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Arroba rompe barreira dos R$ 300 e soja inicia colheita com alerta no prêmio; entenda o cenário

Vicente Delgado
08/01/2026 às 12:02
Arroba rompe barreira dos R$ 300 e soja inicia colheita com alerta no prêmio; entenda o cenário

Enquanto as colheitadeiras começam a roncar no Paraná e Mato Grosso, o pecuarista finalmente respira aliviado com a virada do ciclo. Mas cuidado: a margem do grão exige estratégia.

A poeira vermelha levantando atrás da plataforma de corte não mente: a safra 25/26 começou. Mas diferente de outros anos, onde a euforia tomava conta da cabine, o sentimento agora é de cautela estratégica. Você, que está “da porteira para dentro”, sabe que volume recorde na balança nem sempre significa lucro no bolso.

Começamos o ano com um cenário desenhado a duas mãos. De um lado, o sojicultor monitorando cada nuvem no radar para garantir os 177 milhões de toneladas projetados pela Conab. Do outro, o pecuarista vendo a arroba do boi gordo, que tanto castigou o caixa nas últimas safras, voltar a testar e firmar patamares acima de R$ 300,00.

Se você produz grão ou carne, o jogo de 2026 já começou com cartas novas na mesa. E saber ler esse baralho é o que vai definir se você fecha a conta no azul ou no vermelho.

Soja: Volume na tela, olho no prêmio

colheita

A Conab acabou de confirmar: 98,2% da área de soja já está plantada e as primeiras máquinas já colheram 0,1% da safra nacional. O ritmo é bom, e a promessa é de recorde. Porém, volume sem gestão de venda é tiro no pé.

O mercado está precificando uma “oferta confortável”. Traduzindo para o nosso dia a dia: os compradores não estão desesperados. Com a previsão de uma superprodução de quase 178 milhões de toneladas, o prêmio nos portos tende a ficar pressionado.

Conselho de quem vive o agro: Não deixe para vender tudo na boca da colheita. A logística vai travar e o frete vai comer sua margem. Quem travou custos lá atrás e garantiu uma média de venda, dorme tranquilo. Quem está descoberto, precisa aproveitar os repiques do dólar para fazer média. O foco agora não é tentar acertar o “olho da mosca” no preço máximo, mas garantir que a venda cubra o custo operacional efetivo (COE) e deixe a margem de segurança.

Para entender melhor a dinâmica de preços e a projeção oficial, vale conferir os dados completos no levantamento semanal da Conab. Ou acessar nosso caderno especial sobre a soja.

A Virada do Boi: O ciclo pecuário respondeu

Lembra daquele desânimo de 2024? Pode começar a esquecer. O mercado físico do boi gordo iniciou janeiro de 2026 com um fôlego renovado. Segundo apurações recentes da Scot Consultoria e do mercado físico, praças como São Paulo e Mato Grosso do Sul já trabalham com a arroba girando entre R$ 308,00 e R$ 318,00.

O motivo não é mágica, é fundamento. O abate excessivo de fêmeas nos últimos anos reduziu a oferta de bezerros e, consequentemente, de bois magros para reposição. A “lei da oferta e da procura” chegou com força. A escala dos frigoríficos encurtou e eles estão pagando para ter boi no gancho.

Veja a cotação do boi hoje em Mato Grosso e faça um comparativo: Boi em Mato Grosso

Mas atenção, pecuarista: preço alto de arroba não aceita desaforo em custo de nutrição. Com o milho tendo uma projeção de recuo nas exportações em janeiro (queda de 11% segundo a Anec), pode sobrar mais grão no mercado interno. Essa é a sua janela de oportunidade. Travar o custo da dieta agora, com o boi valorizado, é a chave para garantir a reposição lá na frente.

O “Fiel da Balança”: Milho e Insumos

Milho Rs Safra 20252026 Cresce 945

Aqui mora o detalhe que ninguém está olhando. Enquanto a soja brilha nas exportações, a Anec projeta um salto de 114% nos embarques de soja agora em janeiro, o milho está ficando em casa.

Para quem faz integração Lavoura-Pecuária (ILP), o cenário é desenhado à mão. Você tem a valorização da arroba e um custo de suplementação que tende a se estabilizar.

A estratégia para os próximos 90 dias é clara:

  1. Monitoramento Climático: O déficit hídrico ainda é uma sombra em algumas regiões. Se chover pouco na safrinha, o milho dispara e o custo do confinamento sobe.
  2. Gestão de Venda: Se você tem soja para colher, escalone as vendas. Não descarregue tudo na pressão da colheita.
  3. Tecnologia: Com margens mais apertadas no grão, o “achismo” morreu. Agricultura de precisão e manejo eficiente de insumos não são luxo, são questão de sobrevivência.

O ano de 2026 promete ser o ano da eficiência. O mercado está pagando, mas só para quem tem produto de qualidade e gestão na ponta do lápis.

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Boi milho soja

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