Enquanto as colheitadeiras começam a roncar no Paraná e Mato Grosso, o pecuarista finalmente respira aliviado com a virada do ciclo. Mas cuidado: a margem do grão exige estratégia.
A poeira vermelha levantando atrás da plataforma de corte não mente: a safra 25/26 começou. Mas diferente de outros anos, onde a euforia tomava conta da cabine, o sentimento agora é de cautela estratégica. Você, que está “da porteira para dentro”, sabe que volume recorde na balança nem sempre significa lucro no bolso.
Começamos o ano com um cenário desenhado a duas mãos. De um lado, o sojicultor monitorando cada nuvem no radar para garantir os 177 milhões de toneladas projetados pela Conab. Do outro, o pecuarista vendo a arroba do boi gordo, que tanto castigou o caixa nas últimas safras, voltar a testar e firmar patamares acima de R$ 300,00.
Se você produz grão ou carne, o jogo de 2026 já começou com cartas novas na mesa. E saber ler esse baralho é o que vai definir se você fecha a conta no azul ou no vermelho.
Soja: Volume na tela, olho no prêmio

A Conab acabou de confirmar: 98,2% da área de soja já está plantada e as primeiras máquinas já colheram 0,1% da safra nacional. O ritmo é bom, e a promessa é de recorde. Porém, volume sem gestão de venda é tiro no pé.
O mercado está precificando uma “oferta confortável”. Traduzindo para o nosso dia a dia: os compradores não estão desesperados. Com a previsão de uma superprodução de quase 178 milhões de toneladas, o prêmio nos portos tende a ficar pressionado.
Conselho de quem vive o agro: Não deixe para vender tudo na boca da colheita. A logística vai travar e o frete vai comer sua margem. Quem travou custos lá atrás e garantiu uma média de venda, dorme tranquilo. Quem está descoberto, precisa aproveitar os repiques do dólar para fazer média. O foco agora não é tentar acertar o “olho da mosca” no preço máximo, mas garantir que a venda cubra o custo operacional efetivo (COE) e deixe a margem de segurança.
Para entender melhor a dinâmica de preços e a projeção oficial, vale conferir os dados completos no levantamento semanal da Conab. Ou acessar nosso caderno especial sobre a soja.
A Virada do Boi: O ciclo pecuário respondeu
Lembra daquele desânimo de 2024? Pode começar a esquecer. O mercado físico do boi gordo iniciou janeiro de 2026 com um fôlego renovado. Segundo apurações recentes da Scot Consultoria e do mercado físico, praças como São Paulo e Mato Grosso do Sul já trabalham com a arroba girando entre R$ 308,00 e R$ 318,00.






