robusta é a oferta global reduzida, principalmente no Vietnã, maior exportador mundial dessa variedade. O país asiático deve iniciar a colheita da nova safra esse mês, mas até lá, a escassez de produto está impactando o mercado.
No Brasil, a situação também é preocupante. A falta de chuvas tem afetado severamente o desenvolvimento das safras 2025/26 tanto de arábica quanto de robusta. O déficit hídrico nas principais regiões produtoras tem prejudicado o vigor das plantas, o que pode resultar em uma menor oferta nos próximos anos. Essa combinação de fatores climáticos e produtivos está criando um cenário incerto para os próximos ciclos.






