Demanda asiática sustenta as cotações, mas exige estratégia fina de venda e reposição.
O mercado do boi gordo começa 2026 com um recado claro para quem está da porteira para dentro: preço firme não é sorte, é resultado de oferta curta e exportação puxando. O desafio imediato do produtor é decidir quando vender, como travar preço e até onde dá para segurar animal sem estourar custo, num cenário em que a Ásia, especialmente a China, segue ditando o ritmo.
Onde o preço está parado e o que isso diz ao produtor
As cotações do boi gordo em São Paulo, referência CEPEA/ESALQ, mostram um mercado firme neste início de ano. No dia 12/01/2026, o boi foi cotado a R$ 323,32/@ à vista. Dias antes, o mercado vinha andando de lado: R$ 319,40 em 09/01, R$ 319,30 em 08/01 e R$ 318,50 a R$ 318,65 entre 05 e 06/01.
Na prática, isso sinaliza resistência do vendedor. O produtor não está com pressa de entregar, e o frigorífico encontra dificuldade para alongar escala sem ceder no preço. Esse comportamento está alinhado com a leitura do CEPEA, que já no fim de 2025 projetava preços firmes ao longo de 2026, sustentados por oferta limitada de animais prontos para abate e um ciclo pecuário ainda restritivo.
Bolsa futura confirma firmeza ou acende alerta?
Quando a gente olha para a B3, o tom é de cautela, não de virada de mercado. Em 12/01/2026, os contratos futuros recuaram levemente: janeiro/26 a R$ 318,05, fevereiro/26 a R$ 318,45 e março/26 a R$ 319,35. As quedas percentuais foram pequenas, dentro de um ajuste técnico.
O ponto é que a bolsa não está precificando colapso de preço. Ela reflete um mercado que tenta equilibrar dois vetores: de um lado, oferta curta; do outro, o risco de consumo interno mais travado e ajustes na exportação. Para o produtor, isso reforça que travar parte da produção pode ser uma ferramenta de proteção, não uma aposta contra o mercado.
Custos apertam e mudam o cálculo da arroba
Mesmo com preço firme, a margem não é automática. O CEPEA destaca que os custos elevados seguem pressionando o sistema produtivo. Quem depende de suplementação, confinamento ou semi-confinamento sente isso direto no caixa.
Na prática, o produtor sente no bolso quando segura animal esperando mais alguns reais na arroba, mas o custo diário come essa diferença. Por isso, decisão de venda em 2026 passa menos por “quanto vai subir” e mais por “quanto custa esperar”.
Clima e oferta seguem como pano de fundo
Outro fator estrutural é o clima. As condições adversas apontadas pelo CEPEA afetam pastagens e a reposição de rebanhos, restringindo a oferta ao longo de 2026. Não há dado pontual de safra nesta semana, mas o efeito prático já está claro: menos boi pronto no mercado.
Essa restrição vem de um histórico de abates intensos nos anos anteriores e da escassez de bezerros e novilhos. É o ciclo pecuário cobrando a conta. Quem tem boi na mão hoje está, objetivamente, numa posição de força.
Ásia no radar: por que a China pesa tanto no preço
Se tem um fator que amarra esse mercado é a exportação para a Ásia, com destaque absoluto para a China. O CEPEA aponta que as exportações robustas para o mercado chinês sustentam a demanda e pressionam a oferta doméstica, ajudando a manter as cotações firmes.




