Dólar mais volátil mexe com preços da soja e exige timing preciso
O câmbio ganhou volatilidade nesta semana após a divulgação da nova pesquisa Genial/Quaest e de uma operação da Polícia Federal, elevando o prêmio de risco político no Brasil. O movimento refletiu rapidamente no dólar futuro e no mercado físico, afetando a formação de preços da soja em reais em um momento de margens já comprimidas para o produtor.
Câmbio reage a ruído político e pressiona decisões
A leitura do mercado é de aumento de incerteza institucional no curto prazo, o que levou investidores a exigir proteção adicional. Com isso, o dólar voltou a se valorizar, sustentando a paridade de exportação da soja, mas sem resolver o problema central de rentabilidade. Em janeiro, a soja no físico nacional registra média CEPEA de R$ 128,99 por saca, enquanto no porto de Paranaguá o indicador marca R$ 142,14.
No Mato Grosso, a paridade de exportação oscila entre R$ 100,00 e R$ 105,67 por saca, nível que cobre custos apenas em áreas de alta produtividade. O dólar mais alto ajuda na conversão, mas não compensa erros de custo ou vendas fora de timing.
Oferta recorde de soja limita reação de preços
O cenário de câmbio firme encontra um teto claro na oferta. A safra brasileira 2025/26 deve alcançar entre 177,1 e 180,92 milhões de toneladas, com área plantada de 48,9 milhões de hectares. Segundo a Abiove, os estoques finais em 2026 serão os maiores em nove anos, reforçando a pressão estrutural sobre os preços no segundo semestre.
Em Chicago, referência global, os contratos acumulam alta de cerca de 8% em 2025, mas mostram correção recente. O mercado já precifica superoferta global, com EUA e Argentina também colhendo safras cheias.




