Com previsão de cinco lançamentos anuais no Brasil até 2030, companhia apresenta tecnologias para proteger cultivos e garantir estabilidade produtiva no cinturão verde.
O mercado não se move apenas por números ou previsões teóricas. No agro, e de forma ainda mais intensa na horticultura, cada dado carrega uma consequência imediata: uma aplicação de defensivo que precisa ser feita antes da chuva, um ciclo de cultura que exige sementes mais fortes ou uma margem de lucro que aperta a cada anomalia climática. É com os olhos voltados para essa urgência de quem trabalha da porteira para dentro que o setor se reúne na 31ª edição da Hortitec, a principal vitrine de tecnologia para o cinturão verde da América Latina.
Durante o evento, que ocorre de 17 a 19 de junho em Holambra (SP), a Bayer apresenta um portfólio redesenhado para enfrentar os maiores gargalos atuais da produção de frutas e hortaliças. Com um aporte global que atinge a marca de 2 bilhões de euros por ano apenas em Pesquisa e Desenvolvimento, a empresa assumiu o compromisso de acelerar a chegada de soluções aos campos brasileiros. A meta é clara: realizar cinco lançamentos anuais voltados à proteção de cultivos no país, todos os anos, até 2030. Para o produtor que precisa tomar decisões rápidas contra patógenos agressivos, essa velocidade de inovação é o que mantém a conta de chegada no azul.
Defesa sanitária: o peso do clima e a resposta na folha
Na lida do hortifrúti, poucas ameaças tiram tanto o sono do produtor quanto o avanço rápido de doenças fúngicas. Quando a umidade sobe e a temperatura oscila, problemas como a requeima e a pinta preta podem devastar lavouras inteiras em questão de dias. Para frear esse risco, a grande aposta da Bayer na feira recai sobre os novos fungicidas Valpura e Xivana Smart.
Desenvolvidos para atuar diretamente no manejo de doenças que corroem a produtividade e a qualidade comercial dos alimentos, esses produtos chegam para cobrir lacunas importantes no campo. O Valpura foi desenhado para o combate direto da pinta preta nas lavouras de batata e tomate, além de demonstrar eficácia contra o oídio na cultura da uva, a sarna nos pomares de maçã e o temido mal de sigatoka nos bananais.
Por outro lado, o produtor que enfrenta os desafios severos do míldio e da requeima encontra suporte no Xivana Smart. O foco do produto é entregar alto desempenho e segurança operacional em cinturões produtivos cruciais, abrangendo culturas altamente suscetíveis como tomate, batata, cebola, alface e uva.
“As soluções que apresentamos na Hortitec reforçam o compromisso da Bayer com uma agricultura cada vez mais produtiva, sustentável e inovadora“, explica Fabio Maia, Gerente de Portfólio Frutas e Vegetais da Bayer. “O Valpura e o Xivana Smart são exemplos desse trabalho, oferecendo ferramentas eficientes para o manejo de doenças relevantes da horticultura e contribuindo para mais qualidade e rentabilidade na produção“, completa.
A base de uma colheita resiliente: Novas sementes Seminis
A proteção química da folha, no entanto, é apenas parte da equação. O vigor da lavoura começa na raiz e na escolha de genéticas adaptadas às diferentes realidades de solo e clima do Brasil. Nesse contexto, a Seminis, braço de sementes hortícolas da Bayer, desembarca na feira com um pacote robusto de materiais.
Um dos maiores destaques técnicos é o lançamento do Argemiro, um novo porta-enxerto exclusivo para pimentão. Em um cenário onde as doenças de solo costumam ser os inimigos invisíveis mais letais da horticultura em ambiente protegido ou campo aberto, a Seminis amplia sua atuação nesta categoria. O material foi desenvolvido para injetar vigor, estabilidade e sanidade no sistema produtivo do pimentão, garantindo que a planta se sustente mesmo sob alto estresse.
Nas raízes, o produtor passa a contar com cultivares altamente especializadas por janelas de plantio. A cenoura Silverstar foi selecionada como a nova força de inverno da marca, focada na alta uniformidade e qualidade de raízes sob condições climáticas rigorosas. Já para quem planta no calor, a cenoura Laura entra como reforço do portfólio de verão. Com um ciclo variando entre 110 e 120 dias, ela apresenta resistência, vigor de emergência rápido e folhagem ereta. O material também entrega tolerância ao pendoamento precoce e ao chamado “ombro verde”, além de raízes lisas de forte coloração alaranjada, cruciais para a aceitação no varejo.
As novidades também cobrem lavouras essenciais como a de cebola, com a apresentação da variedade 1049, de casca acastanhada e ciclo precoce de 115 a 120 dias. Para a região Sul do Brasil, a Seminis reservou o brócolis Abraham, formatado para colheita precoce na janela de inverno, apresentando cabeças grandes e uniformes de coloração intensa.
Segundo Franco Valdivieso, Gerente de Marketing de Clientes da Seminis no Brasil, “os materiais apresentados refletem o compromisso de desenvolver soluções alinhadas às necessidades da horticultura brasileira“. O executivo reforça que o foco é alinhar desempenho agronômico com a adaptação regional que o campo exige.
A tecnologia não se resume apenas a lançamentos. A segurança de colher o esperado leva muitos produtores a confiarem em genéticas que, mesmo após décadas, continuam imbatíveis em certas praças. A campanha “Variedades Consagradas“, que ganha os corredores da Hortitec, celebra exatamente essa resiliência.
Tratam-se de materiais lançados há mais de 10 anos que seguem ditando o padrão de qualidade no mercado. É o caso da alface Lucy Brown e do brócolis Legacy, ambos inseridos no mercado em 1999 e que continuam presentes nas estufas e campos abertos pelo país. O rol de clássicos inclui ainda cebolas como Akamaru e Campo Lindo, os tomates Coronel e DRC564, e os pimentões Supremo e 1634. Essa longevidade agronômica prova que a inovação real é aquela capaz de entregar previsibilidade diante dos desafios crescentes da agricultura.
Da terra ao prato: O milho e a percepção de valor
O ciclo agrícola só se encerra, de fato, quando o alimento encontra o consumidor final. Para amarrar as pontas da cadeia, a Bayer realiza a ativação “Raízes do Sabor“. O projeto cria uma rota gastronômica na feira, com ingredientes originados das tecnologias da companhia sendo servidos em parcerias com os restaurantes Restaurante da Fazenda e Comida no Tacho.
O evento também marca um movimento mercadológico interessante: o incentivo ao consumo in natura do milho doce. O híbrido Bom de Mays, com seus grãos de amarelo homogêneo e doçura balanceada, terá uma estrutura exclusiva de comercialização na feira. A estratégia tenta abrir um nicho de alto valor agregado para o produtor de milho, mostrando que a qualidade no campo dita a experiência de consumo.
No campo, notícia boa ou ruim só ganha sentido quando encontra a realidade da fazenda e vira lucro ou prejuízo. E é nessa travessia entre dados de laboratório, inovação nas estufas e as decisões comerciais diárias que o produtor precisa enxergar mais longe, escolhendo as ferramentas que realmente façam diferença na trincheira contra as pragas, as doenças e as incertezas do clima.
Agronews é informação para quem produz.
Sobre o autor
Vicente Delgado
DRT 2364/MT
Editor-Chefe e Fundador15+ anos de experiência
Jornalista e fundador do Agronews, referência em informações sobre o agronegócio brasileiro. Com mais de 15 anos de experiência no setor, acompanha de perto as principais commodities, políticas agrícolas e tendências do mercado rural.