Oscilações recentes nos preços do açúcar já batem na B3 e exigem mais estratégia de quem produz e de quem investe.
O mercado de açúcar voltou a chamar atenção não só da usina e do produtor de cana, mas também de quem opera contratos, ações e crédito no Brasil. O movimento é claro: preços oscilando, liquidez curta em alguns momentos e um cenário externo que mudou de sinal. O desafio imediato é proteger margem em um ambiente onde o mercado financeiro reage rápido a qualquer ajuste de oferta, demanda ou câmbio.
O que está acontecendo com os preços do açúcar agora?
No mercado físico paulista, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (Icumsa 130-180) registrou média de R$ 160,43 por saca de 50 kg entre 30/12/2024 e 03/01/2025, com leve alta de 0,08% frente ao período anterior. É uma variação pequena, mas mostra firmeza em um momento típico de menor ritmo de negócios.
Já em janeiro de 2026, os dados do CEPEA mostram outro comportamento no spot: em 07/01/2026, o indicador ficou em R$ 107,91 por saca, com alta diária de 1,08%, mas queda semanal de 1,89%. No dia seguinte, 08/01/2026, o preço recuou para R$ 107,34 por saca, baixa diária de 0,53% e queda semanal de 2,41%, equivalente a US$ 19,91 por c-kg.
O ponto é que essa oscilação curta no físico já é suficiente para mexer com expectativas no mercado financeiro, especialmente em períodos de menor liquidez, como pós-recesso.
Como isso chega no bolso via custos e margens?
Para o produtor de cana e para a usina, preço não anda sozinho. Custos seguem pressionados e a margem depende cada vez mais de gestão. Um dado que ajuda a entender o aperto é o índice de cana-de-açúcar no varejo de Cuiabá, divulgado pelo IMEA, que ficou em R$ 3,34 em 30/01/2026, com variação negativa de 4,21%.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando o preço do açúcar oscila mais rápido do que o ajuste dos custos. Quando o mercado financeiro precifica um cenário de excesso global, ações de usinas, contratos futuros e até condições de crédito entram em revisão.
Clima, safra 2025/26 e oferta global no radar
A conversa mudou no cenário internacional. A Organização Internacional do Açúcar revisou suas expectativas e passou a projetar excedente global na safra 2025/26, revertendo a visão anterior de déficit. Esse movimento veio da combinação de oferta elevada e demanda mais fraca.
No Centro-Sul do Brasil, o início de 2025 foi marcado por lentidão sazonal, o que ainda dá algum suporte para estabilidade dos preços domésticos até a entrada mais firme da safra 2025/26. Mas o mercado segue monitorando clima e ritmo de moagem, porque qualquer ajuste de oferta pode mudar o humor da bolsa.
Câmbio, Chicago e reflexos diretos na B3
Quando o preço do açúcar convertido em dólar cai, como visto nos US$ 19,91 por c-kg em 08/01/2026, o impacto vai além da exportação. O mercado financeiro brasileiro reage via contratos futuros na B3, especialmente em momentos de baixa liquidez.




