O ano de 2025 não foi promissor para a piscicultura brasileira, especificamente no que tange à tilápia. O setor, que vinha experimentando um crescimento notável e consolidando-se como um importante player no mercado global, viu suas exportações recuarem significativamente, acendendo um alerta tanto entre produtores quanto entre formuladores de políticas públicas.
Dados recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam uma queda expressiva nos embarques de tilápia e produtos secundários. De janeiro a dezembro de 2025, o volume exportado somou 15,1 mil toneladas, o que representa uma diminuição de 8,5% em comparação com as 16,5 mil toneladas registradas em 2024. A retração não se limitou apenas ao volume; a receita também foi impactada. Em termos de dólares, o faturamento totalizou US$ 59,8 milhões, uma queda de 4% em relação ao ano anterior. Quando convertido para a moeda nacional, o impacto foi de R$ 336 milhões, uma leve retração de 1,2% frente a 2024.
O Impacto das Barreiras Tarifárias Americanas
O principal catalisador para esse desempenho negativo reside nas barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos, o principal destino da tilápia brasileira. Historicamente, os EUA têm sido um mercado robusto para o pescado nacional, valorizando a qualidade e a sustentabilidade da produção brasileira. No entanto, a imposição de novas taxações elevou o custo do produto brasileiro, tornando-o menos competitivo frente a outros exportadores. Essa medida americana, que visa proteger sua própria indústria ou equilibrar a balança comercial, acabou por desferir um golpe significativo em um setor que dependia fortemente desse fluxo de comércio.
Produtores e associações do setor têm manifestado profunda preocupação. Muitos investimentos foram realizados nos últimos anos para modernizar as instalações, expandir a produção e atender aos rigorosos padrões sanitários internacionais, com foco justamente no mercado americano. A mudança abrupta na política comercial dos EUA exige uma reavaliação estratégica urgente, buscando novos mercados ou diversificando a oferta de produtos para mitigar os riscos futuros.
Desafios Internos: A Concorrência Asiática e a Qualidade Sanitária
Além dos entraves externos, o mercado interno brasileiro também apresentou um novo cenário de desafios. A abertura para a importação de tilápia do Vietnã gerou uma onda de preocupação entre os produtores nacionais. O Vietnã é um gigante na produção de pescados e, com custos de produção potencialmente mais baixos e uma escala industrial massiva, pode representar uma ameaça significativa à competitividade do pescado brasileiro dentro do próprio país.
Pesquisadores e sanitaristas também levantam questões importantes sobre a qualidade sanitária do peixe importado. Embora existam protocolos de importação, a fiscalização rigorosa e a garantia de que os padrões sanitários brasileiros sejam mantidos são pontos de constante debate. A introdução de produtos com padrões de produção e sanitização diferentes pode não apenas afetar a percepção do consumidor sobre a tilápia em geral, mas também trazer riscos potenciais à saúde pública e à própria sustentabilidade da produção nacional, caso haja introdução de doenças ou parasitas. Clique aqui e acompanhe o agro.





