O mercado do suíno vivo encontra um ponto de equilíbrio, mas o cenário internacional pode mudar o jogo, veja mais informações a seguir
Para quem vive o dia a dia da suinocultura, estabilidade é uma palavra bem-vinda. E é exatamente isso que os números do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) vêm mostrando. Em importantes praças produtoras como São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina, o preço do suíno vivo tem se mantido firme na casa dos R$ 8,00 por quilo. Esse patamar, que parece ter encontrado um ponto de equilíbrio, reflete uma sintonia fina entre a quantidade de animais disponíveis para abate e a demanda dos frigoríficos.
Esse cenário traz um fôlego para o produtor, que possivelmente opera com margens positivas, ao mesmo tempo que permite à indústria manter a carne suína com preços competitivos no varejo. Contudo, um evento sanitário do outro lado do Atlântico pode redesenhar esse mapa e trazer novas oportunidades para o Brasil.
O que significa o preço estável do suíno vivo?
Quando falamos que o preço do suíno vivo está estável, estamos falando de previsibilidade. O suinocultor consegue planejar melhor seus investimentos, a compra de insumos e o manejo de seu plantel. Essa firmeza nas cotações indica que a oferta de animais terminados está ajustada à necessidade da indústria. Não há excesso de porcos pressionando os preços para baixo, nem falta de animais que inflacionaria os custos para os frigoríficos de forma abrupta. É um balanço delicado, mas fundamental para a saúde da cadeia produtiva.
Para o produtor, essa estabilidade pode significar a tão almejada rentabilidade positiva. A atividade envolve custos elevados e constantes, que precisam ser gerenciados com atenção. O preço de venda do animal precisa cobrir todos esses gastos e ainda gerar lucro. Entre os principais desafios do dia a dia na granja, podemos citar:
- O custo da ração, principalmente milho e farelo de soja, que representa a maior fatia dos custos de produção;
- Investimentos em genética de ponta para garantir animais mais produtivos e eficientes;
- As despesas com mão de obra, energia elétrica e manutenção das instalações;
- O rigoroso controle sanitário e de bem-estar animal, que exige protocolos e medicamentos.
Um preço de venda consistente, como o atual patamar do suíno vivo, ajuda a diluir esses custos e a garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo. É o que permite ao suinocultor continuar investindo em tecnologia e boas práticas, melhorando a qualidade do produto final que chega à mesa do consumidor.
O alerta da Peste Suína Africana (PSA) na Europa
Enquanto o mercado interno brasileiro vive um momento de calmaria, o cenário internacional está agitado. A confirmação de casos de Peste Suína Africana (PSA) na Espanha acendeu um grande alerta global. A PSA é uma doença viral altamente contagiosa e letal para suínos e javalis, embora não represente risco para a saúde humana. Para a suinocultura, no entanto, seu impacto é devastador. Um único caso pode levar ao sacrifício de planteis inteiros e, crucialmente, ao fechamento imediato de mercados importadores.
A Espanha não é um ator qualquer nesse tabuleiro. Trata-se do maior produtor de carne suína da União Europeia e foi o maior exportador mundial da proteína em 2023, se não considerarmos a UE como um bloco único. A interrupção, mesmo que parcial, dos embarques espanhóis cria um vácuo no fornecimento global. Países que dependiam da carne espanhola, especialmente na Ásia, precisarão buscar novos fornecedores que sejam capazes de oferecer volume, qualidade e, acima de tudo, segurança sanitária. É aqui que o Brasil entra em cena com força total.




