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Ações do agro sobem hoje com aposta em juros menores

Redação
14/01/2026 às 21:21
Ações do agro sobem hoje com aposta em juros menores

Juro em queda pode aliviar custo e destravar valor das empresas do agro.

Estrategistas mantêm visão positiva para as ações brasileiras nesta semana, com o mercado antecipando um possível afrouxamento monetário à frente. Para o agro, o impacto direto passa pelo custo financeiro e pela sustentação de margens em um momento em que os preços físicos seguem pressionados.

Soja pressiona margens e reforça peso do juro

No mercado físico, a soja continua testando a rentabilidade do produtor. O Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná fechou em R$ 124,44/sc em 14/01/2026, com baixa diária de 0,40%. Já o preço físico médio nacional CEPEA ficou em R$ 130,90/sc em 13/01/2026, recuando 0,12% no dia e acumulando queda de 7,17% no período.

No Mato Grosso, as principais praças registraram quedas mais intensas, como Rondonópolis a R$ 111,00/sc (-2,20%) e Sorriso a R$ 104,00/sc (-0,76%). Com preços nesse patamar, qualquer alívio no custo financeiro passa a ser determinante para preservar caixa e sustentar investimentos.

Exportação e câmbio limitam reação do físico

A paridade de exportação segue como teto para o mercado interno. Em 13/01/2026, a paridade média para o Mato Grosso foi de R$ 99,45/sc, enquanto praças como Alto Araguaia marcaram R$ 108,02/sc. O câmbio forte pressiona a conta e reduz o espaço de reação, deixando a margem operacional extremamente sensível quando o preço físico se aproxima desses níveis.

Esse cenário reforça a leitura dos estrategistas: juros mais baixos tendem a favorecer empresas listadas ligadas ao agro, ao reduzir despesas financeiras em um ambiente de preço comprimido.

Custo elevado mantém foco em eficiência

Os custos de produção continuam elevados. Segundo a APROSOJA/MS, o custo total da safra 2025/26 é de R$ 6.115,83/ha, enquanto o IMEA estima R$ 7.761,74/ha no Mato Grosso. Com preço projetado de R$ 120,00/sc, a margem operacional é de apenas R$ 244,00/ha, ou 2,0% sobre o valor bruto.

Para o investidor, esse quadro explica por que o mercado de ações reage mais às expectativas de política monetária do que aos preços agrícolas no curto prazo. Para o produtor, o recado é claro: timing de venda, gestão de custos e cenário de juros seguem no centro da decisão.

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