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Açúcar sente pressão do mercado internacional e trava reação no Brasil

Redação
12/01/2026 às 16:17
Açúcar sente pressão do mercado internacional e trava reação no Brasil

Com excesso de oferta lá fora, o mercado interno perde força mesmo com custos firmes.

O mercado de açúcar começou 2026 com um sinal claro: o que está acontecendo lá fora está pesando direto no preço aqui dentro. A combinação de futuros mais baixos em Nova York, perspectiva de superávit global e competição forte entre grandes produtores limita qualquer reação mais firme no mercado doméstico, mesmo em um período em que o produtor ainda sente custos elevados.

O desafio imediato para quem está na usina ou no canavial é simples de entender. A conta de produção segue pressionada, mas o mercado internacional não ajuda a puxar preço. E quando Nova York não reage, o Brasil perde poder de barganha tanto na exportação quanto no mercado interno.

O que está acontecendo com os preços do açúcar hoje

No mercado interno paulista, os preços recuaram na primeira semana de 2026, segundo dados do Cepea. O açúcar cristal negociado no mercado spot de São Paulo foi cotado a R$ 106,65 por saca de 50 kg em 09/01/2026, com queda diária de 0,64%. Esse movimento confirma a tendência de enfraquecimento observada desde o início do ano, quando o cristal saiu de níveis acima de R$ 106 para os patamares atuais.

Nos produtos industriais e ao consumidor final, o mercado também mostra estabilidade sem força. O açúcar cristal empacotado em São Paulo ficou em R$ 13,3613 o pacote de 5 kg, sem variação diária, enquanto o açúcar refinado amorfo foi negociado a R$ 3,1996 por kg, também estável.

Na prática, isso indica que a indústria não está encontrando espaço para repassar preços. O consumo doméstico segue regular, mas a referência internacional impede movimentos de alta mais consistentes.

Como Nova York influencia direto o mercado brasileiro

No mercado internacional, os contratos futuros do açúcar bruto em Nova York, o chamado NY nº11, operaram recentemente na faixa de 14,72 a 14,94 centavos de dólar por libra-peso para o vencimento março/26, encerrando a primeira semana de 2026 em queda.

Esse nível de preço reflete um cenário global mais confortável de oferta. Há expectativa de superávit mundial, com estoques considerados adequados e forte concorrência entre grandes exportadores como Brasil, Índia e Tailândia. Quando o mercado internacional enxerga sobra de produto, o comprador fica mais tranquilo e pressiona preços.

Na Europa, o açúcar branco também sinaliza essa acomodação. O contrato nº5 para março/26 fechou a US$ 425,90 por tonelada em 10/01/2026, com recuo de US$ 2,00 no dia. Isso reforça a leitura de que o mercado global não está apertado.

Câmbio ajuda, mas não faz milagre

Mesmo sem dados recentes específicos de câmbio divulgados nas fontes oficiais, o produtor sente na prática que o dólar sozinho não resolve. Quando Nova York cai por causa de superávit, o efeito do câmbio positivo acaba sendo neutralizado.

O ponto é que a referência internacional é o teto da negociação. Se o comprador externo encontra açúcar disponível em vários países, ele não paga prêmio. E isso volta para o mercado interno na forma de menor agressividade das usinas na venda.

Oferta brasileira pesa na formação de preço

O Brasil segue como peça central nesse jogo. Na safra 2025/26, a produção nacional de açúcar alcançou 39,17 milhões de toneladas até 16/11/2025, segundo dados da UNICA compilados pelo Cepea. É um volume expressivo, que garante abastecimento e presença forte no mercado externo.

Olhando adiante, as projeções para a safra 2026/27 indicam moagem no Centro-Sul acima de 620 milhões de toneladas de cana, sustentada por chuvas no fim de 2025, expansão de área e clima dentro da média. Consultorias apontam produção de açúcar entre 41 e 44 milhões de toneladas.

Mesmo com a tendência de mix mais favorável ao etanol, influenciado pela mistura obrigatória de 30% de anidro na gasolina e pelo avanço do etanol de milho, a oferta potencial de açúcar segue grande o suficiente para manter o mercado abastecido.

Consumo cresce, mas não absorve tudo

O consumo global de açúcar cresce em torno de 1,2% ao ano, puxado principalmente por países da Ásia e da África. Isso é positivo no médio prazo, mas não resolve o curto prazo quando a produção cresce mais rápido do que a demanda.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando percebe que o mercado até escoa, mas sempre com preço pressionado. Não falta comprador, falta disputa pelo produto.

Etanol entra como alternativa estratégica

Dentro desse cenário, o etanol ganha importância na tomada de decisão. Durante a entressafra, os preços do biocombustível mostraram firmeza. O etanol anidro foi negociado a R$ 3,4170 por litro entre 05 e 09/01/2026, com alta semanal de 1,43%.

Isso muda a conversa dentro da usina. Com açúcar pressionado lá fora e etanol mostrando sustentação no mercado interno, calibrar o mix de produção vira uma decisão estratégica para proteger margem.

Estratégias práticas para o produtor e a usina

Diante desse quadro, algumas linhas de ação fazem sentido:

  • Evitar concentração de venda em momentos de fraqueza de Nova York, buscando escalonar comercialização.
  • Acompanhar de perto o mix açúcar/etanol, usando o etanol como válvula de equilíbrio quando o açúcar perde competitividade.
  • Usar instrumentos de proteção como travas de preço e gestão de risco, principalmente para exportação.
  • Olhar margem, não só preço, considerando custo industrial, logística e oportunidade entre mercados.

O mercado não está ruim, mas está exigente. Quem tomar decisão só olhando o preço cheio corre o risco de apertar ainda mais a margem.

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O recado final é direto: enquanto o mundo enxergar açúcar sobrando, o Brasil vai ter que jogar com estratégia, não com expectativa de alta fácil.

Agronews é informação para quem produz.

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