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Algodão e a nova safra indiana no jogo global de preços

Redação
14/01/2026 às 08:34
Algodão e a nova safra indiana no jogo global de preços

Oferta cresce pouco, demanda segue travada e a Índia pode mexer no equilíbrio do mercado.

O mercado global de algodão entra na safra 2025/26 com um cenário conhecido do produtor brasileiro: preços firmes, mas sem força para arrancar, demanda andando de lado e uma disputa cada vez mais direta entre os grandes exportadores. No meio desse tabuleiro está a Índia, que inicia uma nova safra cercada de expectativa, mesmo sem números oficiais recentes. O desafio para quem produz algodão no Brasil é entender como esse movimento externo bate na paridade de exportação, no câmbio e, no fim do dia, na margem.

O que os preços estão mostrando agora

No mercado interno, o Indicador CEPEA/ESALQ spot fechou em R$ 351,96/@ em 09/01/2026. É um patamar considerado firme, sustentado principalmente pelo fluxo de exportações, mas sem sinal claro de recuperação mais forte no curto prazo, segundo o próprio CEPEA.

Quando o produtor olha para a paridade de exportação da pluma com embarque em julho de 2026, os números do IMEA mostram preços entre R$ 120/@ e R$ 123/@ nas principais praças de Mato Grosso. Isso deixa claro que o mercado externo continua sendo a principal âncora de sustentação, mas também o principal limitador de alta.

Na prática, o produtor sente isso no bolso quando a conta fecha apertada: o mercado paga, mas não remunera risco.

Custos seguem pressionando a margem

Mesmo sem detalhar todos os itens do custo, há um ponto que merece atenção especial: o caroço de algodão. Segundo o IMEA, o subproduto acumulou alta de 40% em um ano, puxado por oferta restrita e demanda aquecida para ração animal. Isso ajuda na receita acessória da atividade, mas também mostra como o mercado está sensível a qualquer ajuste de oferta.

Com produtividade média projetada menor na safra 2025/26, o custo por arroba tende a subir, especialmente para quem não conseguiu diluir bem despesas fixas ou travar parte dos preços em momentos melhores.

Oferta global cresce pouco e a Índia entra no radar

Do lado da oferta mundial, o USDA indica um crescimento marginal, de apenas 0,4% ano a ano. O consumo global segue estável em torno de 25 milhões de toneladas, o que mantém o mercado abastecido, mas sem sobra excessiva.

O Brasil continua ganhando espaço e deve responder por cerca de 31% das exportações globais, com volume estimado em 3,157 milhões de toneladas, crescimento de 11,4% em relação ao ciclo anterior. Os Estados Unidos vêm logo atrás, mas crescendo menos.

É nesse contexto que a nova safra indiana chama atenção. Não há dados oficiais recentes para 2026, mas análises do Rabobank indicam um ambiente de retração global de produção, com a China dominando o cenário asiático. A Índia, tradicionalmente grande produtora e consumidora, pode influenciar o mercado mais pelo lado da demanda externa do que pela exportação direta.

O ponto é que, se a Índia tiver uma safra ajustada e consumo interno firme, sobra menos algodão no mercado internacional, o que ajuda a segurar preços. Se vier uma safra cheia, o efeito é o oposto, pressionando cotações em um mercado que já trabalha com demanda moderada.

Clima e dinâmica regional pesam mais que manchetes

No Brasil, a safra 2025/26 deve ter área de 2,1 milhões de hectares, com leve crescimento anual. A produção estimada é de 3,96 milhões de toneladas de pluma, a segunda maior da história, mesmo com queda de produtividade. O avanço no Norte e Nordeste compensa a retração no Centro-Sul.

Globalmente, além da Índia, a China aparece com safra maior, o que reduz sua necessidade de importar algodão. Isso tira um importante comprador do mercado internacional e ajuda a explicar por que, mesmo com exportações brasileiras fortes, os preços não conseguem reagir.

Câmbio e exportação mandam no jogo

O CEPEA é direto: o dólar é decisivo para a competitividade da pluma brasileira. Qualquer movimento cambial muda rapidamente a paridade de exportação e o interesse da indústria e dos traders.

Sem referências recentes fortes de Chicago, o mercado internacional segue pressionado por um cenário de consumo travado e oferta suficiente. Isso reforça que o câmbio, hoje, pesa mais que a bolsa na formação de preço para o produtor.

O que o produtor de algodão pode fazer agora

A comercialização lenta é um sinal de alerta. Apenas cerca de 30% da safra 2025/26 foi vendida até agora, abaixo da média histórica. Isso mostra cautela, mas também aumenta o risco de concentração de venda em momentos de pressão.

  • Acompanhar de perto a paridade de exportação e o dólar, não apenas o preço interno.
  • Avaliar travas parciais de preço para diluir risco, mesmo sem grandes altas.
  • Usar o caroço de algodão como ferramenta de gestão de receita, entendendo o mercado de ração.
  • Manter atenção redobrada aos movimentos da Índia e da China, que afetam o equilíbrio global.

Para quem acompanha o mercado no detalhe, fontes como os dados do Cepea ajudam a separar ruído de fundamento.

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