Mesmo com preço estável, qualquer alta logística come margem rápido na pecuária.
O mercado do boi gordo entra neste semestre com um recado claro: preço parado não significa margem garantida. Com as cotações andando de lado em São Paulo e Mato Grosso, qualquer pressão de custo vira protagonista. E o frete, mesmo sem número oficial confirmado agora em janeiro, é um desses fatores que o produtor sente primeiro no caixa.
O ponto é simples. Quando o boi não reage na arroba, todo real a mais gasto para tirar o animal da fazenda até o frigorífico pesa direto na rentabilidade. E isso vale tanto para quem vende no físico quanto para quem está travado na bolsa.
Onde o boi está hoje e por que isso importa
Os preços do boi gordo mostram estabilidade neste início de 2026. Pelo indicador CEPEA/ESALQ em São Paulo, o boi foi cotado a R$ 323,32/@ em 09/01/2026, com leve alta diária de 0,04%. No dia anterior, 08/01, estava em R$ 323,20/@, com variação de 0,37%.
No Mato Grosso, os números do IMEA reforçam o cenário de mercado acomodado. A média estadual ficou em R$ 291,70/@ em 09/01/2026 para boi gordo comum à vista, praticamente estável em relação ao dia anterior. Em São Félix do Araguaia, R$ 290,00/@. No Centro-Sul do estado, R$ 292,37/@, sem mudança relevante.
Segundo o CEPEA, a volatilidade do boi caiu pela metade ao longo de 2025 e entrou em 2026 com mais estabilidade. Traduzindo isso para dentro da porteira: menos sustos positivos e negativos no preço, mas também menos chance de o mercado corrigir custos mais altos.
Frete sem indicador não é frete sem impacto
Não existem, neste momento, dados oficiais recentes de CEPEA ou IMEA que quantifiquem uma alta do frete em janeiro de 2026. Os relatórios disponíveis não trazem variações específicas para transporte de boi gordo.
Isso não significa que o frete esteja neutro. Significa apenas que não há um número consolidado para colocar na planilha. Na prática, o produtor sente o movimento antes do indicador aparecer, seja por maior disputa por caminhão, seja por rotas mais longas ou menor oferta de transporte em momentos pontuais.
Quando o frete sobe em um mercado de boi estável, ele não divide o prejuízo com o frigorífico. Ele fica concentrado na margem do produtor.
Como o frete mexe na conta da fazenda
O frete entra como custo direto de comercialização. Não melhora rendimento, não aumenta peso e não corrige manejo. Ele apenas viabiliza a venda. Por isso, qualquer aumento pressiona a margem líquida.
- Propriedades mais distantes de plantas frigoríficas sentem primeiro.
- Lotes menores perdem escala e diluem menos o custo por cabeça.
- Quem vende boi magro para terminação fora da fazenda sofre duas vezes: na ida e na volta do boi pronto.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando faz a conta final e percebe que a arroba recebida não acompanhou o custo logístico. Em anos de mercado firme, isso passa despercebido. Em anos de estabilidade, vira problema.




