A raça Girolando completou 25 anos de existência em maio de 2021 e é responsável por aproximadamente 80% do leite produzido no país.

Desenvolvida no Brasil, essa raça é fruto de cruzamento na proporção de 5/8 de sangue da raça Holandesa e 3/8 de sangue da raça Gir, originárias, respectivamente, da Holanda e da Índia.

A raça, que completou 25 anos de existência em maio de 2021, é responsável por aproximadamente 80% do leite produzido no país. “Além disso, é a raça leiteira nacional que mais vende sêmen no país”, informa o presidente da associação, Odilon de Rezende Barbosa Filho.

A Associação, sediada em Uberaba, em Minas Gerais, é a maior em número de bovinos leiteiros registrados no Brasil, superando a marca dos dois milhões de animais.

Origem e diferenciais da raça

Genuinamente brasileira, a raça surgiu por volta da década de 1940, no vale do Paraíba, estado de São Paulo, quando um touro da raça Gir teria invadido uma pastagem vizinha e cobrindo algumas vacas da raça Holandesa. Ao nascerem os produtos desse cruzamento, os criadores observaram que eram animais com características diferentes e que, com o tempo, foram demonstrando maior rusticidade, precocidade e grande produção de leite.

O sucesso obtido com o cruzamento levou criadores de outras regiões do Brasil a investir nesse tipo de animal e a desenvolver técnicas para selecionar os melhores exemplares com o objetivo de aperfeiçoar o desempenho zootécnico do cruzamento, que na época já era considerado muito satisfatório.

Da raça Gir, o Girolando herdou, principalmente, a capacidade de adaptação e a rusticidade. Já do Holandês, com todos os seus anos de seleção no mundo, veio a grande produção de leite.

Em 1989, foram definidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) as normas para formação da raça Girolando. O direcionamento dos acasalamentos buscou a formação de um grupamento étnico capaz de produzir leite de modo sustentável nas regiões tropicais e subtropicais. O objetivo foi a fixação do padrão racial na composição racial 5/8 Holandês + 3/8 Gir. São considerados como Puro Sintético (PS), ou seja, a raça propriamente dita, os animais advindos do acasalamento entre indivíduos 5/8.

No dia primeiro de fevereiro de 1996, o Girolando foi reconhecido oficialmente como raça pelo MAPA e tem como única delegada para a execução do Serviço de Registro Genealógico e do Programa de Melhoramento Genético em todo o país a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando.

girolando

Desde 1989, a entidade registra diversas composições raciais permitidas dentro da formação da raça, indo desde a categoria CCG (produtos de cruzamentos sob controle de genealogia) 1/4 Holandês + 3/4 Gir até a CCG Holandês 7/8 + 1/8 Gir.

Responsável por 80% do leite produzido no Brasil, a raça Girolando tem como diferenciais a alta produtividade, rusticidade, precocidade, longevidade e fertilidade, além da alta capacidade de adaptação a
diferentes tipos de manejo e clima.

As fêmeas Girolando possuem características fisiológicas e morfológicas perfeitas para a produção nos trópicos, como: a capacidade e suporte de úbere; tamanho de tetas; pigmentação; capacidade termorreguladora; aprumos e pés fortes; conversão alimentar (o animal produz mais comendo menos); e eficiência reprodutiva. Essas são características que garantem maior produtividade e menor custo de produção, melhorando a rentabilidade.

Eficiência reprodutiva

Este é um dos pontos fortes da raça, pois se adapta muito rapidamente às condições que é submetida.

A conformação anatômica do aparelho reprodutivo das matrizes Girolando é perfeita, corrigindo até os problemas que são notados nas raças puras. Tanto novilhas como vacas, possuem baixos índices de problemas de parto e retenção de placenta.