Consumo acima do esperado sustenta demanda e muda o jogo de custos.
As vendas no varejo dos Estados Unidos surpreenderam positivamente e ajudaram a aliviar pressões inflacionárias globais, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (15/01). O movimento reforça a leitura de consumo resiliente no maior mercado do mundo e traz efeitos indiretos para preços agrícolas, logística e tomada de decisão do produtor brasileiro.
Consumo americano supera projeções
De acordo com o Census Bureau, as vendas totais do varejo dos EUA cresceram +0,6% em novembro de 2025, acima da expectativa do mercado, que era de +0,4%. O dado de outubro foi revisado para -0,1%, indicando desaceleração pontual anterior, mas sem comprometer a tendência de força do consumo no quarto trimestre.
No núcleo das vendas — que exclui automóveis, combustíveis, materiais de construção e alimentos — a alta foi de +0,4%, confirmando que a demanda segue firme mesmo em um cenário de juros elevados. Esse desempenho reduz temores de recessão e ajuda a ancorar expectativas inflacionárias globais, especialmente para bens comercializáveis.
O contraponto está nos preços de alimentos: em dezembro de 2025, a inflação alimentar nos EUA registrou a maior alta em mais de 3 anos, pressionando famílias de baixa renda. Ainda assim, o consumo agregado manteve tração, sinalizando capacidade de absorção de preços.
Reflexos indiretos para o agro
Embora não haja atualizações recentes de Chicago ou câmbio nas fontes oficiais, o consumo americano forte tende a sustentar a demanda global por commodities agrícolas ao longo de 2026. Para o produtor brasileiro, o impacto é indireto, mas relevante: maior apetite do consumidor final reduz riscos de queda abrupta de preços internacionais.




