Câmbio instável reduz paridade de exportação e aperta a margem no campo.
O dólar comercial opera próximo da estabilidade nesta terça-feira, abaixo de R$ 5,40, mesmo em meio a ruídos envolvendo vistos americanos. A falta de direção firme no câmbio tem impacto direto sobre o mercado agrícola, especialmente a soja, que sente a pressão na paridade de exportação e vê margens ainda mais comprimidas no início de janeiro.
Câmbio limita reação dos preços da soja
A oscilação do dólar impede uma recuperação mais consistente dos preços físicos. No Paraná, o Indicador CEPEA/ESALQ registrou R$ 124,94/sc em 13/01/2026, queda de 1,71% no período. Desde o início do mês, a retração é ainda mais expressiva, considerando que o mercado operava a R$ 134,71/sc em 06/01/2026. A média nacional CEPEA ficou em R$ 128,99/sc em 09/01/2026.
Em Mato Grosso, o movimento é semelhante, com preços pressionados durante o avanço da colheita. Rondonópolis trabalha a R$ 111,00/sc (-2,20%), Alto Araguaia a R$ 110,00/sc (-2,14%) e Primavera do Leste a R$ 109,30/sc (-2,41%). No norte do estado, Lucas do Rio Verde aparece a R$ 104,50/sc e Sorriso a R$ 104,00/sc, ambos com quedas próximas de 0,76%.
Paridade sensível e margem no limite
A paridade de exportação para março de 2026, calculada pelo IMEA em 13/01/2026, mostra o quanto o câmbio é decisivo. Em Lucas do Rio Verde, a referência é de apenas R$ 99,45/sc. Em Alto Araguaia, R$ 108,02/sc. Na média de Mato Grosso, o mesmo patamar de R$ 99,45/sc. Movimentos diários superiores a 2% na paridade refletem a volatilidade cambial como fator-chave de precificação.
Com custos elevados, a margem fica extremamente sensível. Segundo a APROSOJA/MS, o custo total da safra 2025/26 está em R$ 6.115,83/ha, equivalente a 50,97 sc/ha. No histórico do IMEA/MT, o custo total chega a R$ 7.761,74/ha. Nesse cenário, preços entre R$ 100 e R$ 105/sc praticamente anulam a rentabilidade do produtor.




