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Soja sente peso do frete e trava margem do produtor

Redação
12/01/2026 às 17:50
Soja sente peso do frete e trava margem do produtor

Mesmo com preço melhor no porto, o custo logístico está ficando com boa parte do ganho.

O mercado de soja entrou em 2026 mostrando um contraste que o produtor conhece bem: preço até reage no porto, mas a conta não fecha da porteira para dentro. O motivo está cada vez mais claro. O frete rodoviário, especialmente em regiões distantes dos corredores de exportação, virou um dos principais fatores de pressão sobre a rentabilidade.

O ponto é que não adianta olhar só o preço da saca. Na prática, o produtor sente o impacto quando transforma preço bruto em preço líquido, depois de pagar transporte, armazenagem e todos os custos que não aparecem no balcão.

Onde o preço da soja está reagindo e onde não está

Os dados do Cepea mostram claramente essa distorção. Em 09/01/2026, o Indicador CEPEA/ESALQ Paraná marcou R$ 133,85/sc, enquanto a média física nacional ficou em R$ 128,99/sc. No porto de Paranaguá, em 02/01/2026, a soja chegou a R$ 142,14/sc, sinalizando uma exportação mais atrativa.

O problema aparece quando se olha para o interior. Em Mato Grosso, na mesma data, os preços disponíveis estavam bem mais baixos: R$ 115,00/sc em Rondonópolis, R$ 113,90/sc em Alto Araguaia, R$ 112,70/sc em Campo Verde e apenas R$ 103,90/sc em Sorriso. Essa diferença de R$ 30 a R$ 40 por saca entre porto e interior não é acaso. Ela reflete, diretamente, o custo logístico.

Na prática, parte do prêmio da exportação fica no caminho, antes de chegar na fazenda.

Frete rodoviário virou gargalo no pico da safra

O cenário de fretes em Mato Grosso, segundo o IMEA em janeiro de 2026, é crítico. Os valores mostram como o transporte passou a ser um dos principais custos variáveis da soja:

  • Sorriso → Cuiabá: R$ 129,42/t
  • Sorriso → Rondonópolis: R$ 176,84/t, com alta diária de 4,83%
  • Sorriso → Miritituba (Arco Norte): R$ 277,43/t
  • Sorriso → Paranaguá: R$ 446,09/t

Esse aumento diário no trecho Sorriso–Rondonópolis é típico de pico de colheita. Falta caminhão, a demanda explode e o preço do frete sobe rápido. O produtor que deixa para contratar transporte na última hora acaba pagando essa conta.

Em rotas longas, como Sorriso até Paranaguá, o frete pode consumir boa parte da vantagem de exportar. O ganho de preço no porto existe, mas não chega inteiro ao interior.

Quando o frete entra direto na margem da fazenda

Segundo análises do CEPEA, o frete elevado, combinado com recuos nas cotações externas e no câmbio, tem limitado a alta dos preços internos da soja neste início de 2026. O efeito prático é simples: mesmo com exportação pagando melhor, o repasse para o produtor fica travado.

Esse impacto fica ainda mais sensível quando se olha para o custo total da lavoura. O IMEA estimou o custo total da soja 2025/26 em R$ 7.761,74 por hectare, conforme relatório de setembro de 2025. Com um custo desse tamanho, qualquer variação adicional de frete muda completamente a rentabilidade, principalmente no norte de Mato Grosso.

Na prática, o frete deixou de ser apenas um custo operacional e passou a ser um fator estratégico de margem.

Colheita concentrada pressiona estradas, armazéns e portos

A CONAB projeta que a colheita da safra 2025/26 deve inflacionar o mercado de fretes rodoviários ao longo do primeiro trimestre de 2026. É o efeito clássico da safra cheia chegando ao mesmo tempo: estradas saturadas, armazéns disputados e filas nos portos.

Quando tudo acontece junto, o frete sobe não só pelo custo do diesel ou pela distância, mas pela simples falta de caminhão disponível. E isso tende a manter pressão adicional sobre os custos logísticos durante o pico da safra.

O que o produtor pode fazer na prática

Não existe solução mágica, mas existem decisões que reduzem o impacto no bolso:

  • Antecipar a contratação de frete sempre que possível, evitando o pico de escassez de caminhões.
  • Comparar rotas e destinos, avaliando se o prêmio do porto realmente compensa o custo adicional.
  • Integrar a decisão de venda com a logística, olhando preço líquido e não só a cotação da saca.
  • Usar barter e travas de preço quando fizer sentido, já considerando o frete dentro da conta.

O ponto é claro: em anos de frete caro, quem cuida da logística junto com a comercialização protege melhor a margem.

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Decidir bem o frete hoje pode valer mais do que buscar alguns reais a mais na saca amanhã.

Agronews é informação para quem produz.

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