Preços seguem elevados e voláteis, com oferta curta e clima ditando o ritmo das decisões de venda.
O mercado de café arábica e robusta começa 2026 mantendo um padrão que o produtor já sentiu no bolso ao longo de 2025: preços em patamar historicamente elevado, mas com volatilidade forte e negócios travados no físico. O desafio imediato é claro. Como capturar preço em um mercado firme, mas com liquidez curta e risco elevado de viradas rápidas?
Segundo o Cepea, o pano de fundo continua sendo oferta global restrita, estoques ajustados e um mercado totalmente atento ao clima e à construção da safra 2026/27. Isso vale tanto para o arábica quanto para o robusta, com reflexo direto nas bases do mercado físico brasileiro.
O que está acontecendo com os preços do café agora
No mercado interno, o arábica tipo 6, bebida dura, posto em São Paulo, medido pelo Indicador Cepea/Esalq, foi cotado a R$ 2.237,54 por saca de 60 kg em 06/01/2026, após R$ 2.191,97 por saca em 05/01/2026. Esse movimento reforça o que o produtor já percebeu desde o ano passado: o mercado opera em nível elevado, mas com oscilações intensas de um dia para o outro.
O Cepea chama atenção para um ponto operacional importante neste início de ano. Há poucos compradores ativos e retração de vendedores, o que trava os negócios no mercado físico. Na prática, o café tem preço, mas não tem fluidez. Quem precisa vender encontra negociação difícil. Quem pode segurar, segura esperando melhor base ou sinal mais claro do mercado externo.
Na B3, os contratos futuros de arábica continuam sendo a principal referência de hedge em reais por saca. Os movimentos acompanham a volatilidade observada pelo Cepea, com variações relevantes conforme o vencimento. O ponto é que a bolsa segue sendo ferramenta central para gestão de risco em um mercado que não dá conforto para venda concentrada.
Custos, margens e o risco de confiar só no preço alto
Preço alto não significa margem garantida. Na prática, o produtor sente isso no bolso quando olha o custo de produção acumulado após dois anos de clima adverso, tratos extras e menor produtividade em algumas regiões. Mesmo com cotações elevadas, a margem pode apertar se a venda não for bem distribuída no tempo.
Outro ponto crítico é o risco de volatilidade. O Cepea reforça que 2026 deve repetir o padrão de oscilações fortes, com qualquer mudança climática ou ajuste nas expectativas de safra gerando impacto imediato nas cotações. Quem espera acertar o topo com toda a produção corre o risco de perder oportunidades intermediárias que fazem diferença no resultado final.
Clima e oferta seguem no centro das decisões
O mercado está olhando menos para o passado e mais para a frente. Para o Brasil, o Cepea avalia expectativa positiva para a safra 2026/27, sustentada por condições climáticas mais favoráveis e pela bienalidade positiva do arábica, o que tende a favorecer recuperação de produtividade.
As primeiras projeções setoriais, citadas pelo Cepea como cenário ainda preliminar, indicam produção acima de 70 milhões de sacas, somando arábica e robusta. Esse número, se confirmado ao longo do ciclo, muda a conversa do mercado mais à frente, principalmente no segundo semestre, quando a safra começa a ganhar forma.
É importante lembrar de onde o mercado está partindo. A Conab estimou a safra brasileira de 2025 em 56,5 milhões de sacas, afetada por clima irregular, atraso de chuvas no fim de 2024 e calor intenso com baixa precipitação no início de 2025. Esse cenário limitou a recomposição de estoques e explica por que os preços chegaram a níveis recordes em 2025.




