O Brasil possui o algodão mais sustentável do mundo. E a Bayer tem contribuído para elevar o controle e a proteção contra os principais inimigos da produtividade.
Cultivar algodão não é para qualquer um. Ao contrário de outras culturas que passam rapidamente pelo campo, o algodoeiro exige um relacionamento longo e de dedicação extrema. Quem traduz essa realidade com perfeição é Luana Bonamigo, responsável pelo desenvolvimento de produtos da marca Deltapine® na Bayer: “A gente tá falando de uma cultura que tem um ciclo de 180 dias… Então esse cuidado começa na escolha da semente, manejo correto, controle de pragas e doenças, desde o primeiro dia até a colheita“, comenta.
É sob esse olhar atento e meticuloso que a ciência agrícola tem transformado as lavouras brasileiras, especialmente em Mato Grosso, em um exemplo global. Para entender os pilares dessa revolução, estivesmos em Lucas do Rio Verde, durante a Show Safra MT para conversar com os especialistas da Bayer. Juntos, eles desvendam como a união entre biotecnologia de ponta e genética de excelência está moldando o presente e o futuro da fibra nacional.
O casamento perfeito entre genética e biotecnologia
A evolução do algodão no Brasil é impulsionada pela adoção contínua de tecnologia. Eduardo Correa, Gerente de Marketing do negócio de algodão da Bayer, relembra o pioneirismo da empresa, que lançou a primeira geração de biotecnologia nos anos 90 e já se prepara para o futuro. “A gente já tem a quarta geração de biotecnologia pronta em processo regulatório para ser lançado no Brasil ainda nessa década“, revela o executivo.
Atualmente, a grande estrela no campo é a plataforma Bollgard 3 XtendFlex (B3XF). Eduardo explica o que essa “sopa de letrinhas” significa na prática: trata-se da terceira geração para controle de lagartas, somada à tolerância a três grupos vitais de herbicidas: glifosato, glufosinato e dicamba.
No entanto, de nada adianta uma biotecnologia robusta se a planta não tiver um potencial produtivo e uma fibra de alta qualidade. É neste ponto que o trabalho de Luana brilha. “Hoje as coisas… o desenvolvimento da biotecnologia, ela tem que andar em paralelo com o desenvolvimento de variedades“, explica a especialista. A marca Deltapine® tem trazido ao mercado cultivares que, além de carregarem essa proteção, oferecem resistências fundamentais para o solo tropical, como a tolerância a nematoides de galha e à doença ramulária.
As variedades são desenvolvidas a partir de um vasto banco de germoplasma, buscando adaptação às diferentes regiões produtoras do Brasil.
Principais características e tecnologias:
Qualidade de Fibra: O foco da marca é entregar fibras com alta resistência e uniformidade, características valorizadas pela indústria têxtil.
Biotecnologia Bollgard: As sementes utilizam a plataforma de biotecnologia Bollgard®, que oferece proteção contra as principais lagartas que afetam a cultura do algodão, ajudando a preservar o potencial produtivo.
Adaptabilidade: As cultivares são adaptadas a diferentes tipos de solo e condições, desde áreas de alta fertilidade até regiões com condições menos favoráveis.
Resistência a Doenças: Muitas variedades apresentam tolerância ou resistência a doenças importantes, como a Doença Azul, Bacteriose e a Mancha de Ramulária.
A jornada pela qualidade impecável
Diferente da soja ou do milho, onde o peso do grão dita a regra, no algodão a qualidade da fibra é a rainha do jogo. “A qualidade de fibra no final do dia é quem baseia o preço e o patamar de preço que o cotonicultor vai receber“, pontua Eduardo.
Para garantir que o agricultor não sofra descontos na hora da venda, o rigor nos laboratórios é absoluto. Luana destaca que o compromisso da Bayer é “somente trazer pro mercado materiais de alta qualidade de fibra“. Mas a responsabilidade não termina na escolha da semente. Luana alerta que o manejo ao longo dos 180 dias é crucial. Se o controle de pragas não for assertivo no final do ciclo, a lavoura pode sofrer com a chamada “fumagina“, um problema que gera açúcares na fibra e “vai atrapalhar lá na fiação, no tingimento“. É um cuidado que vai da semente até a regulagem da máquina na hora de colher.
O campeão mundial em sustentabilidade
Todo esse esforço técnico resultou em uma conquista que enche o país de orgulho. O algodão brasileiro atingiu um patamar de qualidade tão alto quanto o dos maiores exportadores do mundo. Mas o grande diferencial do Brasil está na forma como produzimos.
Eduardo Correa é categórico ao fazer uma afirmação de peso: “Eu posso te afirmar com toda a certeza que o algodão brasileiro é o mais sustentável do mundo“. A justificativa está nos números e no modelo de produção. Enquanto grandes potências globais produzem debaixo de irrigação pesada, a fibra brasileira, especialmente a mato-grossense, é plantada em sua grande maioria no sistema de sequeiro (dependendo apenas das chuvas), como uma segunda safra após a soja.
A eficiência desse sistema é assustadora. “O nível de produtividade por hectar que a gente tem, para vocês terem uma ideia, é o dobro dos Estados Unidos“, compara Eduardo, lembrando que a nossa produtividade no sequeiro bate de frente com o algodão 100% irrigado da Austrália. Muito desse sucesso, segundo ele, se deve ao perfil do agricultor do estado, que é “culturalmente inovador” e fomentou o avanço dessas tecnologias.
O desafio verde: Vencendo o caruru
Apesar dos recordes, o campo é dinâmico e os desafios não param. Hoje, a grande dor de cabeça do cotonicultor, no que diz respeito à matocompetição, atende pelo nome de caruru. “A gente tem hoje o caruru como sendo a maior infestante“, crava Eduardo.
A resposta para combater essa ameaça passa diretamente pela flexibilidade da tecnologia XtendFlex. “O dicamba é uma das melhores ferramentas para controle de caruru hoje no mercado“, afirma o gerente. Para refinar ainda mais esse manejo, a Bayer se prepara para introduzir o herbicida XtendMax 2, que trará a segurança necessária para aplicações em pós-emergência, atuando como uma ferramenta fundamental para “garantia de grandes produtividades“.
Luana complementa lembrando que, no modelo de sucessão característico de Mato Grosso, a guerra contra o mato começa muito antes do algodão ir para a terra. “Os cuidados que ele tiver em termos de manejo, principalmente de plantas daninhas, na cultura da soja, ele vai trabalhar com uma lavoura de algodão mais limpa“, ensina.
No fim, a trajetória do algodão no Brasil é uma história de parceria contínua entre a inovação dos laboratórios e a resiliência do produtor. E, como demonstram as falas de Eduardo e Luana, enquanto houver ciência aliada ao compromisso diário do produtor rural, o algodão brasileiro continuará tecendo o seu caminho como o mais produtivo e sustentável do planeta.