Exportador dá espaço à concorrência no mundo árabe. Maior atratividade do mercado interno reduz embarques de açúcar para o bloco.
As exportações aos árabes somaram US$ 6,05 bilhões entre janeiro e julho, queda de 15,38% sobre o mesmo período de 2016, apesar do aumento de 6,08% no volume embarcado para 22,48 milhões de toneladas, informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
Segundo a entidade, as receitas foram menores porque exportadores de açúcar e frango, que são 60% da pauta, resolveram priorizar o mercado nacional. Além disso, há a queda dos preços internacionais, barreiras ao frango, maior competição com o bovino australiano e a greve dos caminhoneiros, embora a demanda no bloco por alimentos siga firme.
Boa parte da redução é creditada à super-safra mundial de açúcar, que compõe 27% das vendas aos árabes. No acumulado o Brasil vendeu US$ 1,66 bilhão do produto, queda de 35,63%.
Desde o ano passado, a superprodução na Índia vem derrubando a commodity em 30% em média, sem deixar perspectiva de recuperação pelo menos até o ciclo 2019/20. Num esforço de equilibrar receitas, as usinas brasileiras vêm dirigindo uma parte maior da moagem para o etanol de demanda doméstica.
O resultado foi a redução dos embarques de açúcar e, na mesma proporção, da participação do Brasil no suprimento aos árabes.
A lacuna foi ocupada por Índia e Tailândia, países que não têm acesso a um grande mercado de etanol como o Brasil, mas têm açúcar em escala e a vantagem de estarem mais próximos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes e do Egito, todos mercados de grande demanda.
Além disso, o Brasil vem enfrentando problemas com o frango, o segundo produto da pauta. No período, as receitas tiveram queda de 23,92% e somaram US$ 1,20 bilhão.
Embora o frango não registre quedas bruscas no preço, desde o ano passado a Arábia Saudita, o maior mercado exterior para a ave brasileira, vem questionando o método de abate no Brasil, que não seguiria as regras do Islã por incluir insensibilização elétrica.
Os sauditas vetaram o frango fora de padrão, posição seguida por outros países árabes, enquanto o lobby brasileiro tenta mudar a seu favor a norma técnica de abate da Gulf Standard Organization, espécie de Inmetro da Península Arábica.




