Os preços do café permanecem voláteis devido a mudanças no cenário macroeconômico e preocupações com oferta restrita, especialmente no Brasil. O contrato de arábica para março de 2025 voltou a se aproximar de 350 c/lb na segunda (27);
A comercialização da safra 24/25 está acima da média das últimas safras, limitando a oferta de grãos brasileiros até a próxima temporada. Paralelamente, baixos estoques globais e oferta restrita em outras regiões têm elevado os diferenciais brasileiros;
Embora tanto o arábica quanto o robusta enfrentem aperto de oferta, o arábica registra avanços mais significativos nos preços, ampliando a arbitragem entre as variedades. Esse cenário pode estimular maior demanda pelo robusta em substituição ao arábica nos próximos meses.
O mercado do café apresentou altas nos últimos dias, impulsionado por questões de oferta e mudanças no cenário macroeconômico global. A correção no índice do dólar, após uma postura mais branda dos EUA sobre tarifas comerciais no início do segundo mandato de Trump, beneficiou moedas emergentes como o Real brasileiro, que também foi influenciado por dados de inflação acima do esperado pelo mercado (4,36%) e entrada de capital estrangeiro, favorecendo as commodities.
Segundo Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets,
“A volatilidade do mercado se manteve com preocupações sobre oferta frente à demanda aquecida. O contrato de arábica para março de 2025 atingiu um recorde de 355,5 c/lb no pregão de segunda (27), embora tenha fechado em 349,2 c/lb”.
Laleska Moda – Analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets
A oferta global continua limitada: o Vietnã avança na venda de robusta, mas de forma lenta; apesar da colheita de arábica na Colômbia e América Central, o café tem demorado a chegar no mercado; e produtores brasileiros mostram pouco interesse em novas vendas.

Dados recentes sobre a comercialização da safra 24/25 no Brasil confirmam estoques de passagem limitados. Até dezembro, 82% da safra de arábica e 91% da de robusta haviam sido vendidas. Já para a safra 25/26, a consultoria Safras & Mercado indica que as vendas estão abaixo da média histórica, com apenas 12% negociados, comparado a 19% em 2024 e 21% na média de 5 anos.




