Decisão nos EUA pode atrasar alívio do dólar e mexer na margem do produtor.
O Federal Reserve entrou em 2026 dividido sobre quando e quanto cortar os juros, enquanto o mercado de trabalho dos Estados Unidos segue resiliente. O impasse mantém o dólar sustentado e aumenta a cautela do produtor brasileiro, especialmente em um momento de planejamento de vendas e proteção de margem.
Divisão interna no Fed trava decisão
As projeções oficiais do Fed indicam apenas um corte de juros em 2026, com a taxa básica hoje entre 3,50%-3,75%, após reduções acumuladas de 75 pontos-base em 2025. Apesar disso, a divergência entre dirigentes é clara. Stephen Miran defende cortes mais agressivos, de até 150 bps ainda neste ano, citando a inflação subjacente em 2,3%, próxima da meta de 2%, e sinais de arrefecimento no emprego.
Na outra ponta, Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis, considera “muito cedo” para reduzir juros. O argumento central é a resiliência do mercado de trabalho, com desemprego em 4,4% em dezembro de 2025, além de pressões inflacionárias que ainda não cederam de forma consistente. Raphael Bostic, do Fed de Atlanta, reforça a leitura de política monetária restritiva por mais tempo, diante de uma economia que segue sólida.
Mercado adia apostas e dólar reage
Essa divisão interna já se reflete nas apostas do mercado. Grandes bancos globais indicam adiamento dos cortes: o JPMorgan projeta até uma alta de 25 bps apenas em 2027, enquanto Goldman Sachs e Barclays veem reduções somente em setembro ou dezembro de 2026. Com isso, o dólar tende a permanecer fortalecido no curto prazo.
Para o agro brasileiro, o câmbio é um ponto sensível. Cortes rápidos de juros nos EUA poderiam enfraquecer a moeda americana e favorecer as commodities. Porém, com o emprego firme, esse movimento fica postergado, elevando a volatilidade e exigindo mais atenção do produtor às estratégias de comercialização.




