Oferta cresce pouco, demanda segue travada e a Índia pode mexer no equilíbrio do mercado.
O mercado global de algodão entra na safra 2025/26 com um cenário conhecido do produtor brasileiro: preços firmes, mas sem força para arrancar, demanda andando de lado e uma disputa cada vez mais direta entre os grandes exportadores. No meio desse tabuleiro está a Índia, que inicia uma nova safra cercada de expectativa, mesmo sem números oficiais recentes. O desafio para quem produz algodão no Brasil é entender como esse movimento externo bate na paridade de exportação, no câmbio e, no fim do dia, na margem.
O que os preços estão mostrando agora
No mercado interno, o Indicador CEPEA/ESALQ spot fechou em R$ 351,96/@ em 09/01/2026. É um patamar considerado firme, sustentado principalmente pelo fluxo de exportações, mas sem sinal claro de recuperação mais forte no curto prazo, segundo o próprio CEPEA.
Quando o produtor olha para a paridade de exportação da pluma com embarque em julho de 2026, os números do IMEA mostram preços entre R$ 120/@ e R$ 123/@ nas principais praças de Mato Grosso. Isso deixa claro que o mercado externo continua sendo a principal âncora de sustentação, mas também o principal limitador de alta.
Na prática, o produtor sente isso no bolso quando a conta fecha apertada: o mercado paga, mas não remunera risco.
Custos seguem pressionando a margem
Mesmo sem detalhar todos os itens do custo, há um ponto que merece atenção especial: o caroço de algodão. Segundo o IMEA, o subproduto acumulou alta de 40% em um ano, puxado por oferta restrita e demanda aquecida para ração animal. Isso ajuda na receita acessória da atividade, mas também mostra como o mercado está sensível a qualquer ajuste de oferta.
Com produtividade média projetada menor na safra 2025/26, o custo por arroba tende a subir, especialmente para quem não conseguiu diluir bem despesas fixas ou travar parte dos preços em momentos melhores.
Oferta global cresce pouco e a Índia entra no radar
Do lado da oferta mundial, o USDA indica um crescimento marginal, de apenas 0,4% ano a ano. O consumo global segue estável em torno de 25 milhões de toneladas, o que mantém o mercado abastecido, mas sem sobra excessiva.
O Brasil continua ganhando espaço e deve responder por cerca de 31% das exportações globais, com volume estimado em 3,157 milhões de toneladas, crescimento de 11,4% em relação ao ciclo anterior. Os Estados Unidos vêm logo atrás, mas crescendo menos.
É nesse contexto que a nova safra indiana chama atenção. Não há dados oficiais recentes para 2026, mas análises do Rabobank indicam um ambiente de retração global de produção, com a China dominando o cenário asiático. A Índia, tradicionalmente grande produtora e consumidora, pode influenciar o mercado mais pelo lado da demanda externa do que pela exportação direta.




